24 Nov, 2017

Portugal nos Europeus: o balanço da geração de Netanya

João BastosJulho 3, 20177min0

Portugal nos Europeus: o balanço da geração de Netanya

João BastosJulho 3, 20177min0

A 44ª edição dos Campeonatos da Europa de Juniores decorreu entre 28 de Junho e 2 de Julho na cidade israelita de Netanya. Portugal esteve representado com 13 nadadores

Esta edição dos Europeus de Juniores ficou marcada por um elevado nível competitivo, com o estabelecimento de 4 novos recordes do Mundo de Juniores, 6 recordes da Europa de Juniores e 15 recordes dos campeonatos da Europa de Juniores. Podiam ser destacados vários nadadores e várias marcas de relevo obtidas nestes campeonatos. O Fair Play escolheu as 10 provas que, na nossa opinião, foram de maior valia no cômputo geral dos campeonatos:

As 10 melhores performances dos Europeus de Juniores

Relativamente aos portugueses, depois de termos apresentado um a um os 13 magníficos, faremos também um balanço individual.

Começando pela nadadora que obteve as melhores classificações da equipa das quinas: Raquel Pereira. A nadadora do Algés foi a nona classificada na prova de 100 metros bruços, uma posição bastante frustrante, ainda para mais quando ficou a um escasso centésimo de se apurar para a final.

À partida era nos 200 bruços que residia a esperança de chegar à final e, depois, ver até onde poderia ir. E nas eliminatórias a nadadora mostrou-se bastante bem ao qualificar-se para a meia-final com o 6º tempo, o seu 2º melhor da carreira. Na meia-final esse tempo daria acesso à final (novamente com o 6º tempo), mas infelizmente Raquel não conseguiu reproduzir o desempenho da manhã e ficou-se pelo 12º lugar.

Estava ainda inscrita nos 200 metros estilos, mas abdicou de nadar a prova para apostar tudo nos 100 bruços (as duas provas eram nadadas na mesma sessão). Para Raquel Pereira, a época ainda vai ser longa, uma vez que, para ela, ainda há Mundiais de Juniores, em Indianapolis, de 23 a 28 de Agosto.

Para além de Raquel só havia mais um elemento da comitiva portuguesa que já tinha estado no Europeu de Juniores do ano passado. Era a nadadora d’Os Pimpões, Inês Henriques, que também atingiu uma meia-final e outra classificação nas 16 primeiras.

A meia-final foi na prova dos 200 metros mariposa, classificando-se no 13º lugar, com um novo record pessoal nas eliminatórias de 2:17.43 (um centésimo melhor que o seu anterior máximo). No ano passado tinha sido 29ª nesta prova.

A classificação de semi-finalista veio na prova de 800 metros livres que se nadou no sistema de finais directas. Aí, Inês foi 14ª classificada, nadando em 9:02.19, muito próxima do seu RP de 9:01.71.

Ainda nadou os 200 metros livres (34ª e novo RP de 2:06.16) e os 400 metros livres (25ª com 4:25.98).

Para além das duas repetentes, destaque para um nadador que para o ano também pode vir a ser (repetente, entenda-se…): José Paulo Lopes, do Sporting de Braga, alcançou também uma posição nos 16 primeiros. Foi nos 1500 metros livres, com – precisamente – o 16º lugar, ao qual juntou o 17º nos 800 livres (com novo RP de 8:21.87), o 24º nos 400 estilos e o 35º lugar nos 400 livres com o novo máximo pessoal de 4:01.98.

Foto: Luís Cameira

Outros dois juniores de 1º ano em evidência na classificação (nem tanto nas marcas) foram a pacence Inês Rocha, com o seu 18º lugar nos 400 estilos e o algesino Roberto Gomes com o seu 20º nos 1500 metros livres. Ambos os nadadores ficaram longe dos seus recordes pessoais, mas mesmo assim conseguiram boas classificações, o que pode ser um bom prelúdio para o próximo ano, onde voltam a ter nova oportunidade.

Todos os outros oito portugueses ficaram fora do top-20 (à excepção dos integrantes das estafetas, mas já lá iremos). Pelo critério “melhoria dos recordes pessoais” merecem menção os Tiagos. Tiago Campos (CNRM) nadou 4 provas e fez RP nas 4, com grande destaque para o primeiro sub-4 da sua carreira nos 400 livres (3:59.30). Tiago Costa (Sporting) também baixou dos 4 minutos aos 400 livres pela primeira vez. 3:59.94 é agora o seu melhor tempo de sempre. Também melhorou o seu tempo dos 200 livres.

Jorge Silva (SCBraga) foi outro júnior de primeiro ano que veio de Netanya com recordes pessoais e boas classificações. A melhor foi nos 400 estilos, onde foi 21º classificado com o novo RP de 4:32.61.

De resto, há apenas a referir os recordes pessoais de João Machado (SFUAP) nos 50 costas (28.38) e 200 costas (2:09.98), nesta última classificando-se no 21º lugar.

Há um dado curioso, mas pouco simpático para o lado das nadadoras portuguesas. As 6 raparigas presentes, nadaram um total de 16 provas e só numa dessas provas o tempo de inscrição foi melhorado. Foi o já referido RP por 1 centésimo de Inês Henriques nos 200 mariposa.

Na estafeta 4×100 estilos, constituída por Rafaela Azevedo, Raquel Pereira, Giovanna Vargas e Beatriz Viegas, ficaram a apenas 81 centésimos do record nacional, obtendo a 14ª posição para Portugal.

Já no lado masculino, a estafeta nadada foi a dos 4×200 metros livres, com Tiago Campos, Tiago Costa, José Lopes e Roberto Gomes. 7:36.94 foi o tempo que valeu o 10º lugar, algo longe do record nacional júnior de 7:32.26, de uma equipa onde pontificavam os nomes de Fábio Pereira, Adriano Niz, Edgar Silva e Tiago Venâncio.

Faltou apenas referir António Pinto  que não se apresentou nas melhores condições físicas, abdicando de nadar os 1500 metros livres e fazendo mais de 13 segundos pior que o seu RP nos 800 metros.

Foto: FPN

Em suma, os campeonatos da Europa de Juniores ficaram aquém do que se esperava para esta equipa. Não foram batidos recordes nacionais, não foram estabelecidos mínimos para os Mundiais de Juniores e houve muitos nadadores longe do seu melhor.

Como ponto positivo, há que destacar os juniores de primeiro ano que deram, na sua generalidade, uma boa resposta e ainda a garantia do aumento de competitividade em provas que muito necessitam dessa competitividade. Foram 4 os nadadores masculinos que nadaram os 400 metros livres, uma prova onde ninguém se consegue aproximar do record nacional, estabelecido em 2009, há anos.

Ou seja, a matéria prima é boa e, mesmo que para muitos, estes não tenham sido uns campeonatos de sonho, as suas carreiras estão apenas no início e a geração de Netanya ainda vai, certamente, escrever páginas bordadas a ouro na História da natação portuguesa. Venham elas!


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter