22 Out, 2017

Jogos Olímpicos – Natação: Estafetas

João BastosJulho 31, 20168min2

Jogos Olímpicos – Natação: Estafetas

João BastosJulho 31, 20168min2

Na natação, as provas de estafetas revestem-se de interesse adicional para quem as nada e para quem as assiste porque são mais que a soma das partes. O trabalho de equipa praticado numa modalidade eminentemente individual leva os nadadores a transcenderem-se.

Analisemos as seis provas de estafetas que se disputarão no Rio de Janeiro:

4×100 metros livres masculinos: Esta tem sido uma prova com História. Nas últimas edições assistimos à vitória dos franceses sobre os americanos, em 2012, sustentados num excelente último percurso de Yannick Agnel. Quatro anos antes tinham sido os americanos a levar a melhor sobre os franceses com Jason Lezak a ultrapassar o então recordista mundial Alain Bernard. Em 2004 foram os surpreendentes sul-africanos a dominar de ponta a ponta e em 2000 uma super-equipa da Austrália a superiorizar aos EUA com ambas as equipas a nadar abaixo do récord do mundo

Em 2016 os protagonistas deverão ser repetidos: França tem uma equipa bem capaz de voltar a revalidar o título, como foi mostrado ao saírem vencedores nos Mundiais do ano passado. A equipa da final deverá ser composta por Jeremy Stravius, Clement Mignon, Florent Manaudou e Fabien Gilot. Os EUA parecem ter uma equipa mais em aberto com a certeza que Nathan Adrien fará parte dela. Os restantes três deverão ser Caeleb Dressel, Ryan Held e Jimmy Feigen. O terceiro favorito será a Austrália liderada por Cameron McEvoy e James Magnussen (o vice-campeão olímpico que não conseguiu o apuramento para a prova individual). Kyle Chalmers, de 18 anos e James Roberts completarão a equipa. Brasil, Canadá, Itália e China também terão possibilidades legítimas de alcançar o pódio.

Aposta FairPlay: Austrália

4×100 metros livres femininosDesde 2004 que só três países sobem ao pódio desta prova, alternando entre si os lugares que ocupam. Em Atenas 2004 as australianas superiorizaram-se às americanas com as holandesas no terceiro posto. Em 2008 foi a vez das holandesas baterem as americanas com a Austrália no 3º posto e em 2012 a Austrália venceu, com as holandesas a ficarem com a prata os EUA com o bronze.

Em 2016 é provável que as medalhas se voltem a repartir pelas mesmas três nações. A Austrália que tem nas manas Cate e Bronte Campbell os seus principais trunfos, bem secundadas por Emma McKeon e Brittany Elmslie. A Holanda já este ano foi campeã da Europa com bastante autoridade. A equipa deverá ser composta por Ranomi Kromowidjojo, Femke Heemskerk, Inge Dekker e Maude van der Meer. Os EUA vão tentar o título que tem escapado com Simone Manuel, Abbey Weitzeil, Amanda Weir e Lia Neal. A Suécia, o Canadá e a China têm boas possibilidades de baralhar as contas (especialmente a Suécia).

Aposta FairPlay: Austrália

4×200 metros livres masculinos: Contrariamente aos 4×100, esta prova tem tido um claro dominador. Desde os jogos de Sydney que os EUA não perdem esta prova. Já lá vão 16 anos e 3 edições dos JO, porém em todas elas contou com Michael Phelps e Ryan Lochte, o que não acontecerá desta vez. A Austrália, depois da mítica equipa de Sydney, tem perdido terreno nesta prova, tendência que parece apostada em inverter nesta edição.

Chegados ao Rio de Janeiro, os EUA continuam a partir como favoritos. Conor Dwyer e Townley Haas estão garantidos, Jack Conger também deve assegurar lugar. Ryan Lochte foi o quarto classificado nos trials mas até pode ceder o lugar a Gunnar Bentz. A Austrália tem aqui uma excelente oportunidade para resgatar o título porque volta a ter uma excelente equipa. Thomas Fraser-Holmes e David McKeon fazem a prova individual, mas Cameron McEvoy tem o melhor tempo, apenas não quis fazer a prova individual para se concentrar nos 50 e 100 metros livres. O quarto elemento deverá ser Daniel Smith. A Grã-Bretanha deverá chegar ao bronze, ou talvez algo melhor: James Guy, Cameron Kurle, Robbie Renwick e Scott Duncan compõem um excelente quarteto. França, Japão, Holanda e Bélgica são equipas a seguir. 

Aposta FairPlay: EUA

4×200 metros livres femininos: As senhoras não ficam atrás dos homens e o registo das americanas é igualmente impressionante. Desde Barcelona’92 que só perderam esta prova numa edição. Em 2008, quando ficaram em terceiro.

Equipa campeã olímpica em Londres 2012 - Allison Schmitt, Dana Vollmer, Shannon Vreeland e Missy Franklin
Equipa campeã olímpica em Londres 2012 – Allison Schmitt, Dana Vollmer, Shannon Vreeland e Missy Franklin

Em 2016 seria surpreendente se a sequência se voltasse a quebrar. Aliás, com a qualidade da equipa americana podemos esperar um récord mundial. Katie Ledecky, Missy Franklin, Allison Schmitt e Leah Smith são nadadoras individualmente muito fortes nesta prova. China e Austrália deverão digladiar-se pela prata. As australianas deverão apresentar um quarteto composto por Emma McKeon, Bronte Barratt, Madeline Groves e Leah Neale. As chinesas deverão alinhar com Shen Duo, Ai Yanhan, Dong Jie e Wang Shijia. Itália, Suécia e França têm boas perspectivas.

Aposta FairPlay: EUA

4×100 metros estilos masculinos: Se os 4×200 livres têm tido domínio americano, o que dizer dos 4×100 estilos masculinos? Esta prova existe no calendário olímpico desde 1960 e os americanos só não ganharam uma vez: em 1980…quando boicotaram os jogos na URSS. Mais! Das 13 vitórias, apenas em ’92 e em 2012 não estabeleceram novo máximo mundial!

Os campeões de 2012: Matt Grevers, Brendan Hansen, Michael Phelps e Nathan Adrien
Os campeões de 2012: Matt Grevers, Brendan Hansen, Michael Phelps e Nathan Adrien | Fonte: Zimbio

Considerando o epílogo, só podemos começar por destacar a equipa dos EUA que deverá alinhar com David Plummer (a nossa aposta para os 100 metros costas), Kevin Cordes (que prevemos que chegue ao pódio dos 100 metros bruços), Michael Phelps (a nossa aposta para os 100 mariposa) e Nathan Adrien (a nossa aposta para a prata nos 100 livres). Como se pode constatar, os americanos apresentam mais uma equipa fortíssima que pode bem chegar ao récord do mundo, nesta que será em definitivo a última prova da carreira de Phelps. A Austrália pode dar luta com Mitch Larkin, Jake Packard, David Morgan e Cameron McEvoy, mas os percursos de bruços e mariposa devem comprometer. A Grã-Bretanha também apresentará uma equipa bastante equilibrada com o recordista mundial Adam Peaty no percurso de bruços. Chris Walker-Hebborn (costas), James Guy (mariposa) e Ben Proud (crawl) deverão completar a estafeta. A China e o Japão também têm de ser consideradas.

Aposta FairPlay: EUA

4×100 metros estilos femininos: No sector feminino têm havido maior imprevisibilidade com os EUA e a Austrália a propalarem uma rivalidade de anos. De facto as últimas duas campeãs desta estafeta foram as americanas em 2012 e a Austrália em 2008, mas a China é a campeã do mundo em título, alcançado o ano passado.

Final em Atenas 2004 – Uma das mais renhidas entre AUS e EUA

Com efeito, nestes JO prevê-se um duelo extremamente interessante entre americanas (mais fortes nos percursos de bruços e mariposa) e australianas (mais fortes a costas e crawl). Os EUA deverão alinhar com Olivia Smoliga (costas), Lily King (bruços), Kelsi Worrell (mariposa) e Abbey Weitzeil (crawl). A Austrália deverá alinhar com Emily Seebohm (costas), Georgia Bohl (bruços), Emma McKeon (mariposa) e Cate Campbell (crawl). A Dinamarca pela homogeneidade da sua equipa pode provocar uma meia surpresa e sagrar-se campeã olímpica, com Mie Nielsen, Rikke Moeller-Pedersen, Jeanette Ottesen e Pernille Blume. China, Suécia e Canadá poderão intrometer-se na luta.

Aposta FairPlay: Austrália

Conheça também as previsões FairPlay nas provas femininas e masculinas.


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