17 Ago, 2017

Alexis Santos histórico em jornada de surpresas

João BastosAgosto 11, 20169min1

Alexis Santos histórico em jornada de surpresas

João BastosAgosto 11, 20169min1

Dia memorável para as cores nacionais com a meia final de Alexis Santos na jornada das surpresas. Balandin e Chalmers são nomes que entram na lista dos campeões e Mireia foi ao Rio buscar o título que não conseguiu trazer de Londres. Entretanto Ledecky já vai com 3 ouros e uma prata.

A surpresa cazaque

O Cazaquistão vence a sua primeira medalha na natação...e logo de ouro | Fonte: Rio2016
O Cazaquistão vence a sua primeira medalha na natação…e logo de ouro | Fonte: Rio2016

A prova dos 200 metros bruços tinha à partida muitos candidatos que reforçaram a sua candidatura na meia-final. Watanabe inclusive bateu o record olímpico nessa fase, mas havia Prenot, detentor da melhor marca mundial do ano, havia Koch, campeão do mundo em título, havia Cordes, vice-campeão do mundo em título, havia Chupkov, campeão mundial de juniores…enfim, um cartel de luxo.

E de entre tantos candidatos, o título “fugiu” para o outsider cazaque Dmitry Balandin, que foi o último a classificar-se para esta final. 2:07.46 foi o tempo que lhe valeu ouro, quase dois segundos melhor do que o seu record pessoal com que se apurou para o Rio! A primeira grande surpresa na natação destes Jogos Olímpicos.

Josh Prenot (EUA) não conseguiu repetir o tempo que fez nos trials americanos e que continua a ser a melhor marca mundial do ano e ficou com a prata , perfazendo as 4 piscinas em 2:07.53.

Anton Chupkov (Rússia) chega ao bronze olímpico com apenas 19 anos. 2:07.70 foi a marca registada.

Ippei Watanabe tinha batido o record olímpico nas meias finais, mas desiludiu na final e ficou apenas em 6º. De registar o elevado nível médio desta final com 6 nadadores a nadar abaixo dos 2:08 (em 2012 apenas dois o tinham feito e em 2008 – mesmo com fatos de “borracha” – só o campeão conseguiu).

Hala Mireia!

Mireia Belmonte Garcia já conquistou duas medalhas no Rio | Fonte: AFP
Mireia Belmonte Garcia já conquistou duas medalhas no Rio | Fonte: AFP

Ao contrário do sector masculino, a prova dos 200 metros mariposa no sector feminino é parca em figuras de destaque (ainda para mais com a ausência de Hosszu), dando até a ideia de ser uma prova onde o nível actual é baixo, face à diferença para o excelente record do mundo. Mas nem por isso tem sido uma prova pouco competitiva, antes pelo contrário…

E a mais competitiva hoje foi mesmo a espanhola Mireia Belmonte (curiosamente uma antiga colega de treino de Alexis Santos). 2:04.85 foi o tempo dourado de Mireia que há 4 anos tinha sido vice-campeã olímpica. Chegou agora o merecido prémio.

A australiana Madeline Groves chegou apenas 3 centésimos atrás da espanhola para levar a prata, enquanto que a campeã do mundo em título, Natsumi Hoshi (Japão) chegou ao bronze com uma forte ponta final.

E no Rio nasceu uma estrela

Kyle Chalmers é o novo rei dos 100 livres | Fonte: TLA
Kyle Chalmers é o novo rei dos 100 livres | Fonte: TLA

Os 100 metros livres viram nascer aquele que pode bem ser o próximo grande destaque da natação. Na verdade, Kyle Chalmers já brilha há uns anos nos escalões de formação, mas vencer a prova rainha da natação em idade de júnior é “de homem”. Os seus 47.58 colocam-no já como 12º melhor nadador de 100 livres da História à frente de nomes como Thorpe, van den Hoogenband ou Popov e a apenas 7 centésimos do melhor de Phelps…e isto tudo aos 18 anos!

No segundo lugar chegou a segunda surpresa do dia (no espaço que uma prova de 100 metros permite surpresas). O belga Pieter Timmers chegou à prata a nadar na pista 7 e a fazer o tempo de 47.80.

O campeão olímpico em título Nathan Adrian (EUA) desta feita ficou “apenas” com o bronze. 47.85 foi a marca que realizou, 33 centésimos acima do que tinha realizado em Londres. Ainda não foi desta que um nadador revalidou o seu título numa prova individual no Rio.

O australiano líder mundial do ano com grande margem (melhor tempo de sempre sem fatos) Cameron McEvoy desiludiu e foi apenas 7º.

Mais uma estafeta para os EUA

Terceiro ouro para Ledecky...and keep counting | Fonte: USA Swimming
Terceiro ouro para Ledecky…and keep counting | Fonte: USA Swimming

Os EUA continuam a ser reis e senhores, rainhas e senhoras nas estafetas. Até agora, em 4 venceram 3. E os 4×200 metros livres femininos é uma estafeta que os americanos já estão mais que habituados a ganhar.

E mesmo com Missy Franklin completamente fora de forma, ao ponto de ser afastada da equipa da final (quando até foi nadar a prova individual), a equipa dos EUA não deu hipótese selando a vitória apenas no último percurso mas com quase dois segundos de avanço. Abriram com a campeã olímpica de Londres, Allison Schmidt (1:56.21) e fecharam com a campeã olímpica do Rio, Katie Ledecky (1:53.74). Pelo meio nadou Leah Smith (1:56.69) e Maya Dirado (1:56.39) para um total de 7:43.03

As australianas deram luta até onde puderam, mas o quarteto de 4×200 livres não tem a mesma valia do de 4×100. Leah Neale, Emma McKeon, Bronte Barratt e Tamsin Cook nadaram para a prata e para o tempo de 7:44.87.

As jovens canadianas continuam a surpreender o mundo com os seus espectaculares desempenhos. Penny Oleksiak será certamente um nome muito tweetado no final destes Jogos Olímpicos. Katerine Savard, Taylor Ruck, Brittany MacLean e Penny Oleksiak superiorizaram-se à China, chegando ao bronze com 7:45.39.

Phelps e Campbell puxam dos galões nas meias finais

A recordista do mundo dos 100 metros livres, Cate Campbell (Austrália) cumpriu a sua tarefa de forma exemplar, quebrando por duas vezes o record olímpico, primeiro nas eliminatórias com 52.78 e depois nas meias finais com 52.72. Em ambas as provas pareceu ter margem de progressão para a final, mas vai ter de se cuidar com a canadiana Penny Oleksiak que na meia final nadou ao lado da australiana fazendo 52.73, novo record do mundo do juniores (única júnior abaixo de 53′).

Nos 200 metros costas masculinos, mais um teenager em destaque. O russo Evgeny Rylov, de 19 anos, foi o primeiro qualificado para a final, à frente do campeão do mundo Mitchell Larkin (Austrália). 1:54.45 foi o tempo do russo.

A australiana Taylor McKeown, sendo uma nadadora a ter em conta, não é uma das principais favoritas na prova de 200 metros bruços femininos, mas isso não a impediu de se qualificar para a final de forma autoritária no primeiro lugar com 2:21.69. Destaque para o falhanço no apuramento para a final de várias nadadoras que tinham hipóteses de chegar às medalhas: Victoria Gunes (Turquia), Jessica Vall (Espanha) e Kanako Watanabe (Japão).

A meia final que mais nos interessava no dia hoje era a dos 200 metros estilos. Em primeiro lugar porque nadava Alexis Santos (participação que desenvolveremos mais à frente) e depois porque Michael Phelps ia medir forças com Ryan Lochte. No frente-a-frente entre os dois nadadores mais medalhados de sempre, para já Phelps levou vantagem. Qualificou-se para a final com o melhor tempo de 1:55.78 contra o 1:56.28 de Lochte.

Alexis histórico, Diogo aquém do seu melhor

Fonte: COP
Fonte: COP

A natação portuguesa não é uma modalidade com grande expressão a nível mundial (nem mesmo a nível europeu). Até à data o melhor que os nadadores portugueses conseguiram em Jogos Olímpicos foi a final (7º lugar) de Alexandre Yokochi nos 200 metros bruços em Los Angeles 84, seguido da final B (9º lugar) do mesmo nadador e na mesma prova em Seoul 88. Fora estas duas performances, nenhum nadador português tinha sequer passado as eliminatórias nuns Jogos Olímpicos.

O enguiço quebrou-se hoje nos 200 metros estilos com Alexis Santos! Na eliminatória conseguiu classificar-se no 12º lugar geral com o tempo de 1:59.67, novo record pessoal e assim ganhar o direito de nadar à noite.

Na meia final voltou a repetir o 12º lugar, com um tempo ligeiramente superior ao que tinha feito nas eliminatórias. 2:00.08 é a marca que representa a terceira melhor classificação de sempre da natação portuguesa em Jogos Olímpicos.

O recordista nacional dos 200 metros estilos Diogo Carvalho vinha a esta prova com fortes aspirações, uma vez que se qualificou para estes Jogos Olímpicos há mais de um ano e só nadaria esta prova. Partiu forte e determinado a bater o seu record nacional de 1:59.39 que lhe daria acesso à meia final. Acabou por quebrar e acabou a prova com 2:00.17, no 19º lugar. Diogo cumpriu os seus terceiros Jogos Olímpicos e quer em Pequim, quer em Londres tinha sido 18º classificado nesta prova. Duro golpe ficar tão perto da meia final pela terceira vez.

A participação portuguesa na natação em piscina termina amanhã com a campeã europeia de juniores Tamila Holub, que nadará os 800 metros livres.


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