16 Dez, 2017

A caminho do Mundial: O regresso da prova rainha (versão masculina)

João BastosMaio 7, 201720min0

A caminho do Mundial: O regresso da prova rainha (versão masculina)

João BastosMaio 7, 201720min0

Com os Campeonatos do Mundo de Desportos Aquáticos à vista, o Fair Play elabora uma série de 10 artigos sobre os potenciais destaques em Julho, na Hungria. O segundo é sobre a mãe de todas as provas: os 100 metros livres. Comecemos pelo lado masculino.

Em todas as modalidades há aquela prova ou aquele jogo que por vários factores ganham um rótulo particular. Seja “El Clássico” jogado entre o Barcelona e o Real Madrid, seja a “etapa rainha” na subida ao Mont Ventoux no Tour de France, seja a “rivalidade do século” cada vez que Roger Federer defronta Rafael Nadal.

Estes rótulos são outorgados pela qualidade dos intervenientes, pelas características da prova ou do jogo, pelo histórico do evento, pela carga simbólica da vitória e da derrota, pela rivalidade envolvida e pelo entusiasmo dos adeptos que se reveste de maior efervescência nestes momentos.

Na natação há uma prova que reúne todos esses ingredientes, sendo considerada a expressão máxima das características identitárias da modalidade, que tem resultado historicamente na cognominação da mesma como “prova rainha da natação“. É ela os 100 metros livres.

Neste artigo focar-nos-emos no passado, presente e futuro da prova no sector masculino, ficando o sector feminino reservado para o terceiro artigo de antevisão dos mundiais.

OS ÍCONES

Para homologar a outorga desse rótulo, foi preponderante o facto de ao longo da História grandes nomes se terem notabilizado ao nadá-la.

Johnny Weissmuller (EUA)

A primeira grande referência foi o “tarzan” Johnny Weissmuller. O norte-americano reformou-se aos 24 anos, após os Jogos Olímpicos de Amesterdão, mas apesar da sua curta carreira, deixou uma marca indelével na história da natação, e não apenas na vertente de natação pura.

Johnny Weissmuller foi penta campeão olímpico e ainda conquistou uma medalha de bronze…no pólo aquático.

Das cinco medalhas de ouro, duas corresponderam ao bi-campeonato olímpico nos 100 metros livres (Paris 1924 e Amesterdão 1928), mas o americano ascendeu ao patamar de mito por outra razão: foi o primeiro ser humano a nadar 100 metros abaixo de 1 minuto!

A 19 de Julho de 1922, o record mundial dos 100 metros livres pertencia ao anterior ícone dos 100 livres (também bi-campeão olímpico e também norte-americano) Duke Kahanamoku com o tempo de 1:00.2, mas dia, na Califórnia, Weissmuller nadou a prova em 58.6.

Dois anos depois, em Paris, Kahanamoku ainda foi tentar o tri, mas Weissmuller já era o destacado favorito e encerrou definitivamente a era do seu compatriota, iniciando a sua que terminaria quando o apelo da sétima arte – e dos dólares – foi mais forte. Johnny Weissmuller ficou ainda mais famoso fora das piscinas, quando eternizou o papel de Tarzan em 12 filmes da saga do homem macaco.

Foto: Pinterest

Mark Spitz (EUA)

Saltando para o ano de 1972, Munique foram os Jogos Olímpicos que ficam marcados por dois motivos muito diferentes: o massacre que ocorreu na sequência do sequestro de 11 atletas da comitiva israelita e a afirmação do maior vencedor de medalhas de ouro nos mesmos Jogos Olímpicos (que assim se manteve até Phelps 2008).

O norte-americano Mark Spitz já tinha conhecido o sabor do metal mais precioso na Cidade do Cabo em 1968, mas apenas nas estafetas norte-americanas de 4×100 e 4×200 metros livres. Nos 100 mariposa foi vice-campeão e nos 100 livres bronze.

Na Alemanha não deu hipótese a ninguém e das 7 provas que nadou, venceu-as todas. Mais do que isso: estabeleceu novos recordes mundiais em todas as finais que nadou, coisa que, até aos dias de hoje, nem Phelps conseguiu fazer melhor.

Do cardápio de ouros e recordes, fez parte os 100 metros livres. Spitz venceu a prova, batendo o seu próprio máximo mundial, deixando-o em 51.22.

Se Weissmuller já se tinha retirado cedo, Spitz fê-lo ainda mais cedo, aos 22 anos. A tragédia ocorrida nos JO de Munique abalou irreversivelmente o norte-americano, cuja ascendência judaica levou-o a ter de sair da Alemanha abruptamente.

Traumatizado, não mais voltou a competir, tendo-se dedicado a viver os prazeres da fama fazendo uns anúncios e marcando presença regular em programas de televisão.

Foto: Alchetron

Jim Montgomery (EUA)

O maior beneficiário da prematura aposentadoria de Mark Spitz foi outro americano, de seu nome Jim Montgomery.

Sobre James Paul Montgomery pode-se dizer que apareceu no sítio certo à hora certa. Tinha apenas 17 anos quando Spitz se retirou e foi no ano seguinte aos fatídicos Jogos de Munique que a FINA organizou o primeiro campeonato do mundo de desportos aquáticos, em Belgrado.

O jovem Jim, de apenas 18 anos, já tinha surpreendido com o apuramento para a equipa dos EUA, mas nos campeonatos do mundo iria enfrentar nos 100 livres o campeão olímpico de ’68 e recordista mundial da prova, antes de Spitz, o australiano Mike Wenden que tinha falhado em Munique, classificando-se apenas em 5º na final dos 100 livres, e queria ir à Jugoslávia “limpar a face”.

Não foi o que aconteceu. Wenden foi apenas 3º, com o francês Michel Rousseau a ficar com a prata e Montgomery a superiorizar-se com o tempo de 51.708. Foi assim o primeiro campeão mundial dos 100 livres, título que juntou ao dos 200 livres, 4×100 e 4×200 livres, vindo poucos minutos depois a juntar o dos 4×100 estilos.

Mas a carreira de Montgomery não fica só marcada pela felicidade das circunstâncias. Se o Tarzan Weissmuller foi o primeiro a baixar da barreira do minuto, Montgomery foi quem primeiro quebrou a barreira dos 50 segundos.

E fê-lo quando mais precisava e em grande estilo, nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976. 49.99 foi o tempo que lhe deu o título olímpico e o bilhete para ficar eternamente ligado a um marco histórico da natação.

Montgomery nunca mais voltou ao território dos 49 segundos nem nunca mais repetiu o êxito internacional. No mundial de 1978 foi prata e não participou nos Jogos Olímpicos de 1980 que os EUA boicotaram por se realizarem na União Soviética, em plena Guerra Fria.

Alexander Popov (URSS/Rússia)

E por falar em União Soviética, outra referência incontornável dos 100 metros livres é o czar Alex Popov, o nadador que enfrentou a invasão da tecnologia na natação (com a introdução dos fatos) munido da sua tanga.

(Bem sabemos que entre Montgomery e Popov houve outras figuras que merecem menção, mas fica para o capítulo seguinte).

O russo tem uma história muito sui generis e várias vezes reproduzida para que sirva de exemplo a nadadores e treinadores. Foi por insistência do seu pai que aprendeu a nadar (aos 8 anos), uma vez que tinha medo da água. Por ter aprendido a nadar mais tarde do que o recomendável, foi considerado inapto para a natação de alto rendimento por apresentar “deficiências técnicas incorrigíveis”.

Foi então que foi para a Austrália com o seu treinador, Gennadi Tourestski, e dois anos bastaram para chegar aos Jogos de Barcelona’92 e se sagrar campeão olímpico dos 50 e 100 livres. Títulos que voltaria a renovar em Atlanta’96.

Em campeonatos do mundo também logrou obter dois títulos consecutivos dos 100 livres: o primeiro em Roma’94 contra o seu rival de sempre, Gary Hall Jr. e o segundo em Perth’98 contra o seu companheiro de treino que jogava em casa, Michael Klim.

Em 2003 voltou ao “local do crime”, ou seja a Barcelona, a cidade que em 1992 o revelou ao mundo, para voltar a tornar-se campeão do mundo dos 50 e 100 livres, quando (sobretudo aos 100) já não era o principal favorito.

Estabeleceu “apenas” por uma vez o record mundial quer dos 50 e dos 100 livres, ambos em competições secundárias, mas à natação não deixou só o legado das marcas e dos títulos. Popov foi sempre indicado como arquétipo da perfeição técnica em velocidade máxima.

Hoje, Popov continua ligado ao desporto, enquanto membro do Comité Olímpico Internacional.

Foto: Mundo Deportivo

Pieter van den Hoogenband (Holanda)

Quando referimos anteriormente que nos mundiais de Barcelona 2003, Popov já não era o principal favorito a vencer os 100 metros livres, a razão é porque já havia um novo ocupante do trono do czar. Era ele o holandês voador, Pieter van den Hoogenband.

Com efeito, em 2003 Hoogenband era o campeão olímpico em título, conquistado em Sydney 2000 e o recordista mundial em vigor, com os seus 47.84 alcançados na meia final desses mesmos Jogos Olímpicos, o primeiro tempo de sempre abaixo de 48 segundos.

Se há mancha na carreira do holandês é o facto de nunca ter sido campeão do mundo. Uma verdadeira malapata, já que foi 7 vezes medalha de prata.

Em relação a Jogos Olímpicos, a história é outra. Foram três as vezes que Hoogie subiu ao lugar mais alto do pódio, duas das quais nos 100 livres. Para além de ter sido o campeão em Sydney (aí sim, superiorizando-se a Popov), também foi em Atenas, tendo sido o último de quatro nadadores que podem dizer que foram bi-campeões olímpicos da prova.

OS RIVAIS

Nem só pelas figuras icónicas se construiu o mito da prova rainha, mas também – e ainda mais por isso – pelos confrontos épicos que perduraram por vários anos e várias competições. Se os extraordinários nadadores que enunciámos foram preponderantes para dar nome à prova, também os duelos que ficaram gravados na memória de muitos e, acima de tudo, na memória da história devem ser referidos.

Jon Henricks (Austrália) vs John Devitt (Austrália)

Esta é a história de uma rivalidade fraterna. Os australianos Jon Henricks e John Devitt fizeram parte da chamada era dourada da natação australiana (a primeira de muitas).

Antes deles e de vários seus companheiros de equipa, a Austrália não tinha resultados de relevo na modalidade, mas os Jogos do Império Britânico – actualmente sobre a designação de Jogos da Commonwealth – de Vancouver em 1954 viram nascer uma nova potência aquática, que desde então não mais deixou de figurar entre as principais nações da natação.

O que tinham de especial os Jogos do Império Britânico de Vancouver em 1954? É que que dois anos depois a Austrália acolhia pela primeira vez na sua história os Jogos Olímpicos, na cidade de Melbourne, e por isso a aposta foi muito forte naquela que ficou conhecida como a geração de 50.

E por aposta, entenda-se inovação. Foi na década de 50 que foi desenvolvida na Austrália a técnica da viragem de crawl, o que deu aos australianos uma natural vantagem neste estilo.

Em solo Aussie, já os homens da casa estavam apontados como favoritos à vitória nos 100 livres. A questão era mesmo saber entre Jon Henricks, John Devitt e Gary Chapman, qual dos três (nessa altura cada país ainda podia inscrever três nadadores por prova) se sagraria campeão olímpico.

Chapman mostrou logo que estava uns furos abaixo e a final foi mesmo discutida entre Henricks e Devitt que bateram na parede separados por 4 décimos, com a vitória e o record mundial a sorrirem a Henricks.

Devitt não perdeu muito tempo para responder e dois meses depois, nos campeonatos nacionais australianos, foi ele que levou a melhor, roubando o record do mundo a Henricks.

Nos Jogos de Roma, em 1960, John Devitt equilibrou as contas olímpicas e sucedeu ao seu compatriota como vencedor da prova. Escandalosamente, Jon Henricks falhou a final ao ser quarto na sua meia final (nestes Jogos havia 3 meias finais).

John Henricks, John Devitt e Kevin O’Halloran | Foto: Daily Telegraph

Matt Biondi (EUA) vs Tom Jager (EUA)

Esta não era propriamente uma rivalidade dos 100 livres. Os dois americanos tinham os seus territórios perfeitamente definidos: Jager era o dono dos 50 livres e Biondi era o dos 100.

Mas o espírito combativo de ambos obrigavam-nos a invadir mutuamente os redutos alheios. Talvez se assim não fosse, não tinham ambos assumido a dimensão que assumiram. Na rivalidade Biondi-Jager, perder era deixar de tentar.

Diga-se que Biondi acabou por ser mais bem sucedido nos desafios particulares do que Jager.

Em Jogos Olímpicos, Biondi foi campeão dos 100 em Seul’88 e ainda campeão dos 50, relegando Jager para a prata. Foi talvez a maior espinha atravessada na garganta de Jager que acabou por nunca ser campeão olímpico numa prova individual.

Em campeonatos do mundo, Biondi venceu os 100 em 1986 (com Jager na posição de bronze) e 1991. Tom venceu os 50 nessas mesmas edições, relegando Matt para a prata em 91.

No que respeita a recordes do mundo, Biondi nunca deu hipótese nos 100, estabelecendo 4 consecutivos, mas nos 50 a rivalidade esteve ao rubro. No espaço de 5 anos, os dois juntos melhoraram o record por 9 vezes – 6 para Jager e 3 para Biondi.

Para a memória fica a prova que organizaram só para eles. No campeonato americano do sprint, a final era disputada apenas pelos dois melhores das meias finais. Obviamente que a final dos 50 livres foi disputada entre os dois e resultou no último record mundial batido por um dos dois (ambos nadaram abaixo do máximo em vigor).

Não vamos estragar a surpresa. Saiba quem ganhou o confronto final de uma vida inteira:

Alexander Popov (Rússia) vs Gary Hall Jr. (EUA)

Sobre esta dupla podemos já atalhar: Popov nunca deu grandes hipóteses a Gary Hall Jr.!

Mas isso não impediu que esta fosse a maior rivalidade de todos os tempos da natação mundial. Era mais que isso: uma autêntica guerra fria, acicatada também do ponto de vista político.

Para além da distância cultural que os afastava, consequência de um mundo pós-soviético, havia uma diferença de personalidades gritante. Popov era conhecido por ser um homem circunspecto, frio e com uma apetência natural para aterrorizar os adversários na câmara de chamada. Hall era um rockstar, extrovertido e egocêntrico.

O apogeu da rivalidade tomou lugar num campo de combate nada neutro: em Atlanta 1996. Mas para perceber toda a história, nada melhor do que assistir a estes dois vídeos:

O PONTO DE VIRAGEM

Depois deste prólogo para justificar o porquê do apelido da prova dos 100 metros livres, é preciso perceber porque os mundiais de Budapeste podem significar o regresso desta prova ao seu rótulo original. Afinal, só pode regressar a ser o que alguma vez deixou de ser.

Depois das referências que enunciamos, a prova até nem ficou órfã. Houve Alain Bernard, Eamon Sullivan, César Cielo e James Magnussen, que até foram (e são, no caso de Cielo e Magnussen) contemporâneos e proporcionaram grandes despiques na piscina.

O que aconteceu foi uma forte concorrência de outra prova que nos últimos anos superou os 100 livres em termos de mediatismo e competitividade: os 200 metros livres.

Esta prova nos Jogos Olímpicos de Atenas fica para os anais da história como a prova com o melhor line-up de sempre. Na final alinharam Ian Thorpe, Pieter van den Hoogenband, Michael Phelps, Grant Hackett, Klete Keller, Emiliano Brembilla, Simon Burnett e Rick Say. Os primeiros quatro nomes não precisam de apresentação nem para quem nunca tenha visto uma prova de natação.

Para os adeptos foi um luxo, provavelmente irrepetível, assistir a este confronto com esta qualidade de praticantes. Uma prova que foi vista e revista muitas vezes, e como nunca farta, reveja-a outra vez:

Mas a saga dos 200 livres não se ficou por Atenas. Phelps continuou a mantê-la na sua agenda nas grandes competições internacionais e encontrou sempre fortíssimos oponentes que inclusivamente lhe ganharam, como o ainda recordista mundial Paul Biedermann e o compatriota Ryan Lochte.

Mais tarde, vieram-se “juntar à festa” o francês Yannick Agnel (campeão olímpico em Londres) e o chinês Sun Yang (campeão olímpico no Rio), outros dois reputados nadadores que tiveram a sua quota parte no prestígio que a prova granjeia.

Mas chegados a 2017, os 200 livres parecem não apresentar um cartel como nos últimos anos e os 100 livres apresentam um rol de jovens nadadores que muito promete.

OS NOVOS REIS

Foto: Várias fontes

Na foto estão alguns dos potenciais candidatos à vitória dos 100 livres em Budapeste. O prognóstico a esta distância é arriscado, até porque nem estão todos confirmados, mas é seguro afirmar que a prova respira vitalidade, competitividade, imprevisibilidade e entusiasmo.

Fazendo uma breve apresentação dos candidatos:

Kyle Chalmers | Austrália | 18 anos 
Kyle foi o surpreendente campeão olímpico no Rio. Com um percurso muito promissor desde muito novo, Chalmers foi o primeiro de sempre a baixar da barreira dos 50 segundos com apenas 15 anos. O ponto forte do australiano é a segunda metade da sua prova. No Rio passou aos 50 metros apenas em 7º e fez o regresso no tempo de 24.44.

Cameron McEvoy | Austrália | 22 anos
McEvoy cumpriu a recente tradição australiana de chegar aos Jogos Olímpicos com melhor tempo mundial do ano e falhar na “hora H”. McEvoy estabeleceu no ano passado o melhor tempo de sempre sem fatos (e com alguma vantagem), mas na final olímpica ficou pelo 7º posto. Este ano está, para já, com a segunda melhor marca da temporada. Veremos se quebra o enguiço.

Nathan Adrian | EUA | 28 anos
É o campeão olímpico de Londres e medalha de bronze do Rio. É também o mais veterano dos candidatos e quererá aproveitar a oportunidade para fazer melhor do que o bronze de 2013 aos 100 livres e a prata de 2015 aos 50. Ainda não está confirmada a sua presença, uma vez que os trials norte-americanos só se disputam em Julho, mas já deu boas indicações ao marcar a 4ª melhor marca do ano, no circuito Arena que está a decorrer nos EUA.

Duncan Scott | Grã-Bretanha | 19 anos
Os seus 47.90 estabelecidos nos campeonatos britânicos colocam-no como líder mundial do ano. O menino de 19 anos, que parece que tem 14, surpreendeu no ano passado no Rio ao chegar à final, classificando-se no 5º lugar com novo record nacional de 48.01. Este ano já fez melhor tempo e quererá voltar a surpreender. Está bem posicionado para isso…

Caeleb Dressel | EUA | 20 anos
Desta lista, será talvez aquele que tenha mais a provar no plano internacional…mas porque os mundiais não se disputam em piscina de jardas. Aí ele é o melhor de sempre, com os 40.00 obtidos nos campeonatos nacionais universitários dos EUA. Caeleb é, provavelmente, o melhor starter do mundo, fundamento que conta muito numa prova de 100 livres.
O ano passado apurou-se para os JO superiorizando-se a Ryan Held por apenas 3 centésimos e no Rio chegou à final, classificando-se em 6º com o novo record pessoal de 48.02. A expectativa para ver o que faz este ano em piscina longa é grande.

Ning Zetao | China | 24 anos
É o actual campeão do mundo, mas pode não lhe ser permitida a defesa desse título, uma vez que a federação chinesa expulsou-o da selecção por ter celebrado um contrato com a Adidas, concorrente da 361º, patrocinador da federação. Contudo, a pressão do público chinês (sobretudo o feminino) pode ajudar a reverter a situação.
Zetao surpreendeu pela positiva nos mundiais de 2015, em Kazan, ao vencer os 100 livres e surpreendeu pela negativa nos JO do Rio ao nem sequer chegar à final. Fica a dúvida sobre qual das duas versões do chinês vamos ter em Budapeste, ou se vamos chegar a ter alguma.

Há outros nadadores que não estão na imagem, mas devem sempre ser referenciados porque o contexto dá-lhes alguma pequena percentagem de probabilidade de serem campeões do mundo, como é o caso do gigante belga Pieter Timmers (29 anos) que de forma surpreendente chegou à prata no Rio de Janeiro. Santo Condorelli (Canadá, 22 anos) não aparece na linha da frente de favoritos para ganhar a prova, mas se chegar à final, é a aposta mais sólida para passar à frente na viragem. Vladimir Morozov (Rússia, 24 anos) tem tido mais sucesso em piscina curta, mas é um nadador que tem de record pessoal 47.62 em piscina longa, e que por isso não pode ser descartado.

Como se pode perceber, os 100 metros livres masculinos podem bem ser a prova dos campeonatos do mundo 2017 (e dos 4 ou 5 seguintes). Candidatos ao ouro não faltam, já ao record do mundo é mais complicado. Esse está na posse do brasileiro César Cielo, o Cesão, que marcou 46.91 nos memoráveis campeonatos do mundo de Roma, sendo um dos poucos recordes da era dos fatos que ainda perdura.

Os dados estão lançados, faça as suas apostas sobre quem vai ser o novo rei da renovada prova rainha!

*Este artigo é o segundo de uma série de 10 antevisões do mundial de Budapeste:
1º – Adam Peaty, a perfeita imperfeição


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