18 Nov, 2017

Borda D’Água #4: A natação brasileira responde dentro de água!

João BastosMaio 8, 20174min0

Borda D’Água #4: A natação brasileira responde dentro de água!

João BastosMaio 8, 20174min0

Caro amigo leitor,

O Troféu Maria Lenk disputou-se de 2 a 6 de Maio, no Rio de Janeiro, no período de maior instabilidade que há memória na natação brasileira. Coaracy Nunes, o presidente da Confederação Brasileira dos Desportos Aquáticos nos últimos 28 anos, foi recentemente indiciado de vários crimes de corrupção, o que provocou um furacão no seio da comunidade aquática brasileira, expondo várias dúvidas sobre o futuro da organização que gere a natação no Brasil.

Por isso, este ano, a competição mais importante disputada em solo brasileiro decorreu num contexto muito particular.

Mas o que se assistiu dentro da piscina foi exactamente o oposto. O desempenho dos nadadores brasileiros não esteve em consonância com o dos dirigentes e o Troféu Maria Lenk 2017 produziu grandes resultados.

Foram várias as marcas de destaque mundial, de tal forma que já se discute o alargamento da equipa que estará presente no mundial de Budapeste. Quinta-feira a direcção técnica da CBDA decidirá se o número inicial (de 8 nadadores) será aumentado.

No Maria Lenk, o tempo de maior projecção foi o do veterano (37 anos) Nicholas Santos nos 50 metros mariposa. Os 22.61 colocam-no na liderança do ranking mundial do ano, superando os 22.80 de Ben Proud (GBR) que lhe tínhamos dado conta no último Borda D’Água.

Este tempo é o terceiro melhor de sempre, apenas a 18 centésimos do record do mundo, ainda do tempo dos fatos, e colocam, naturalmente, o brasileiro na pole position para aos 37 anos ser pela primeira vez campeão do mundo de piscina longa, ele que foi prata há dois anos em Kazan. Colocam, caso seja seleccionado. É que as provas não olímpicas não davam direito a qualificação directa. Tem agora a palavra a Comissão Técnica da CBDA.

Foto: Globoesporte

Quem tem acesso a esta prova nos mundiais é o nadador que marcou a terceira melhor marca do mundo este ano (até agora). Henrique Martins marcou 22.98 e, conjuntamente com Nicholas Santos e Ben Proud são os únicos que baixaram dos 23 segundos aos 50 mariposa este ano. Ao contrário de Nicholas, Henrique garantiu a sua presença na Hungria por via de se ter apurado nos 100 mariposa.

Saltamos para a grande revelação dos campeonatos, o nadador de 21 anos Gabriel Santos. Os 100 metros livres são uma prova icónica no Brasil. O actual recordista do mundo é brasileiro e estava a participar na prova, a estafeta 4×100 livres do Brasil foi 5ª classificada nos últimos Jogos Olímpicos e o peso histórico da prova é grande consubstanciado por nomes como Gustavo Borges, Fernando Scherer ou Manuel dos Santos.

Por isso, ganhar os 100 livres não é coisa pouca. E Gabriel conseguiu-o com o terceiro melhor tempo mundial da época, com uma evolução assinalável. 48.11 deu-lhe o título à frente de Marcelo Chierighini e do recordista do mundo César Cielo. Com este tempo pode bem furar as contas que fizemos aqui.

Outra prova onde o Brasil tem grandes executantes é nos 50 metros bruços masculinos onde conta com nomes como Felipe Lima (bronze nos campeonatos do mundo de piscina curta o ano passado), Felipe França (campeão do mundo em 2011) e João Gomes Júnior, o menos premiado dos três a nível internacional.

Pois bem, mas foi precisamente João Gomes Jr. que se superiorizou e levou os 50 bruços com o extraordinário record pessoal de 26.83, tendo à sua frente no ranking deste ano, apenas, o recordista mundial da prova, Adam Peaty.

Para além destes quatro nadadores que registaram marcas dentro dos três primeiros da temporada, houve vários outros que marcaram tempos de grande valia, como o caso de Bruno Fratus e César Cielo nos 50 livres, Leonardo de Deus nos 200 mariposa ou Etiene Medeiros nos 50 costas.

Depois de uns Jogos Olímpicos caseiros em que a natação (de piscina) brasileira não obteve nenhuma medalha, ficando aquém do que desejaria e tinha potencial para alcançar, é numa fase de grande instabilidade que os nadadores do nosso país irmão melhor reagem e mostram-se capazes de ir à Hungria dar boa conta de si.

Nós, por cá, torceremos para que isso aconteça, pois certamente será a melhor resposta para dar a volta à situação e iniciar o processo que dê à natação brasileira os dirigentes que os nadadores merecem.

E por aqui ficamos. Não se esqueça, para não perder um lance (ou uma braçada), siga-nos no facebook ou twitter e subscreva a nossa newsletter.


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