17 Out, 2017

Phelps perde a última da carreira

João BastosAgosto 13, 20168min0

Phelps perde a última da carreira

João BastosAgosto 13, 20168min0

Hoje foi a jornada dos estraga festas. O maior medalhista olímpico teve de partilhar a sua última medalha individual e Hosszu não conseguiu fazer o pleno. Já Ledecky não tem rivais e Ervin volta a ser campeão…16 anos depois.

Dirado surpreende a Dama de Ferro

Maya Dirado vingou as derrotas nas provas de estilos para Katinka Hosszu | Fonte: Getty Images
Maya Dirado vingou as derrotas nas provas de estilos para Katinka Hosszu | Fonte: Getty Images

Katinka Hosszu vinha determinada a concluir a sua participação nos Jogos Olímpicos de forma invicta, querendo levar para casa o quarto ouro, desta feita nos 200 metros costas. Para os húngaros, esta seria talvez a prova com maior relação afectiva, uma vez que a maior nadadora húngara de todos os tempos Krisztina Egerszegi venceu-a em três JO consecutivos, entre 88 e 96.

Katinka partiu forte, com passagem abaixo do parcial de record do mundo aos 50 metros e liderou a prova até bem perto do fim, mas o esforço empregue no início fez-se sentir nos últimos metros e a americana Maya Dirado conseguiu ultrapassar a húngara em cima da parede. 2:05.99 da americana contra 2:06.05 da húngara foram as marcas da única derrota da Dama de Ferro no Rio. Para o Canadá vai mais uma medalha na natação feminina. Hilary Caldwell fez bronze com 2:07.54.

O beliscão da lenda veio de Singapura

Joseph Schooling teve a audácia de vencer a última prova de Phelps | Fonte: Reuters
Joseph Schooling teve a audácia de vencer a última prova de Phelps | Fonte: Reuters

Michael Phelps nadou a sua última prova individual! Ainda vai nadar a estafeta de 4×100 metros estilos, mas antes da derradeira prova o seu saldo vai em 27 medalhas, 22 de ouro. Durante os seus 5 Jogos Olímpicos e mais de duas dezenas de vitórias, Phelps protagonizou duelos épicos com nadadores como Ian Thorpe, Pieter van den Hoogenband ou Ryan Lochte. A sua vitória mais apertada foi nos 100 mariposa em Pequim contra o sérvio Milorav Cavic, quando venceu a prova por 1 centésimo, mas venceu…e já ia numa série de 3 JO seguidos a vencer esta prova.

Ontem tinha-se tornado no primeiro nadador tetra-campeão numa única prova, e hoje ia tentar fazê-lo duas vezes mas não conseguiu aumentar ainda mais a sua lenda. E o responsável por isso podia ser Chad le Clos ou Laszlo Cseh, nadadores com um currículo que lhes permitia “sonhar” vencer Phelps. Mas não…essa honra ficou para o surpreendente Joseph Schooling, o primeiro campeão olímpico na natação da Singapura! Schooling até pode não conquistar mais nada na sua carreira, que o seu nome já vai ficar nos anais da História da natação e dos Jogos Olímpicos.

E não se pense que foi Phelps que falhou, foi mesmo o singapurense que se transcendeu e com os seus 50.39 estabeleceu novo record olímpico…que pertencia a Phelps!

A ironia não se ficou por aqui, pois no final Phelps sagrou-se vice-campeão olímpico. Mas não foi o único. Na prova de 200 metros antevia-se um “trielo” com le Clos e Laszlo Cseh que acabou por não acontecer, tal a superioridade de Phelps. Mas na prova de 100 acabaram os três por fazer o mesmo tempo e partilhar a medalha de prata. 51.14 foi a marca feita pelos três.

Ledecky e as outras

Ledecky é o maior fenómeno da actualidade | Fonte: AFP
Ledecky é o maior fenómeno da actualidade | Fonte: AFP

Nos 800 metros livres não houve espaço para mais surpresas. Katie Ledecky, como antevimos, não deu confiança a ninguém a nadou completamente sozinha, numa prova que não seria fácil de acompanhar para muitos nadadores masculinos (o tempo final é melhor que o record português masculino, por exemplo).

A nadadora americana terminou com o novo record mundial absolutamente estratosférico de 8:04.79 para conseguir o ouro mais confortável de sempre da história da prova com os 11.38 segundos de vantagem. A vantagem de Ledecky foi de tal forma grande que não permitiu que a prova das restantes nadadoras fosse televisionada.

Mas não foi porque as companheiras de Ledecky no pódio fizessem maus tempos. Os 8:16.17 da britânica Jazzmin Carlin que lhe deram a prata e os 8:16.37 da húngara Boglarka Kapas que valeu bronze são a 10ª e a 13ª melhor marca de sempre (as 5 primeiras são de Ledecky).

Depois da chuva de records mundiais nos dois primeiros dias, volta a cair um máximo mundial ao penúltimo dia da natação.

Ervin 16 anos depois

Ervin foi campeão olímpico em 2000, teve problemas com drogas e álcool, síndrome de Tourette, depressão e volta a ser campeão em 2016 | Fonte: AP
Ervin foi campeão olímpico em 2000, teve problemas com drogas e álcool, síndrome de Tourette, depressão e volta a ser campeão em 2016 | Fonte: AP

A natação no Rio está a ser pródiga em histórias que certamente perdurarão no tempo, desde os feitos históricos de Phelps, à marca inédita de Simone Manuel, aos records do outro mundo de Ledecky, ao surgimento de fenómenos como Chalmers e Oleksiak até às meras curiosidades como as medalhas ex-aequo.

A prova dos 50 metros livres trouxe-nos outra história fantástica, protagonizada pelo americano Anthony Ervin. Ervin já tinha sido campeão olímpico nesta prova, mas até aí não há nada de extraordinário. O que é extraordinário é que Ervin foi campeão olímpico dos 50 metros livres nos Jogos Olímpicos de Sydney. Isso mesmo…há 16 anos!

Na altura dividiu o ouro com o compatriota Gary Hall, Jr. e evidenciou-se por ter sido o campeão olímpico mais jovem de sempre nos 50 livres (19 anos). No Rio volta a evidenciar-se por ter sido o campeão olímpico mais velho de sempre nos 50 livres (35 anos). 21.40 foi a marca em 2016. 21.98 tinha sido o tempo em 2000.

O francês Laurent Manaudou vinha defender o seu título (a um dia de concluir o programa da natação apenas Phelps nos 200 estilos e Ledecky nos 800 livres conseguiram revalidar os seus títulos), mas ficou com a prata a apenas 1 centésimo do americano.

No lugar mais baixo do pódio ficou Nathan Adrian que repetiu a posição dos 100 metros. O americano fez o tempo de 21.49.

Records do mundo em perspectiva para a jornada de amanhã

Na jornada da manhã foram nadadas as eliminatórias dos 1500 metros livres masculinos, uma prova com final directa, que trouxeram grandes marcas (a final fechou bem abaixo dos 15 minutos) e trouxeram a confirmação que o recordista do mundo e campeão olímpico Sun Yang já não quer nada com esta prova. Na sua eliminatória o chinês liderou até aos 1000 metros e depois travou autenticamente para terminar em 15:01.97 e no 16º lugar. O seu record do mundo é de 14:31.02. O vencedor das eliminatórias foi o recente campeão e recordista da Europa e grande favorito para a final, Grigorio Paltrinieri, o italiano que pode ameaçar o record do mundo, qualificou-se tranquilamente com 14:44.51.

As estafetas também são provas de final directa e as de estilos estão a provocar grandes expectativas. A única vez que os EUA não venceram os 4×100 metros estilos masculinos foram em 1980, em Moscovo, quando não participaram, mas nas eliminatórias a Grã-Bretanha impressionou (com Peaty em destaque) e qualificaram-se em primeiro. Na estafeta feminina as favoritas americanas não facilitaram e ficaram a dois segundos do record do mundo com a equipa secundária.

À noite, só foram nadadas as meias finais dos 50 metros livres femininos, a última prova em que faltavam definir as finalistas. A dinamarquesa Pernille Blume (que até tem sido a segunda dinamarquesa, na sombra de Jaenette Ottesen) impressionou quer nas eliminatórias, quer nas meias finais e chega à final com o melhor tempo, mas enfrenta as irmãs Campbell, a campeã em título Ranomi Kromowidjojo, a vice-campeã Aliaksandra Herasmenia, a vencedora dos 100 Simone Manuel, a britânica vice-campeã europeia Francesca Halsall e a nadadora da casa Etiene Medeiros. Por outro lado, as meias finais já fizeram vítimas como a citada Ottesen e as suecas Sjöström e Alshammar.


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