14 Dez, 2017

A caminho do Mundial: A oportunidade de Le Clos

João BastosJunho 4, 20177min0

A caminho do Mundial: A oportunidade de Le Clos

João BastosJunho 4, 20177min0

Com os Campeonatos do Mundo de Desportos Aquáticos à vista, o Fair Play elabora uma série de 10 artigos sobre os potenciais destaques em Julho, na Hungria. No número 5 falamos sobre aquele que pode o principal destaque masculino

Chad Guy Bertrand Le Clos, sul-africano de 25 anos que entrou com estrondo nos radares dos adeptos da natação há 5 anos, quando fez aquilo que os brasileiros chamariam de “cortar o barato” a Michael Phelps, vencendo-o na prova em que o americano é recordista mundial desde os 15 anos: os 200 metros mariposa.

Foi em plenos Jogos Olímpicos de Londres e ainda para mais superiorizando-se a Phelps na parte da prova onde nunca se tinha visto o americano ceder, ou seja, nos últimos 50 metros. O sul-africano terminou com um parcial de 29.20 contra os 29.83 de Phelps.

Em 2013, já com outro estatuto, Le Clos continuou a cimentar a sua posição na natação mundial e sagrou-se campeão mundial em Barcelona nos 100 e 200 metros mariposa.

Já sem Phelps, Le Clos pôde nadar os 200 quase 1,5 segundo acima do que tinha feito em Londres e chegar para levar o título de forma autoritária, a mesma fórmula que utilizou para vencer os 100 mariposa no tempo de 51.06, tempo que teria sido suficiente para chegar ao ouro olímpico no ano anterior (Phelps venceu a prova em Londres com 51.21).

Uma semana após os mundiais de Barcelona, Chad estava a bater o record do mundo dos 200 mariposa em piscina curta, na etapa da Taça do Mundo de Eindhoven.

Já nos mundiais de 2015, Le Clos ficou apenas com a prova mais curta que teve um nível muito superior a Londres ou Barcelona. Todo o pódio nadou abaixo dos 51 segundos, com Chad no lugar mais alto com novo record africano: 50.56 é ainda hoje o seu record pessoal.

Inconstantemente polivalente

Foi nos mundiais de Kazan que Le Clos mostrou outras duas facetas: a faceta de nadador inconstante e a faceta de nadador polivalente.

Inconstante porque, apesar dos 100 mariposa terem revelado que estava numa grande forma, nos “seus” 200 metros não conseguiu expressar esse momento de forma e perdeu para Laszlo Cech, com um tempo 7 décimos acima do seu melhor.

Polivalente porque arriscou nadar mais provas que os 100 e 200 mariposa. Nos 50 mariposa não chegou à final, mas pareceu descuido, já que o tempo de passagem na prova dos 100 foi muito parecido ao que fez na meia final dos 50. Foi a participação na prova dos 200 livres que mereceu nota de destaque. Terminou apenas em 6º mas foi o início da nova fase da carreira de Le Clos, enquanto nadador de livres.

No Rio voltou a nadar a prova e de uma forma que deu nas vistas. Não esperou por ninguém e aos 50 metros já levava mais de um segundo de avanço para toda a gente. Apesar da quebra, conseguiu segurar a prata, com o novo record africano de 1:45.20.

Também no Rio voltou a mostrar a sua inconstância, já que a sua participação nos 200 mariposa acabou por ser muito incaracterística, uma vez que deixou escapar o seu lugar no pódio nos últimos 50, sendo mais notícia pelos “memes” que da prova derivaram do que pela sua performance.

Foto: Twitter @6amsuccess

Mesmo com duas medalhas de prata, Le Clos não pode ter considerado que os Jogos Olímpicos lhe tenham corrido de feição. Mas o sul-africano não esperou muito para se voltar a afirmar como um dos melhores nadadores da actualidade e nos mundiais de Windsor, em Dezembro, venceu as três provas de mariposa e voltou a ser segundo nos 200 livres. Em termos cronométricos, o tempo dos 100 mariposa foi o grande destaque dos campeonatos.

E é, certamente, o nível exibicional dos mundiais de curta que Chad Le Clos quer transpor para os mundiais de longa.

Com Phelps definitivamente reformado e Lochte a ser um incógnita após uns JO desastrados a todos os níveis, abriu uma vaga para o posto de melhor nadador da actualidade. Pode ser Adam Peaty, pelas razões enunciadas aqui, mas Chad Le Clos é o maior candidato a ser o nadador masculino mais carregado de ouro nos Mundiais de Budapeste.

Tem a desvantagem de as estafetas da África do Sul não parecerem ter hipótese de conquistar algum título e num campeonato com 5 estafetas em disputa, nadadores que integrem equipas mais fortes têm logo “meio caminho andado”, mas analisemos as aspirações de Le Clos:

50 metros mariposa

O sul-africano ainda não conseguiu traduzir na piscina longa aquilo que consegue fazer em piscina curta. A falta da viragem faz-lhe alguma diferença, mas tendo em consideração os seus tempos de passagem na prova de 100, tem potencial para melhorar os 23.29 que tem de record pessoal.

No entanto, vencer esta prova parece ser uma tarefa que está longe do seu alcance, sobretudo depois das exibições convincentes que já este ano protagonizaram Nicholas Santos e Ben Proud.

100 metros mariposa

Quando se podia pensar que a definitiva ausência de Phelps poderia significar uma era de claro domínio de Le Clos nesta prova, eis que no Rio de Janeiro nasceu uma estrela. Joseph Schooling venceu de forma surpreendente, mas autoritária, os 100 metros mariposa nos Jogos Olímpicos, relegando os astros Phelps, Le Clos e Cech para a prata ex-aequo. Os 50.39 do singapurenho é o tempo mais rápido de sempre sem fatos e ele já prometeu nadar em 49 segundos no mundial.

No entanto, Le Clos tem todos os argumentos para não se achar que a prova será favas contadas para Schooling. Aliás, o equilíbrio entre os dois deixa antever que esta pode ser uma das provas mais entusiasmantes dos mundiais da Hungria.

200 metros mariposa

É a sua prova de eleição e aquela em que ele irá nadar pelo orgulho ferido, depois do que aconteceu no Rio.

É o grande favorito mas terá de ter atenção a muita gente. Desde o veterano Laszlo Cech aos jovens Kenderesi, Sakai e Seto. É uma prova que está em renovação de referências, mas Le Clos quererá manter-se como a principal.

200 metros livres

Apesar da prata no Rio, Chad continua a ser um outsider e ele próprio sabe isso, daí que deverá usar a estratégia que usou nos JO de forma a surpreender nadadores como James Guy, Sun Yang ou Mack Horton.

Considerando a melhoria que experimentou na prova nos últimos dois anos, é perfeitamente possível levar o título mundial.

Os mundiais de Budapeste podem ser os mundiais de Chad Le Clos. Para isso, o sul-africano não se pode contentar com menos do que estar no seu melhor em todas as provas. Em teoria, é mesmo o nadador com mais capacidades que estará presente na Hungria, mas nem sempre tem apresentado a força mental necessária para traduzir o talento em vitórias.

Estará reservado para Budapeste?

*Este artigo é o quinto de uma série de 10 antevisões do mundial de Budapeste:
1º – Adam Peaty, a perfeita imperfeição
2º – O regresso da prova rainha (versão masculina)
3º – O regresso da prova rainha (versão feminina)

4º – Os donos da casa


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