23 Nov, 2017

11 histórias dos nacionais de juvenis, juniores e absolutos

João BastosAbril 3, 201713min0

11 histórias dos nacionais de juvenis, juniores e absolutos

João BastosAbril 3, 201713min0

Coimbra acolheu os campeonatos nacionais de juvenis, juniores e absolutos entre os dias 30 de Março e 2 de Abril. Uns campeonatos marcantes que mais do que um balanço, merecem o destaque das 11 histórias que ficam na História destes campeonatos.

Coimbra já nos habituou a produzir grandes resultados. Não é por acaso que 11 (agora 16) dos 44 recordes nacionais em piscina longa foram batidos em Coimbra.

Nesta edição dos Campeonatos nacionais de juvenis, juniores e absolutos foram 7 novos recordes nacionais absolutos, 14 de categoria e 4 da natação adaptada.

Para além das marcas, a cidade do Mondego apurou 6 nadadores para os mundiais de Budapeste, 9 nadadores para os europeus de juniores e uma nadadora para os mundiais de juniores.

Fique com os 11 principais destaques do Fair Play:

1. A prova rainha

Que não se tenham dúvidas: os 200 metros estilos masculinos em Coimbra foram a maior promoção feita à natação portuguesa em território nacional. O despique entre Alexis Santos, Diogo Carvalho e Gabriel Lopes valeu mais do que qualquer primeira página de um jornal desportivo ou do que qualquer abertura de um telejornal.

Deverá ser uma prova para mais tarde recordar, uma prova que os treinadores devem mostrar aos seus jovens nadadores para os motivar a que um dia sejam eles a estarem envolvidos numa disputa como aquela, protagonizada por três nadadores de nível mundial.

Logicamente que o destaque dentro do destaque tem de ir para o excelente record nacional de Alexis Santos de 1:58.88, primeiro português a baixar do 1:59 e actualmente segundo melhor tempo do mundo em 2017.

Quem quiser relativizar a marca, pode dizer que ainda vamos em Abril, mas um tempo de 881 pontos ficará sempre bem rankeado no final do ano, mas atenção porque o nadador do Sporting promete não ficar por aqui em 2017…

Esta prova veio reforçar a nossa tese, defendida aqui:

Portugal, um país com estilo(s)

2. As novas residentes do templo de Diana

12 longos anos durou o record nacional dos 200 bruços femininos de 2:29.51 que valeu ouro a Diana Gomes nos Europeus de Juniores de Budapeste.

Desde 2005, para além de Diana Gomes, só Victoria Kaminskaya tinha nadado abaixo dos 2 minutos e 30 segundos, mas já este ano na Flandres Speedo Cup.

A olímpica portuguesa vinha aos nacionais com o record no ponto de mira, mas primeiro tinha de se preocupar em vencer a nadadora júnior mais promissora da actualidade: Raquel Pereira.

E a prova não desiludiu em nada. Victoria entrou muito forte, com Raquel a forçar nos metros finais. Um confronto épico disputado a cada braçada que resultou em que ambas acabassem a nadar abaixo do record de Diana Gomes.

Victoria levou a melhor e detém agora a melhor marca nacional com 2:28.92. Raquel marcou 2:29.23 e estabeleceu assim a segunda melhor marca portuguesa de sempre e record nacional de juniores-17 anos, que ironicamente pertencia a…Victoria Kaminskaya.

Não haverá maior honra para as duas do que superar uma das nadadoras portuguesas mais tituladas a nível internacional de sempre, mas também não haverá maior honra para Diana Gomes ver o seu record superado na sequência de tão fervorosa disputa entre uma das maiores referências nacionais (Victoria) e uma das maiores promessas nacionais (Raquel).

Foram precisos 12 anos, mas com competidoras deste nível, a partir de agora vamos vê-lo baixar muitas vezes, certamente.

Foto: Luís Filipe Nunes

3. #RoadTo14

Outro record nacional que já durava há muito tempo (era o record nacional absoluto há mais tempo em vigor) era o de Fernando Costa aos 1500 metros.

A 14 de Agosto de 2007, por ocasião dos Mundiais Universitários em Banguecoque, o nadador do Leixões nadou em 15:16.22 e a 30 de Março de 2017, o nadador do Sporting, Guilherme Pina, nada a distância em 15:15.12, novo record nacional sénior (no seu primeiro ano no escalão) e absoluto, e mínimo para os campeonatos do mundo de piscina longa.

Importa referir que nos últimos 40 anos este record só teve 3 donos, todos eles autênticos cometas que surgiram no fundo português: José Baltar Leite melhorou o record 7 vezes entre 1977 e 1980. Demorou 7 anos até que aparecesse Artur Costa, primeiro português a baixar dos 16 minutos e que entre 1987 e 1991 estabeleceu 6 novos máximos. O hiato demorou 12 anos, até aparecer Fernando Costa que baixou o melhor tempo dos 1500 metros 4 vezes entre 2003 e 2007.

Coimbra assistiu ao surgimento de um novo cometa das provas de fundo: Guilherme Pina, um nadador que tem tudo a seu favor para se tornar no Salnikov português, ou seja, tornar-se no primeiro homem a baixar dos 15 minutos aos 1500 metros livres!

Foto: Luís Filipe Nunes

4. Um record por todos e todos por um record

À margem dos campeonatos, no final da segunda jornada de finais, o Sporting Clube de Portugal propôs-se nadar uma estafeta de 4×200 metros livres com o objectivo de bater o record nacional da distância.

Simultaneamente, Alexis Santos iria abrir a estafeta, uma vez que os 200 metros livres é mais uma distância onde ele é um excelente executante, mas são tantas as provas em que ele é bom, que nos programas de provas de campeonatos nacionais nunca tem oportunidade de nadar esta prova.

Com Alexis em acção, a probabilidade de um record nacional cair aumenta sempre. Com ele, constituía a equipa Igor Mogne, Guilherme Dias e Pedro Pinotes que tinham por objectivo superar o tempo que já pertencia a uma equipa do Sporting, de 7:31.41.

Um das grandes motivações veio logo no primeiro percurso, com Alexis Santos a estabelecer record nacional dos 200 metros livres com o tempo de 1:48.39, batendo por larga margem o tempo de 1:48.98 de Luís Vaz que figurava na lista de recordes.

A segunda grande motivação, e principal momento desta “história do campeonato”, foi o apoio que veio das bancadas. Apesar do programa oficial de provas daquele dia já ter terminado, ninguém arredou pé do Complexo Olímpico de Coimbra e a uma só voz, o público empurrou a equipa do Sporting para o record que viria a estabelecer no tempo de 7:27.46.

Uma demonstração de Fair Play como esta não poderia, obviamente, passar-nos em claro. Uma manifestação inequívoca que na natação não há cores ou rivalidades, e que engrandece enormemente esta modalidade e quem a pratica!

Foto: Luís Filipe Nunes

5. A melhor velocista portuguesa

É difícil escolher a MVP dos campeonatos, no sector feminino. Se nos juvenis Alexandra Frazão e Rafaela Azevedo estiveram em destaque com vitórias, mínimos e recordes, nos juniores foi Raquel Pereira que pelos segundos nacionais consecutivos sai como a nadadora mais medalhada e nos seniores as consagradas Diana Durães e Victoria Kaminskaya deram boa conta de si.

Mas a nadadora mais pontuada pela tabela FINA e, sem dúvida, mais dominadora nas suas provas foi Ana Pinho Rodrigues, a nadadora da Associação Estamos Juntos que das quatro provas de 50 metros, só não ganhou aquela que não nadou (50 metros costas).

De resto, tornou-se campeã nacional nos 50 metros bruços, prova onde estabeleceu um novo record nacional no tempo canhão de 31.35 (831 pontos, melhor pontuação dos campeonatos), os 50 metros livres, os 50 metros mariposa e ainda os 100 metros livres, sendo a única a ganhar a Diana Durães nestes campeonatos. Só “falhou” nos 100 bruços, ficando com o terceiro posto atrás de Raquel Pereira e Victoria Kaminskaya.

Ana Rodrigues é de facto uma nadadora com características únicas e pouco comuns nas nadadoras portuguesas e das poucas que consegue figurar entre as melhores da Europa (12ª melhor continental nos 50 bruços este ano) nas provas rápidas.

Foto: Luís Filipe Nunes

6. De actor secundário a protagonista

Ok, considerar que Gabriel Lopes era até agora um actor secundário é um pouco excessivo. Já há algum tempo que o nadador do Lousanense se destaca no panorama nacional e é uma presença cada vez mais assídua em provas internacionais, mas foi em Coimbra que logrou obter o seu primeiro record nacional absoluto em piscina olímpica.

Foi na prova de 100 metros costas, onde bateu o máximo de Pedro Oliveira. O seu tempo de 55.01 é o novo tempo a bater.

Para além deste record, Gabriel mostrou que cada vez mais está a “morder os calcanhares” de Alexis Santos e Diogo Carvalho nos 200 metros estilos, vindo aumentar o nível competitivo de uma prova que já é a única que alguma vez apurou dois nadadores com mínimo A nos mesmos Jogos Olímpicos.

O final de 2016 já tinha sido de alto nível para Gabriel Lopes, e o início de 2017 está a confirmar que este é um nadador destinado a altos voos.

7. Desta vez deu Diana

Referimo-nos a um dos duelos mais entusiasmantes da natação portuguesa dos últimos tempos: Diana Durães vs Tamila Holub, o derby entre o Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Braga.

Ambas têm feito progredir bastante os recordes nacionais das provas de livres nas distâncias a partir dos 200 metros e em campeonatos nacionais têm “tirado à vez” quem ganha a quem. Desta feita foi Diana Durães que se superiorizou, vencendo os 200, 400 e 800 livres, com Tamila sempre no segundo posto. A jovem bracarense ficou com os 1500 metros e com um novo record nacional sénior (o absoluto continua a ser o seu tempo de júnior que lhe deu o título de campeã da Europa).

Por seu turno, Diana não levou nenhum record para casa mas ficou muito perto ao nadar os 200 metros apenas um centésimo pior que o máximo que lhe pertence.

Foto: Luís Filipe Nunes

8. Nascimento em ponto rebuçado

Para os menos entendidos em culinária, o ponto rebuçado designa o “estado em que a calda do açúcar forma caramelo em apuro extremo”. É neste ponto que está Miguel Nascimento.

Parece mentira, mas o nadador do Benfica ainda não detém nenhum record nacional absoluto em piscina longa, mas como diria Cristiano Ronaldo sobre os golos, parece evidente que para Nascimento os recordes serão “como o ketchup” (recorrendo novamente à metáfora gastronómica), depois de vir o primeiro, vários se seguirão.

De facto Miguel Nascimento tem vários máximos à sua mercê, nas mais variadas técnicas e distâncias. Nestes nacionais ficou a apenas 3 centésimos do record nacional dos 50 metros livres do seu ex-colega de equipa na Portinado, Alexandre Agostinho e ficou a menos de um segundo do record dos 200 mariposa.

Em ambas as provas garantiu o apuramento para os Campeonatos do Mundo de Piscina Longa.

Para além destas, o benfiquista pode perfeitamente um dia ser o detentor das melhores marcas dos 100 livres, dos 200 livres (agora mais difícil) ou dos 100 mariposa.

Pode ser de todos ou pode ser “só” de um, mas duvidamos que passe muito mais tempo a ser de nenhum.

Foto: Luís Filipe Nunes

9. Europeus

O nosso nono destaque vai precisamente para os 9 nadadores juniores que carimbaram o passaporte para os Campeonatos da Europa de Juniores em Netanya (Israel). São eles:

  • Raquel Pereira (Algés) – 100 e 200 metros bruços e 200 metros estilos. Destacamos em primeiro lugar a nadadora algesina porque foi a única que também realizou mínimos para os campeonatos do mundo de juniores nos 200 bruços e 200 estilos;
  • Rafaela Azevedo (Algés) – 100 metros costas. Apesar de ter idade de juvenil, já conseguiu atingir a marca exigida para o escalão acima;
  • António Pinto (Lousada XXI) – 1500 metros livres;
  • Beatriz Viegas (Tavira) – 100 metros livres;
  • Inês Henriques (Pimpões) – 400 metros livres;
  • Inês Rocha (Aquático Pacense) – 400 metros estilos;
  • João Machado (União Piedense) – 400 metros estilos;
  • Tiago Campos (Rio Maior) – 400 metros livres;
  • Tiago Costa (Sporting) – 200 metros livres.

10. A afirmação da nova geração

No caso dos nadadores juvenis, irá acontecer aquilo que é apelidado de boas dores de cabeça para os responsáveis federativos.

É que houve um total de 11 nadadores a apurarem-se para o Festival Olímpico da Juventude Europeia, mas esta prova está sujeita ao regime de contingente por via das quotas de participação que o COP atribui a cada Federação.

Sendo que a FPN estima que seja atribuída à natação 4 lugares (2 masculinos e 2 femininos), significa que 7 nadadores ficarão de fora, apesar de terem feito os mínimos para o FOJE. Terão como “prémio de consolação” a participação numa prova internacional secundária.

11. De nível mundial

A participar nestes campeonatos estiveram também os nadadores de natação adaptada que tentavam a obtenção de mínimos para o World Para-Swim, que decorre este ano no México e para os Jogos Surdolímpicos Samsun2017.

Eram 9 os nadadores que almejavam a qualificação para os dois eventos mundiais, 5 deles para os Para-Swim e 4 para os Surdolímpicos.

Miguel Cruz nos 50 livres e Tiago Neves nos 50 mariposa e 100 livres carimbaram o passaporte para a cidade turca de Samsun.

Tiago Neves ainda juntou dois novos recordes nacionais do escalão S15 nos 50 e 100 livres, enquanto Gino Caetano estabeleceu novos máximos nas mesmas duas provas, mas no escalão S10.

 

 


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