24 Fev, 2018

[Aqua Moments] Alfred Hajos

João BastosSetembro 3, 20173min2

[Aqua Moments] Alfred Hajos

João BastosSetembro 3, 20173min2
O primeiro Aqua Moment do Fair Play é com o primeiro campeão olímpico da natação, o húngaro Alfréd Hajós, duplamente medalhado de ouro em Atenas 1896

O Fair Play inicia hoje uma série de artigos que recordarão momentos históricos (uns mais do que outros) da natação. O Aqua Moments olhará para o retrovisor e reviverá marcos incontornáveis da história da modalidade


Para o primeiro “episódio” da série ecolhemos começar pelo início e relembrar o primeiro momento de notoriedade da natação, no plano internacional: Os Jogos Olímpicos de Atenas de 1896.

No final do século XIX, o barão Pierre de Cobertain decidiu ressuscitar uma tradição da Grécia antiga e, no seu berço, organizou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna. Nessa primeira edição, fizeram parte do calendário 10 modalidades, entre as quais a natação.

Os moldes em que se disputou o torneio olímpico de natação em 1896 foram muito diferentes daqueles em que hoje se disputam. Em compita estiveram apenas 4 provas, nadadas no mesmo estilo – livres – e disputaram-se todas no mesma dia (11 de Abril de 1896).

Na verdade, o figurino do torneio assemelhava-se mais ao modelo actual das águas abertas, uma vez que as provas se disputaram na Baía de Zea, em pleno Mar Mediterrâneo. Do programa de provas constavam os 100 livres livres (uma prova para civis e outra prova para marinheiros), os 500 metros livres e os 1200 metros livres.

Os nadadores eram levados de barco (ou iam a nado, no caso dos 100 livres) até se afastarem da costa na exacta distância da prova. Obviamente (tendo em conta que estávamos no século XIX) apenas era permitida a participação de homens…e poucos. Na primeira edição dos Jogos Olímpicos apenas 19 nadadores, em representação de 4 países (a Grécia teve 15 representantes) participaram no torneio.

A primeira prova em disputa eram os 100 metros livres (para civis) que puseram frente-a-frente 10 nadadores que, para além de se terem de superar uns aos outros para conquistar o primeiro ouro olímpico na natação, tinham de superar a temperatura da água, que nesse 11 de Abril estava a 13ºC!

Ao fim de 1 minuto, 22 segundos e 2 décimos, emergiu das águas do Mediterrâneo o primeiro campeão olímpico da natação. Era húngaro, arquitecto e respondia pelo nome de Alfréd Hajós, um nadador que, ainda nesse dia, viria a ganhar a prova de 1200 metros.

Foto: Alchetron

O percurso de Hajós cruzou-se com a natação de uma forma traumática. Depois de ver o seu pai morrer afogado, quando tinha apenas 13 anos, Hajós – que por essa altura ainda se chamava Alfréd Guttman – decidiu tornar-se no melhor nadador do mundo. Antes disso mudou o seu apelido para Hajós, que significa “navegador”.

Alfréd Hajós é, naturalmente, uma inspiração para o desporto húngaro e, particularmente, na natação, um dos desportos mais populares num país que formou talentos de uma dimensão internacional muito superior à da própria nação.

O legado de Hajós continua bem vivo no país dos magiares, prova disso foi a inauguração, em 2006, do Alfréd Hajós National Swimming Complex, um centro aquático que acolheu os campeonatos da Europa de natação em 2006 e em 2010.

Uma grande obra, não só do ponto de vista desportivo, mas também do ponto de vista arquitectónico e paisagista, numa homenagem harmoniosa, ao mesmo tempo, ao grande nadador e ao grande arquitecto que foi Alfréd Hajós.

Complexo Olímpico Alfréd Hajós | Foto: Erasmusu.com


2 comments

  • Francisco

    Setembro 4, 2017 at 8:04 pm

    Parabéns pela iniciativa, Parabéns pela escolha, Parabéns pelo Texto.
    Venha o segundo.

    Reply

    • João Bastos

      Setembro 9, 2017 at 6:12 pm

      Muito obrigado, Francisco.
      Será sempre à segunda-feira!
      Um abraço

      Reply

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