21 Fev, 2018

Três ouros para o melhor starter do mundo

João BastosJulho 29, 20177min0

Três ouros para o melhor starter do mundo

João BastosJulho 29, 20177min0

O penúltimo dia de finais em Budapeste conheceu 6 novos campeões do mundo, com a Austrália a respirar de alívio e Sarah Sjöström a restaurar a normalidade

Caminhando a passos largos para a conclusão destes campeonatos do mundo já é possível tirar conclusões sobre os melhores e os piores dos mundiais. Mas antes tiramos as conclusões sobre as provas do dia:

Sjöström volta a ser Sjöström

Depois de não concretizar a sua superioridade nos 100 metros livres, que evidenciou durante a época toda, excepto ontem, começaram a surgir algumas dúvidas sobre a capacidade de Sarah Sjöström poder claudicar também nos “seus” 50 metros mariposa, até porque não impressionou nas “meias”.

Dúvidas absolutamente infundadas, até porque nos 100 livres, ela passou destacada aos 50 metros, por isso, a sua velocidade de ponta está no ponto, passando a redundância.

Nos 50 metros mariposa, nadou como sempre. Sem respirar uma única vez, com uma boa partida e uma melhor chegada. Deu 24.60, a sua segunda melhor marca de sempre, segundo título mundial consecutivo na prova, record dos campeonatos e 11ª vez que baixa dos 25 segundos, coisa que mais nenhuma mulher no mundo pode dizer que tenha feito uma única vez.

Ranomi Kromowidjojo foi vice-campeã mundial à boleia da sua excelente partida e a surpreendente Farida Osman conseguiu a primeira medalha de sempre para o Egipto, com o seu bronze.

Foto: Budapest2017

Dressel, o fenómeno das partidas

Se Kromowidjojo é a melhor partidora do sector feminino, a par de Ruta Meilutyte, no sector masculino não há dúvidas que é Caeleb Dressel. O seu conjunto de reacção à partida + percurso subaquático dão-lhe vantagem em relação a qualquer nadador do mundo.

A isso juntou uma ponta final incrível, onde nos 15 metros finais consegue sempre aumentar o ritmo, mesmo que seja numa prova de velocidade pura, como nos 50 metros livres. Foi assim que se tornou campeão do mundo na prova, com um excelente tempo de 21.15, o melhor da era pós-fatos.

Para o Brasil sai mais uma prata, a de Bruno Fratus que nadou em 21.27 e para Ben Proud, o líder mundial do ano até estes campeonatos, coube o bronze.

Foto: Staugustin

E Dressel outra vez

Se nos 50 livres tinha impressionado, nos 100 mariposa ainda fez melhor. A estratégia foi a mesma, ou seja, uma excelente partida (não fez tanta diferença como em outras provas), grande viragem (aqui sim, foi das melhores que o vimos fazer) e nos últimos 10 metros colocar a cabeça dentro de água e não respirar mais até à parede.

Nesse momento, parece que Dressel ganha mais uma velocidade e invariavelmente aumenta o fosso para a concorrência.

Infelizmente, para ele, a chegada não foi perfeita e ainda assim ficou a apenas 4 centésimos do record do mundo de Michael Phelps. Ficou “apenas” com o rótulo de primeiro nadador a baixar dos 50 segundos sem fatos.

Entre tantos fortes candidatos em prova, foi o júnior Kristof Milak a ficar com a prata no tempo de 50.62, novo record do mundo de juniores. Lamentavelmente não o pudemos ver nos 200 mariposa onde ele ainda é melhor.

O campeão olímpico Joseph Schooling teve de partilhar o bronze com o britânico James Guy.

Foto: Budapest2017

A honra do convento a Seebohm pertence

A Austrália esteve perto de repetir Guayaquil’82, os únicos mundiais onde os australianos não conseguiram um único ouro e esta campanha miserável para lá caminhava.

Eis que surge a improvável Emily Seebohm. Improvável porque, apesar de ser a campeã mundial em título nos 200 metros costas, no ano passado não conseguiu chegar à final nos Jogos Olímpicos, mas parece que foi um percalço.

Em Budapeste teve imperial na prova, nadando sempre confortável durante 150 metros, com uma técnica bastante deslizante, atacando no final, ultrapassando Caldwell, Baker e Hosszu.

O tempo final foi record da Oceania com 2:05.68. Katinka Hosszu teve um dejà vu dos Jogos Olímpicos nestes Mundiais. Esteve com o título na mão, quando liderava a prova na última piscina, mas foi ultrapassada na última braçada pela australiana. 2:05.85 foi o tempo da húngara, melhor do que fez no ano passado.

Kathleen Baker foi bronze, com 2:06.48.

Foto: Budapest2017

Mestrado em gestão dos 800 livres, por Katie Ledeckie

As provas longas femininas têm sempre pouca história…ou melhor, têm sempre a mesma história. Mas desta vez, nos 800 metros livres, houve um factor novo em relação às últimas vezes que vimos a prova ser nadada.

É que ladeando Ledecky estavam duas nadadoras que vinham com a mesma estratégia. Leah Smith e Li Bingjie iam tentar seguir “na cola” de Ledecky até onde pudessem, esperando que quando não fosse mais possível seguir com a americana, a classificação estivesse definida.

Percebendo isto, Ledecky esticou o ritmo na fase inicial da prova, passando abaixo do parcial do seu record do mundo aos 200 metros e, a partir daí, passou a nadar sozinha e a seu belo prazer.

O tempo final foi de 8:12.68, já bastante distante do máximo mundial de 8:04.79. A chinesa fez uma grande prova e aos 15 anos é vice-campeã mundial com novo record asiático de 8:15.46, relegando Smith para a posição de bronze com 8:17.22.

EUA esmagam o record do mundo

Nos 4×100 metros livres mistos, os tempos ainda estão em rápida evolução, uma vez que esta prova não se nada há muito tempo em grandes certames internacionais. Por isso, vê-se com frequência a queda de recordes do mundo. O que dá a sensação é que desta vez os EUA queimaram etapas e já meteram a marca num patamar bastante inacessível. Com Dressel (47.22), Adrian (47.49), Comerford (52.71) e Manuel (52.18), o novo record do mundo é de 3:19.60.

A Holanda – com as duas mulheres a serem bem melhores que os dois homens – foi 2ª classificada, com o record da Europa de 3:21.51 e o Canadá – mesmo sem Santo Condorelli e Taylor Ruck – foi terceiro com 3:23.55.

Quando (e se) a Austrália levar esta prova a sério, poderemos assistir a um confronto desta equipa dos EUA contra uma equipa australiana com McEvoy, Chalmers e as irmãs Campbell…aí será uma das provas mais aguardadas dos campeonatos.

Record do mundo para Sarah Sjöström

O grande destaque das meias finais vai inteiramente para a prova dos 50 metros livres e para o record mundial de Sarah Sjöström com 23.67, apagando o nome de Britta Steffen que em 2009 tinha feito 23.73. Página definitivamente virada da sueca em relação à jornada de ontem.

Os 50 metros bruços vão ser palco de mais uma disputa Efimova-King com o record do mundo a poder ser o troféu de caça para vencedora. Na pista 4 sairá Lilly King que hoje nadou em 29.60, novo record das Américas.

Nos 50 metros costas foi o veterano Camille Lacourt que conseguiu o melhor tempo com a marca de 24.40. O francês prepara-se para ter um grand finalle de carreira amanhã.

Saiba como foi o dia dos portugueses aqui.


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