25 Set, 2017

Em Taipé para o exame final da temporada

João BastosAgosto 18, 201711min0

Em Taipé para o exame final da temporada

João BastosAgosto 18, 201711min0
Ana Catarina Monteiro, Gabriel Lopes e Rita Frischknecht são os representantes da natação portuguesa na 29ª Universíada de Verão

A 29ª Universíada de Verão está prestes a começar. De 19 a 30 de Agosto, Taipé, em Taiwan, acolhe o segundo maior evento multi-desportivo do mundo. Nas 22 modalidades em competição, a natação assume lugar de destaque como uma das mais concorridas disciplinas e, também, das mais apreciadas pelo público em geral.


Entre os cerca de 900 atletas inscritos na natação pura, estarão três portugueses em representação das suas Instituições de Ensino Superior, dos seus clubes e, claro, do nosso país.

O suspeito do costume

A história de Portugal na natação em Universíadas está correlacionada com o melhor nadador português de todos os tempos. Alexandre Yokochi já fez tocar “A Portuguesa” no palco das Universíadas. Foi na edição de Zagreb, em 1987, na sua prova preferida, os 200 metros bruços.

Yokochi nadou para o ouro no tempo de 2:18.24, superiorizando-se por mais de 3 segundos ao 2º classificado, o americano Todd Torres. O português já tinha sido prata dois anos antes em Kobe, no Japão, quando nadou em 2:18.92 e ficou a escassos 9 centésimos do ouro, conquistado por outro americano: John Moffet, numa edição onde se destacaram nomes como Matt Biondi, Michael Gross, Ricardo Prado ou Mary T. Meagher.

Alexandre Yokochi não quebrou barreiras apenas para a natação. O nadador foi o primeiro português de sempre a conquistar um ouro na prova universitária. Apenas 12 anos depois Portugal voltou a subir ao lugar mais alto do pódio numa Universíada.

O nosso brucista foi o único nadador a subir ao pódio e, desde aí, destaca-se o 4º lugar de Fernando Costa aos 1500 metros livres em Banguecoque 2017 quando estabeleceu um novo record nacional da prova com o tempo de 15:16.22.

Foto: Serbenfiquista.com

Os favoritos

O nível do torneio de natação numa Universíada depende muito da estratégia de abordagem das tradicionais potências da natação em determinada edição. A tabela de recordes é sintomática disso mesmo. A edição de 2009 e a de 2013 destacam-se como aquelas que tiveram um nível competitivo mais elevado, uma vez que se realizaram antes dos mundiais desses anos e muitos nadadores de primeira linha mundial foram testar o seu momento de forma.

Acrescendo a isso, a edição de 2013 realizou-se em Kazan e os russos não fizeram poupanças: Efimova, Morozov, Izotov ou Zueva foram alguns dos russos que inscreveram os seus nomes na tabela de recordes, nessa edição.

Na edição deste ano, não se adivinham que muitos recordes venham a ser batidos. Em primeiro lugar pela fase da temporada em que se realiza esta Universíada e depois por muitas potências levarem equipas de segunda linha.

A começar pelos Estados Unidos da América que convocou 44 nadadores, maioritariamente os 3ºs e 4ºs classificados nos trials americanos para os Mundiais de Budapeste. Nessa equipa estão dois mundialistas: Justin Ress e Hannah Stevens, isto porque os nadadores que estiveram em Budapeste a nadar provas não olímpicas ou apenas a participar em estafetas eram convocáveis para as Universíadas. De um lote de 6 seleccionáveis ficaram os dois costistas.

Atenção à equipa do Japão que vem com o bi-campeão do mundo dos 400 metros estilos, Daiya Seto e com o campeão olímpico da mesma prova, Kosuke Hagino.

O Brasil também apresentará uma equipa bastante forte. Gabriel Silva Santos é o 7º mais rápido do ano nos 100 livres e com ele também vai a Taiwan Henrique Martins, o nadador que na última Universíada ganhou dois ouros e uma prata, e ainda as mariposistas Daiene Dias e Daynara de Paula e o velocista Ítalo Duarte, entre outros.

Foto: Satiro Sodré

Os húngaros não têm uma equipa nada má, sobressaindo os nomes do mariposista Bence Biczo, que com Kenderesi, Cseh e Milak cada vez tem menos oportunidades na “equipa principal” da Hungria, Gergely Gyurta, que vem rectificar os mundiais desastrados que teve, o costista Gabor Balog e a polivalente Evelyn Verraszto (outros dois nadadores que ficaram muito aquém das suas possibilidades no mundial caseiro).

Das restantes selecções que anunciaram as suas equipas, Grã-Bretanha, Austrália e França apresentam equipas com nadadores muito jovens, mas que não vão desperdiçar a oportunidade para dar nas vistas e saltar para o patamar seguinte em termos de estatuto internacional.

A Rússia é uma nação que tradicionalmente apresenta uma equipa bastante competitiva mas ainda não divulgou a sua constituição.

O trio académico

Portugal será representado por três nadadores: Ana Catarina Monteiro, Gabriel Lopes e Rita Frischknecht. Traçamos o perfil dos três estudantes universitários portugueses que competirão na Taiwan Sport University Arena, o nome da piscina onde decorrerá o torneio de natação das Universíadas.

Ana Catarina Monteiro

Foto: FADU

A nadadora do Clube Fluvial Vilacondense competirá em representação da Universidade do Porto. Ana Catarina Monteiro teve uma época bastante atípica. Depois da presença, no ano passado, nos Europeus de Londres, onde alcançou as meias-finais dos 200 metros mariposa, a nadadora de Vila do Conde esteve muito perto de se qualificar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, chegando a estar pré-convocada.

No início desta época, a mariposista submeteu-se a uma operação cirúrgica para debelar os problemas que vinha tendo no ombro, estando até Fevereiro sem competir. Em Março participou nos Campeonatos de Absolutos, em Coimbra e já apresentou resultados bastante interessantes com a vitória nos 100 mariposa em 1:02.02 e o segundo lugar nos 200 mariposa com 2:14.62. As marcas ainda estavam algo longe dos seus recordes pessoais, mas ainda assim muito boas para quem vinha de uma longa recuperação e ainda à procura do melhor ritmo competitivo.

Os grandes resultados do ano (até agora) vieram no Open Portugal em Julho passado. Como aqui destacamos, as marcas obtidas pela nadadora de 24 anos até a ela deverão ter surpreendido pela positiva. Os 2:11.91 aos 200 mariposa, feitos no Jamor, ficam a apenas 8 centésimos do que fez na meia-final de Londres. O seu record pessoal é de 2:10.51, feitos no Open de Espanha, em Março de 2015, a única vez que nadou em 2:10.

Parte para Taiwan com a final no objectivo e, tendo a edição de Gwangju 2015 como referência, esse objectivo está perfeitamente ao seu alcance, já que a mesma fechou em 2:12.53.

2:11.79 é o tempo de apuramento para o Campeonato da Europa do próximo ano em Glasgow, podendo já assegurar a sua presença.

Gabriel Lopes

Foto: FADU

Estudante de fisioterapia no Instituto Politécnico de Coimbra, o nadador da Associação Louzan Natação representará em Taipé a Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra.

Dos três portugueses que estarão em Taiwan, Gabriel é o único que participou nos Mundiais de Budapeste. De resto, o último mês do nadador da Lousã tem sido passado em viagem. Na última quinzena de Julho esteve em Budapeste para os campeonatos do mundo, seguiu para Moscovo para participar na etapa russa da Taça do Mundo de Piscina Curta e participa agora nas Universíadas.

As várias viagens podem fazer mossa, mas o que é facto é que as indicações que Gabriel deu nessas provas foram positivas, tendo em conta o que pode fazer agora em Taipé.

Nos Mundiais começou com uma prestação menos conseguida, logo no primeiro dia, nos 100 metros costas, a meio da competição nadou os 200 metros costas ficando muito próximo do seu melhor e na última prova que nadou (50 metros costas) já estabeleceu um novo record pessoal.

Em Moscovo nadou 4 provas e estabeleceu 3 recordes pessoais. No cômputo geral das duas competições, Gabriel mostrou que está em crescendo de forma para este evento que o nadador marcou como o principal objectivo da época.

E apesar de ter participado no Campeonato do Mundo, faz sentido que as Universíadas sejam a sua principal prova da temporada. Afinal, é nesta competição que tem hipótese de nadar a sua melhor prova (200 metros estilos), podendo ter aspirações em termos de classificação geral.

Tomando por base os tempos feitos há dois anos, a final fechou em 2:01.33, acima da melhor marca de Gabriel que está em 2:00.76. Também a final dos 100 costas pode ser alcançável, já que em 2015 fechou em 55.45 e Gabriel fez 55.01 já este ano, quando bateu o record nacional absoluto, em Coimbra.

Rita Frischknecht

Foto: FADU

A estudante de medicina e nadadora do Sport Algés e Dafundo vai representar a Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa.

A nadadora de 18 anos teve uma época muito regular, sendo difícil eleger a competição onde tivesse estado a um nível mais elevado. Destaque óbvio para o seu primeiro record nacional individual absoluto na prova de 200 metros costas, em piscina curta, no torneio do seu clube há exactamente 2 meses. Com o tempo de 2:10.55, foi a primeira portuguesa a nadar abaixo de 2’11 em piscina curta.

Em piscina longa, o seu melhor tempo está a 26 centésimos de segundo do record nacional de 2:15.27 da sua colega de equipa, Francisca Azevedo. Apesar de só ter nadado em 2’15 por uma ocasião (já há dois anos), este ano já estabeleceu as suas 2ª, 3ª, 4ª e 5ª melhores marcas nos 200 costas, evidenciando a consistência que já referimos.

A regularidade da época de Rita coloca agora duas questões idiossincráticas na antevisão desta competição:

  • Estará o melhor (ou seja, o seu record pessoal) guardado para o fim? ou
  • Acusará o desgaste de uma época onde, em termos médios, realizou os seus melhores tempos?

Naturalmente, todos cremos e desejamos que seja a primeira premissa a ser cumprida e há factores que indicam nesse sentido, nomeadamente o facto de ser a sua primeira prova internacional da época, para onde a algesina estará a apostar todas as suas fichas.

Há dois anos, a meia final dos 200 costas fechou em 2:16.25, o que, a repetir-se este ano, estará dentro das suas possibilidades, e a final fechou em 2:13.13. Para a atingir, Rita teria de tirar 2.4 segundos ao seu record pessoal, o que será – obviamente – muito difícil. O apuramento para o Campeonato da Europa também não é muito mais fácil que essa marca e está fixado em 2:13.29.

Universíadas é no Fair Play e na Eurosport

A Eurosport fará a cobertura das jornadas de finais do torneio de natação das Universíadas com os comentários do editor de natação do Fair Play, João Bastos.

Não perca um centésimo de segundo da maior competição multi-desportos do ano, já a partir de domingo. Tome nota dos horários:

  • 20/08/2017 às 20.20 na Eurosport 2;
  • 21/08/2017 às 19:05 na Eurosport 1;
  • 22/08/2017 às 12:00 na Eurosport 1;
  • 23/08/2017 às 12:00 na Eurosport 2;
  • 24/08/2017 às 12:00 na Eurosport 1;
  • 25/08/2017 às 12:00 na Eurosport 2;
  • 26/08/2017 às 12:00 na Eurosport2.

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