17 Out, 2017

Borda D´Água #2: Volta ao mundo em 80 linhas

João BastosAbril 14, 20176min0

Borda D´Água #2: Volta ao mundo em 80 linhas

João BastosAbril 14, 20176min0

Caro amigo leitor,

A natação está na primeira época alta do ano, não só em Portugal com competições zonais, nacionais e internacionais ou estágios dos diversos escalões, mas por todo o mundo se joga muito do futuro da temporada durante o mês de Abril.

Foram vários os campeonatos nacionais ou outros eventos classificativos para os campeonatos do mundo que tiveram lugar no fim-de-semana anterior, ou que estão a ter neste ou que vão ter no próximo, de forma que os rankings mundiais foram moldados por essas competições à volta do globo.

Entre confirmações, revelações ou consagrações, foram já vários os nadadores que marcaram a sua posição e se posicionaram como mais ou menos favoritos para a grande competição do ano que se disputa em Julho na Hungria.

Aqui vamos tentar dar uma volta rápida ao mundo e trazer-lhe os maiores destaques dos últimos 15 dias.

Começando pelo outro lado do Atlântico, durante os campeonatos nacionais canadianos, a costista Kylie Masse marcou o tempo mais rápido de sempre sem borracha, ficando a escassos 9 centésimos de segundo do record do mundo da britânica Gemma Spofforth. 58.21 é o novo record pessoal de Masse e que a coloca, para já, na pole position para vencer este prova em Budapeste.

Veja a prova de Kylie Masse nos trials canadianos:

Mas não foi só no feminino que o record do mundo dos 100 costas esteve sobre forte ameaça. Aliás, mais perto de cair esteve o máximo dos 100 costas masculinos. Xu Jiayu ficou a apenas 1 centésimo (!) do máximo mundial que Ryan Murphy estabeleceu no último dia da natação do Rio. Xu marcou 51.86, e é apenas o terceiro homem de sempre a baixar dos 52 segundos (Aaron Peirsol – quem mais poderia ter sido? – foi o primeiro e único durante 7 anos). A expectativa é grande para o seu confronto com Murphy, nos mundiais de Budapeste.

Veja a fantástica prova do nadador chinês na pista 5:

O tempo de Xu foi o grande destaque dos nacionais chineses, mas não abafou a performance de Sun Yang, que parece estar definitivamente de volta (mas não aos 1500). Yang saltou para a liderança do ranking mundial com as suas marcas nos 200 metros (1:44.91) e nos 400 metros (3:42.16).

Ali ao lado, no Japão, os nacionais só terminam no dia 16 de Abril, faltando ainda disputar provas fortes naquele país como os 200 bruços masculinos, mas até ver, a grande performance vai para Yui Ohashi nos 400 estilos. Até agora a melhor marca do ano era da espanhola Mireia Belmonte com os 4:35.01 do Open de Espanha que lhe valeram o ouro à frente da portuguesa Victoria Kaminskaya, mas a japonesa detonou esse tempo, precisando apenas de 4:31.42 para completar a prova. Claro que ainda está longe do record do (outro) mundo de 4:26.36 de Katinka Hosszu mas é um tempo de enorme valia para a nadadora de 22 anos.

Já na Austrália, e como é natural num país onde a natação é desporto-rei, houve várias performances que podíamos destacar, mas em Brisbane foi Cameron McEvoy a estrela que brilhou mais alto. Vitória e primeiro lugar no ranking mundial nos 50 e 100 metros livres, superando nos 100 o campeão olímpico Kyle Chalmers. Na prova mais curta nadou em 21.55 e cumpriu os 100 em 47.91.

Veja a prova dos 100 metros livres, ganha por McEvoy (com os primeiros 50 em 22.73!) e em que Chalmers, na pista 3, fez uma má partida:

Vindo mais para ocidente, os russos que ao que tudo indica, e contrariamente ao que aconteceu no Rio, não terão nenhuma restrição parcial para participar nos mundiais de Budapeste, querem “limpar a face” e voltarem a aproximar-se do patamar competitivo onde estiveram nos finais dos anos 80 e início dos 90’s.

Para além da incontornável Yulia Efimova, que passa a ser a única este ano que já nadou 50 bruços abaixo de 30 segundos, Evgeny Rylov (de 20 anos) foi o grande destaque dos campeonatos russos de Moscovo, com os seus 1:53.81 aos 200 costas, que é o 7º melhor tempo de sempre. A marca de 24.52 aos 50 também é líder mundial do ano, mas não é condizente com os “fracos” 53.13 aos 100. Poder-se-á esperar que também Rilov entre nas contas pelo título mundial dos 100 costas em Budapeste, se fizer um tempo da valia dos seus 50 e 200.

Vamos da Rússia até à Itália, os transalpinos tiveram uns campeonatos nacionais de elevado nível. Zazzeri, Vendrame, Megli, Quadarella, Restivo ou Martinenghi são nomes para começar a assimilar porque vamos começar a vê-los com frequência em finais de grandes competições, mas o destaque vai para nadadores mais consagrados, os fundistas que têm protagonizado uma grande disputa interna que são Gregorio Paltrinieri e Gabrielle Detti.

É uma disputa interna, mas que se reflecte a nível global. Detti venceu Paltrinieri nos 800 livres, mas para isso teve de se tornar no líder mundial do ano, com Greg no segundo posto. Aos 1500, Detti não participou, mas Paltrinieri não fez por menos e marcou já 14:37.08, ficando a apenas 3 segundos do seu record europeu.

Para o final da volta, reservamos o melhor: Sarah Sjöström, a sueca que marcou a sua posição (e que posição) com a liderança mundial do ano aos 50 metros livres (2ª melhor de sempre e melhor sem fato de poliuretano), com 23.83, aos 100 metros livres (4ª melhor de sempre) com 52.54, aos 50 metros mariposa com 24.96 (única nadadora que já nadou esta prova abaixo de 25 segundos…desta vez foi a oitava) e aos 100 metros mariposa com 56.26. Não fosse a sueca ser contemporânea de Ledecky e Hosszu e já teria uma projecção mediática muito superior à que tem!

Foto: Kanal75

Para a semana continuamos a volta ao mundo, olhando para as Arena Series que já decorrem em Mesa (EUA) e para os campeonatos nacionais britânicos, que se disputam de 18 a 23 de Abril.

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