24 Nov, 2017

Borda D’Água #7: Como Ledecky pode superar Phelps em 2020

João BastosJunho 9, 20174min0

Borda D’Água #7: Como Ledecky pode superar Phelps em 2020

João BastosJunho 9, 20174min0

Voltamos ao tema da inclusão de novas provas no programa olímpico de Tóquio 2020, agora com a decisão tomada. Finalmente a FINA convenceu o COI e nós aproveitamos para suspeitar sobre um dos argumentos utilizados

É oficial! Em Tóquio o programa de provas da natação contará com mais 3 provas: 1500 metros femininos, 800 metros masculinos e a estafeta mista 4×100 estilos. Só ficaram de fora as provas de 50 metros de cada estilos (excepto livres que já faz parte do programa) e os 4×100 livres mistos.

Em “compensação” a quota de participação para a natação foi reduzida em 22 nadadores, ou seja, em Tóquio participarão menos 22 nadadores do que no Rio, distribuídos por mais provas. Significado: os mínimos vão ser bem apertados!

Sobre a inclusão das provas individuais, já expressamos aqui a nossa opinião. Não havia razão nenhuma para a diferenciação de género que prevalecia nos 800 e 1500. Sobre a estafeta mista, não vamos emitir opinião, apenas traçar um cenário.

Comecemos pelo ponto de partida. Nos últimos Jogos Olímpicos, o nadador mais medalhado foi, incontornavelmente, Michael Phelps com 5 ouros e uma prata. A seguir veio Katie Ledecky, com 4 ouros e uma prata.

A jovem norte-americana venceu os 200, 400 e 800 livres e 4×200 livres, levando a prata nos 4×100 livres. Sem grande esforço podia ter igualado Phelps no Rio. Como? Bastava ter nadado as eliminatórias dos 4×100 estilos, cuja final os EUA acabaram por ganhar com quase 2 segundos de vantagem. É que as medalhas das estafetas também são atribuídas aos nadadores que nadaram as eliminatórias.

Entrando ainda mais no campo das hipóteses. Em Tóquio, Ledecky vai poder nadar a prova (mais uma) onde está a anos-luz de distância das suas adversárias, os seus 1500 livres, onde (se nada de anormal acontecer até lá) o ouro não lhe escapa.

Depois, tem 4 estafetas onde pode chegar ao ouro, sendo que em 2 delas até o pode fazer sentada na bancada. Com certeza repetirá as estafetas que nadou no Rio e, mesmo que não seja uma das duas melhores nadadoras de 100 livres dos EUA, poderá nadar as eliminatórias dos 4×100 estilos femininos e mistos.

Se isso acontecer, constitui uma situação ímpar e algo bizarra. A putativa maior medalhada numa única olimpíada fá-lo sem estar nas provas decisivas.

Voltemos agora à realidade. A situação em cima descrita nunca acontecerá com Ledecky porque a melhor nadadora da actualidade, que pode consagrar-se como a melhor de sempre, em Tóquio, nunca se prestará a esquemas como esses (nem a selecção americana). Até pode estar na cabeça de Katie conseguir essas 8 medalhas de ouro, igualando as 8 de Phelps em Pequim, mas a única via que considerará é, simplesmente, tornar-se na melhor nadadora americana de 100 livres e ser indispensável nas finais das estafetas e ainda ir à 9ª vitória: na prova individual.

Por outro lado, apesar do domínio, os EUA não nadam sozinhos e nos 4×100 livres femininos vão encontrar umas australianas e umas canadianas muito difíceis de ultrapassar.

O exercício especulativo que fizemos em cima foi apenas para traçar um cenário que foi aberto e que, sendo muito objectivos, só está ao alcance de um americano (seja Ledecky ou outro qualquer), porque só os EUA poderão nos tempos mais próximos vencer todas as estafetas do programa. Quando e se for outro país a conseguir, estaremos cá para ver se a tendência não é tirar provas do programa…

Foto: Alexander Nemenov

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