19 Ago, 2017

Borda D’Água #3: Britânicos de luxo

João BastosAbril 24, 20175min0

Borda D’Água #3: Britânicos de luxo

João BastosAbril 24, 20175min0

Caro amigo leitor,

Hoje começamos no ponto onde tínhamos ficado no último Borda D’Água, ou seja, vamos espreitar o que se passou em terras de sua Majestade, nos campeonatos britânicos de natação.

De 18 a 23 de Abril a equipa britânica que vai estar presente nos mundiais de Budapeste ficou definida em Sheffield e os resultados são, no mínimo, promissores.

O histórico recente da natação britânica em Campeonatos do Mundo (e nos últimos 2 Jogos Olímpicos) tem provado que os ingleses estão num processo de ascenção meteórica na hierarquia mundial. Em Xangai 2011, um ano antes dos “seus” Jogos, os britânicos arrecadaram 5 medalhas, sendo duas de ouro, em Barcelona 2013 tiveram um “acidente de percurso” e apenas conquistaram um bronze pela recentemente retirada Francesca Halsall, mas em Kazan 2015 foram a 4ª melhor selecção coleccionando 9 medalhas, sendo 5 de ouro.

Para este ano, tudo parece conjugar-se para mais uma participação histórica da Team Britain. No Rio, o ouro solitário de Adam Peaty aos 100 bruços soube a pouco e a equipa (sobretudo a masculina) posiciona-se para ombrear com equipas como a Rússia, a China, o Japão e a Hungria (os EUA e a Austrália ainda parecem inacessíveis), estando, nesta fase, muito à frente de selecções europeias que outrora eram as referências do velho continente (França, Alemanha e Holanda).

Nos nacionais britânicos, foram quatro os principais destaques, que esmiuçaremos em seguida:

Em primeiro lugar, James Guy. O nadador de 21 anos, natural de Bury (Manchester) foi o maior ganhador dos campeonatos. Venceu os 200 e 400 livres e os 100 e 200 mariposa. Em termos cronométricos, o maior destaque foi a última prova que nadou – 200 metros livres – onde marcou a segunda melhor marca mundial do ano, apenas superado por Sun Yang, com 1:45.55. Nos 100 mariposa é o terceiro do mundo com os seus 51.52 e merece menção, sobretudo pelas contas que os britânicos estarão a fazer para a estafeta 4×100 estilos. Com Peaty a bruços, Guy a mariposa e Scott a livres, falta aguardar por um Walker-Hebborn ao seu melhor nível para poder sonhar com o ouro na Hungria.

Precisamente Duncan Scott foi outro nadador em destaque em Sheffield. O australiano McEvoy não chegou a aquecer o lugar no topo do ranking mundial dos 100 livres. O britânico, de apenas 19 anos, fez 1 centésimo melhor que o australiano e é agora o melhor nadador do mundo aos 100 livres em 2017 com o tempo de 47.90.

O “menino” também vendeu cara a derrota nos 200 livres para James Guy. Os 1:45.80 fazem dele o 3º melhor do ano e com Calum Jarvis e Nicholas Grainger começa a “cozinhar-se” uma bela estafeta de 4×200 livres, quem sabe capaz de bater o record britânico estabelecido nos JO do Rio e que valeram medalha de prata.

Foto: British Swimming

O terceiro destaque foi o “sprinter” Ben Proud que não deu hipóteses nos 50 livres e nos 50 mariposa, tornando-se o líder mundial do ano em ambas as provas. Os 21.32 dão-lhe entrada no top-10 dos melhores de sempre dos 50 livres, sendo apenas superado por Flaurent Manaudou na era pós-fatos.

Veja a prova dos 50 livres do londrino (pista 4) e atente na partida…literalmente meio caminho nadado para vencer a prova!

“At last but not least” o ícone actual (e provavelmente vai ser de sempre) da natação britânica: Sir Adam Peaty, um extraterrestre que está na Terra a divertir-se a fazer nas provas de bruços o que os melhores mortais só farão daqui a muitos anos. A forma como o faz também é muito particular, mas isso merecerá um artigo próprio.

No mundo inteiro ninguém se aproxima dos tempos que ele faz aos 50 e aos 100 bruços. Mais ninguém nadou o hectómetro abaixo de 58 segundos (e só van der Burgh o fez abaixo de 58’50) e ele fê-lo agora pela 5ª vez na carreira.

Os 57.79 marcados na final dos nacionais de Sheffield foi a 44ª vez que Peaty nadou os 100 bruços abaixo de um minuto. Na prova de 50 metros, venceu com 26.48 a apenas 6 centésimos do seu record do mundo, estabelecido nos Mundiais de Kazan há dois anos.

Do lado feminino, há que mencionar honrosamente as brucistas: em primeiro lugar, a jovem de 18 anos Imogen Clark que venceu os 50 metros bruços, com o segundo melhor tempo mundial do ano; e também Jocelyn Ulyett que alcançou igual posição no ranking, mas aos 200 metros, com o tempo de 2:22.08.

A experiente Hannah Miley também deu boa conta de si, nomeadamente nos 200 e 400 estilos, ao contrário da vice-campeã olímpica Siobhan-Marie O’Connor que acabou desqualificada na final dos 200 estilos.

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