14 Dez, 2017

Le Clos em 48 segundos

João BastosDezembro 13, 201616min0

Le Clos em 48 segundos

João BastosDezembro 13, 201616min0

Ainda na ressaca dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a cidade canadiana de Windsor recebeu os campeonatos mundiais de piscina curta. Chad Le Clos e a incontornável Katinka Hosszu foram os destaques da competição que contou com 8 portugueses.

Entre os dias 6 e 11 de Dezembro, Windsor, no estado de Ontario, foi a capital da natação mundial. Apesar de após o término dos Jogos Olímpicos, a elite mundial ter seguido com as etapas da taça do mundo, esta foi a primeira competição verdadeiramente de nível planetário depois do Rio.

A época que culminará com os mundiais de piscina longa, em Julho, na Hungria, iniciou-se com os mundiais de piscina curta. Fique com os destaques, mas antes…“let’s look at the trailer”

Chad Le Clos

Foto: COI / Jason Evans

O sul-africano Chad Le Clos foi o MVP dos campeonatos. Apesar de não ter sido o nadador que mais provas venceu (já revelaremos qual foi, mas não será grande surpresa…), foi o que teve, de longe, a melhor performance com o seu fantástico record mundial dos 100 metros mariposa.

48.08 é uma marca absolutamente estratosférica que melhora o anterior record de 48.44, que já era seu.

Com este tempo, Le Clos é o 48º melhor do mundo…aos 100 livres!

O sul-africano dominou o estilo de mariposa em toda a linha, já que venceu os 50 mariposa em 21.98 segundos, muito próximo do record dos campeonatos (que é seu) de 21.95. Nesta prova o record do mundo (ainda?) não é seu. Está na posse de Steffen Deibler (Alemanha) que fez 21.80 no tempo dos fatos de poliuretano.

Nos 200 mariposa, prova onde também é recordista do mundo e dos campeonatos do mundo, venceu em 1:48.76, apenas 2 décimos acima do seu máximo mundial.

Foi ainda vice-campeão do mundo dos 200 livres.

No final, admitiu que os JO não tinham corrido bem, e que estava a atravessar um período complicado da sua vida, quer dentro, quer fora de água, mas que estes mundiais certamente funcionariam como ponto de viragem, tendo em vista chegar aos mundiais de longa na sua melhor forma de sempre.

Katinka Hosszu

Foto: Rob Schumacher-USA TODAY Sports

Se ler um resumo de uma prova internacional e não encontrar o nome da húngara, desconfie que não está completo.

A dama de ferro deixará um legado extraordinário, e só haverá algum pejo em considerá-la a melhor nadadora de sempre porque a outra candidata é Katie Ledecky, que faz coisas igualmente impressionantes.

Como Katinka sente necessidade de defender a sua alcunha cada vez que entra numa piscina, propunha-se neste mundial a vencer 12 provas individuais! O programa dos campeonatos tem um total de 17…

Não chegou aos 12 títulos, mas chegou aos 7. Venceu os 100 e 200 costas, os 100 e 200 mariposa, os 100, 200 e 400 estilos.

Ainda ficou em segundo lugar nos 200 livres e 50 costas.

Como abdicou de nadar os 200 bruços, as únicas provas que nadou e não levou medalha foram os 400 e os 800 livres.

Tae Hwan Park

Foto: Patrick B. Kraemer

Quando Tae-Hwan Park apareceu na cena internacional, muitos prognosticaram que estaria ali um prodígio fora de série que iria marcar uma era na natação mundial.

E não era para menos. O coreano estreou-se em Jogos Olímpicos com apenas 14 anos. Foi campeão do mundo aos 17 anos e campeão olímpico aos 18.

Parecia que estava a ser escrita uma história de sucesso igual a nenhuma outra. Nem Phelps aos 18 anos tinha o currículo do sul coreano. Mas a história não foi bem assim, e Park teve uma carreira cheia de (poucos) altos e (muitos) baixos, até que parecia que terminaria em 2014, quando testou positivo a esteróides anabolizantes.

No entanto, a suspensão terminou este ano, ainda a tempo dos JO onde teve uma prestação muito discreta.

Em Windsor veio redimir-se…e fê-lo da melhor maneira, sagrando-se campeão mundial dos 200, 400 e 1500 metros livres.

Nos 200 metros teve ainda o bónus de bater o record dos campeonatos, de bater e record asiático e de bater Chad Le Clos.

Nos 400 ficou a apenas 27 centésimos do record dos campeonatos.

Mas foi nos 1500 metros que veio a vitória (certamente) mais saborosa. Terminou com o tempo de 14:15.31, mais um record da Ásia e um record dos campeonatos, e relegou o recordista do mundo, que vinha defender o seu título, Gregorio Paltrinieri, para a 2ª posição. Park é agora o 4º melhor de todos os tempos aos 1500 metros livres.

Será que aos 27 anos temos Tae Hwan Park de volta?

Leah Smith

Foto: Twitter Leah Smith

Nas provas de fundo, Katie Ledecky está a anos-luz do resto do mundo, mas depois dela, vem sempre Leah Smith.

Como Ledecky não esteve no Canadá, Leah Smith foi lá reivindicar os títulos de 400 e 800 metros livres.

E assim foi. Sem grandes sobressaltos, Smith venceu os 400 metros com mais de 1 segundo de diferença e nadou as eliminatórias dos 800 três segundos mais rápido que a final e, mesmo assim, na final ainda chegou quase 2 segundos à frente da vice-campeã.

Leah ainda integrou o quarteto norte-americano dos 4×200 metros livres, e quem nada estafetas pelo USA arrisca-se sempre a ganhá-las, mas as vizinhas canadianas não estavam pelos ajustes e deixaram Leah e as colegas com a prata.

Kelsi Worrell

Foto: Gregory Shamus/Getty Images North America

Kelsi Worrell pode não ser um nome consensual para ser considerada um dos maiores destaques, mas no FairPlay achamos que merece, pelo sabor agridoce que estes campeonatos lhe devem ter deixado.

É que a norte-americana bateu seis recordes individuais e participou nas três estafetas americanas que também bateram recordes – e um deles mundial – mas não ganhou qualquer prova individual.

Nos 50, 100 e 200 mariposa bateu os respectivos recordes do continente americano, mas na prova mais curta, a europeia Jeanette Ottesen chegou primeiro, e nos 100 e 200 foi a também europeia Katinka Hosszu a levar os títulos.

Valeu-lhe as estafetas. Na estafeta feminina de 4×50 estilos, para além do título, levou também o record do mundo!

As estafetas de 4×100 estilos femininos e 4×50 estilos mistos, nas quais participou, bateram novos recordes dos campeonatos.

Os oito mundialistas

Portugal foi ao Canadá com oito nadadores, que voltaram com 3 recordes nacionais, 11 novos recordes pessoais e 6 lugares no top-16 (só uma meia final porque só havia meia final nas provas de 50 e 100 metros) na bagagem.

Deixamos-lhe o resumo de todas as prestações individuais da #TeamPortugal:

Alexis Santos

Foto: Facebook Alexis Manaças Santos

Foi o principal destaque individual da delegação portuguesa ao ser o único que bateu um record nacional individual e que alcançou uma meia final.

Foi nos 100 estilos, onde foi o 10º melhor do mundo com o novo máximo nacional de 53.06, baixando os 53.28 do colega Diogo Carvalho.

A final ficou a apenas 18 centésimos de distância!

Nadou ainda os 200 metros estilos, classificando-se no 15º lugar, com o tempo de 1:55.77.

Participou ainda nas estafetas recordistas nacionais. Mas falaremos delas mais à frente.

Diana Durães

Foto: FPN

Depois das excelentes indicações dadas no III Meeting Internacional do Algarve, no mês passado, onde “detonou” o seu record dos 400 livres em 5 segundos, as expectativas eram altas para a nadadora do Benfica.

No entanto, Diana não conseguiu repetir a prestação. A sua melhor classificação foi nos 800 livres – 17ª com 8:36.08.

Foi ainda a 20ª melhor do mundo nos 400 livres, com o tempo de 4:10.18 (os seus 4:05.39 dariam para o 10º lugar) e foi 37ª nos 200 livres com 2:01.97, naquela que foi a prova que inaugurou a participação portuguesa em Windsor.

Diogo Carvalho

Fonte: FPN

O nadador dos Galitos de Aveiro partia com a melhor posição na start list de entre todos os portugueses (5º aos 200 estilos) e, por isso, era a maior esperança de final para Portugal.

Mas os 200 estilos eram uma prova de final directa e, por isso, Diogo teria de nadar no seu melhor, logo nas eliminatórias. Assim não aconteceu e os 1:55.26 deram-lhe o 12º lugar. O seu melhor tempo (Record Nacional de 1:53.45) dar-lhe-ia o 1º tempo das eliminatórias e, justamente, o 5º na final.

Nadou também as outras provas de estilos do programa. Nos 400 ficou em 19º lugar com 4:11.92 e nos 100 ficou em 24º com 54.18.

Certamente que o melhor Diogo estará reservado para uma fase mais adiantada da época.

Gabriel Lopes

Foto: Gabriel Lopes

O jovem lousanense “fartou-se” de nadar e “fartou-se” de bater recordes pessoais. Foram 5 novos máximos em 6 provas nadadas…e alguns por larga margem.

As melhores classificações que obteve foram os 21ºs lugares aos 100 e 200 costas com 52.21 na prova curta (tinha de melhor 52.42 dos Europeus do ano passado) e 1:55.63 (baixando os 1:56.95 que tinha estabelecido há um mês em Vila Real de Santo António).

Mas o grande destaque em termos cronométricos vai inteirinho para a prova de 200 livres. Gabriel apresentava-se à partida com o tempo de 1:52.21 feito a 20 de Novembro e no final da prova marcou 1:47.31. Foram quase 5 segundos retirados ao percorrer 8 piscinas!

Os outros recordes pessoais vieram nos 100 livres (49.69, tinha 51.41) e nos 50 mariposa (24.58, tinha 25.49).

A única prova onde não melhorou foi nos 50 costas, onde fez 24.94 e tem de melhor tempo 24.55, prova onde Gabriel admitiu que “falharam alguns pormenores”. E de facto, com uma passagem aos 50 metros na prova de 100 em 25.11, era crível que pudesse fazer o pleno de recordes pessoais.

João Vital

Foto: IMAGE By IMAPRESS / COP.

O nadador do Sporting, no seu primeiro ano de sénior, teve uma experiência positiva nestes mundiais.

Nadou apenas duas provas, mas duas provas bastante “trabalhosas”.

Nos 400 estilos fez um bom lugar, o 18º, com o tempo de 4:11.80, apenas 6 décimos pior que o seu melhor.

Nos 200 costas fez um bom tempo. 1:58.53 é novo record pessoal. O anterior estava prestes a fazer um ano e era de 1:59.39. Na classificação, obteve o 34º lugar.

Miguel Nascimento

Foto: FPN

Nascimento também esteve bastante activo durante toda a semana. Nadou quatro provas individuais e as duas estafetas e esteve em bom plano ao obter 3 recordes pessoais e um melhor tempo nacional em estafeta (não sendo no primeiro percurso, não conta como RN).

Os seus novos máximos pessoais são os 21.92 aos 50 livres que o colocaram na 30ª posição, os 48.00 aos 100 livres que o levou à sua melhor classificação – 21º – e os 1:56.28 dos 200 mariposa (23º lugar).

Nos 200 livres, nadou em 1:47.31 e ficou em 42º lugar.

No entanto, o seu tempo canhão veio na estafeta de 4×100 estilos, mas…ainda não é agora que vamos falar das estafetas.

Tamila Holub

Foto: FPN

Com o alucinante final de época 2015/2016 da bracarense que acabou no Rio de Janeiro e pelo caminho fez tocar a “Portuguesa” no Europeu de Juniores na Hungria, seria exigir muito que Tamila estivesse ao seu melhor nível já no início desta época.

A jovem, a iniciar a primeira época de sénior, foi ao Canadá nadar os 400 e 800 livres sobretudo com o objectivo de continuar a ganhar traquejo internacional.

Mesmo algo distante das suas melhores marcas, ainda trouxe de Windsor uma classificação no top-20. Foi nos 800 livres com a marca de 8:41.46 (deu exactamente o 20º lugar).

Nos 400 metros cumpriu a distância em 4:18.76 para o 35º lugar. O tempo até foi pior que o da sua passagem a meio da prova de 800 (4:16.39), sinal do desgaste da competição e da altura prematura da época.

Victoria Kaminskaya

Foto: FPN

A nadadora do Estrelas de São João de Brito também esteve presente no Rio de Janeiro e, para esta época, deverá estar a “apontar os cartuchos” para o Mundial de Budapeste.

Apesar disso, o balanço destes mundiais de curta para Victoria é positivo…até na prova que não lhe correu bem. Explicamos porquê.

É nos 400 estilos marcou 4:42.62, ou seja, 5 segundos pior que o seu melhor, mas mesmo assim foi a 15ª melhor do mundo numa prova que tinha Hosszu, Belmonte e Miley (e as duas últimas nem chegaram ao pódio).

Nos 200 estilos conseguiu o 20º lugar com 2:14.48 e nos 200 bruços e 200 mariposa ficou no 21º lugar em ambas. Os 200 bruços vieram com o bónus de estabelecer novo record pessoal com o tempo de 2:26.69.

Estafetas masculinas

Foto: FPN

Falemos então das estafetas.

Portugal participou nas provas de 4×100 metros estilos e 4×200 metros livres masculinos. Em ambas, o objectivo era claro: obtenção de recordes nacionais e circunstancialmente atingir as finais.

Se no caso dos 4×100 estilos, os melhores tempos dos quatro nadadores que compunham a estafeta antecipavam um novo record com facilidade, nos 4×200 livres não era tanto assim.

4×200 livres

A primeira estafeta a ser nadada foram os 4×200 livres, que era composta por Miguel Nascimento, Gabriel Lopes, Diogo Carvalho e Alexis Santos, que tinha por objectivo melhorar os 7:08.72 dos mundiais de Shangai 2006.

Nascimento abriu com o seu segundo melhor tempo de sempre – 1:46.56. Seguiu-se Gabriel, motivado pela sua prova individual e que marcou 1:46.99. Diogo, o mais experiente da equipa, cumpriu o terceiro percurso e também nadou na casa do 1:46, fez 1:46.31 e Alexis fechou brilhantemente a estafeta, quase em 1 minuto e 44 segundos. Foi um parcial de 1:45.09 para um tempo final de 7:04.93 e o desafio superado com distinção.

Os 7:08.72 de 2006 deram, na altura, acesso à final do mundial com o 2º melhor tempo. 10 anos volvidos, os 7:04.93 deram apenas o 13º lugar, sinal da grande evolução da natação mundial.

4×100 estilos

Os 4×100 metros estilos tiveram os mesmos protagonistas. Gabriel Lopes foi o costista de serviço, Diogo Carvalho nadou bruços, Alexis Santos cumpriu o percurso de mariposa e Miguel Nascimento terminou com crawl.

3:44.68 era o record nacional da selecção nacional e era uma marca muito acessível para este quarteto. De resto, o record nacional de clubes é 10 segundos mais rápido.

Mas os quatro “tugas” não fizeram pelo mínimo.

Gabriel abriu com o seu segundo melhor tempo de sempre (superado apenas pelo tempo da prova individual): 52.38, Diogo fez o seu parcial de bruços mais rápido de sempre: 59.51, Alexis nadou para 51.68 (também melhor parcial de mariposa da carreira) e Miguel “voou” para 46.64, único português na História a nadar 100 livres em 46 segundos, mesmo em estafeta.

O tempo final foi de 3:30.21, novo record nacional e 11º lugar na prova!

Foto: FPN

Por último, uma nota para os outros “portugueses”: Ana Nóbrega (Ginásio Clube de Vila Real), Pedro Pinotes (Sporting) e Nuno Rola (Estrelas de São João de Brito) representaram Angola e Igor Mogne (Sporting) representou Moçambique.

Nóbrega estabeleceu dois novos recordes nacionais (100 livres e na estafeta de 4×50 livres misto);

Pinotes bateu 3 máximos angolanos (100 bruços, 200 mariposa e 4×50 livres misto);

Rola não bateu nenhum record nacional mas ficou “em cima” dos seus recordes pessoais aos 50 livres e 50 mariposa;

Mogne nadou 4 provas e bateu 5 recordes nacionais (record dos 50 livres na passagem da prova de 100). É agora recordista dos 50, 100, 200 e 400 livres e 50 mariposa.

 

 


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