18 Ago, 2017

Rasovszky e Bruni triunfam no Sado

João BastosJunho 25, 20179min0

Rasovszky e Bruni triunfam no Sado

João BastosJunho 25, 20179min0

Pela 11ª vez, o Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal, recebeu a elite mundial das águas abertas que vieram disputar a etapa portuguesa (e única na Europa este ano) do circuito mundial, no dia 24 de Junho

Os grandes atractivos da prova setubalense eram, à partida, o campeão olímpico e europeu e vice-campeão mundial, Ferry Weertman e a vice-campeã olímpica e bi-campeã da Taça do Mundo, Rachele Bruni.

Outro atractivo era saber as condições em que a prova iria ser disputada. Nesta etapa a norma relativa aos fatos isotérmicos já estava válida, ou seja, se a água do Sado estivesse abaixo dos 18ºC, o uso do fato seria obrigatório, se estivesse entre os 18 e 20ºC seria facultativo e acima dos 20ºC proibido. Com o histórico da prova de Setúbal, a probabilidade maior era que a temperatura da água estivesse abaixo dos 20ºC, proporcionando um teste de utilização dos fatos isotérmicos na última prova antes do Mundial da Hungria.

Assim não foi, uma vez que a prova se disputou a uma temperatura média da água de 21,2ºC.

Não foi a temperatura a variante externa que determinou o decorrer da prova, mas sim a corrente marítima e as estratégias utilizadas quer na prova masculina, quer na prova feminina que fizeram com que ambas fossem as mais rápidas de sempre disputadas na baía de Setúbal.

Foto: Luís Filipe Nunes

Kristof Rasovszky vence e convence

A prova masculina começou a um ritmo alucinante. Logo desde o tiro de partida, o húngaro Kristof Rasovszky veio para a frente e imprimiu um ritmo muito forte na primeira de 5 voltas ao circuito de 2km, a qual nadou sempre 15/20 metros à frente do pelotão.

A consequência foi colocar muitos dos adversários desde logo em dificuldade e convidar outros nadadores a juntarem-se-lhe na tarefa de continuar a endurecer a prova.

Assim foi desde a segunda volta, quando Rasovszky baixou para o miolo do pelotão, mas o ritmo continuou forte, patrocinado por alemães e italianos que se revezavam na frente da prova.

De resto, os nadadores alemães, quer na prova masculina, quer na prova feminina, tinham de fazer pela vida, uma vez que a selecção para os mundiais seria constituída com base nos resultados da etapa de Setúbal. Por isso Muffels, Reichert, Waschburger e Studzwski nunca se esconderam durante a prova.

A disputa italo-germânica foi animando a prova e foi fazendo esquecer o húngaro, até que na última volta fez com que toda a gente se voltasse a lembrar dele…de forma categórica, Rasovszky voltou a fazer na última volta o que já tinha feito na primeira: veio para a frente, impondo um ritmo que ninguém conseguiu acompanhar. Particularmente os últimos 800 metros foram nadados a um ritmo de tal forma elevado que o alemão Rob Muffels (um dos melhores terminadores do circuito) não se conseguiu aproximar do húngaro no sprint final.

A menos de um mês do mundial em sua casa, Kristof Rasovszky impôs-se com categoria e venceu a sua primeira etapa da Taça do Mundo na carreira. O húngaro tem apenas 20 anos de idade e é o campeão mundial júnior em título. Um nome a acompanhar com muita atenção agora no escalão de elite.

No segundo lugar chegou o vice-campeão mundial dos 5 km, Rob Muffels que assim garantiu a presença no mundial da Hungria, em representação da Alemanha.

A completar o pódio chegou um italiano. Não foi Ruffini nem Vanelli (aqueles que teriam maiores probabilidades de alcançar o pódio), mas sim o jovem, medalha de bronze nos mundiais de juniores do ano passado, Andrea Manzi.

A prova foi nadada abaixo de uma hora e meia (1:29:50.97 para Rasovsky), sendo a mais rápida de sempre em Setúbal.

Foto: Luís Filipe Nunes

No ranking mundial, Federico Vanelli (Itália) aproveitou a ausência de David Aubry (França) para assumir a liderança da Taça do Mundo. O sexto lugar conseguido em Setúbal deram-lhe 10 pontos, marcando agora um total de 38. Apesar de subir um lugar, viu aproximar-se o seu compatriota, campeão em título da Taça do Mundo, Simone Ruffini, que fez 5º em Setúbal (12 pontos) e tem agora 33 pontos, um a mais que Aubry que desceu ao terceiro lugar do ranking.

Ferry Weertman foi apenas 7º em Setúbal, mas ainda deu para ascender à 4ª posição da Taça do Mundo com 26 pontos.

Bruni confirma o favoritismo

À semelhança da competição masculina, a prova feminina foi marcada pelas estratégias de corrida que deram certo.

Assim como Rasovsky, também a sua compatriota Anna Olasz tinha a intenção de vir para a frente e partir o pelotão. E de facto conseguiu-o, fazendo descolar várias nadadoras, entre as quais a nossa olímpica Vânia Neves.

O problema de Olasz é que, ao contrário da prova masculina, na prova feminina as italianas tiveram sempre tudo sobre controlo e na terceira volta, um comboio formado por Rachele Bruni, Arianna Bridi e Giulia Gabrielleschi começou a comandar as operações. Atrás seguiam as germânicas Finnia Wunram e Svenja Zihsler (as mais cotadas Angela Maurer e Sarah Bosslet não conseguiram seguir no pelotão).

Italianas e alemãs mantiveram o domínio durante 4 km e na altura de todas as decisões, as italianas viram recompensado o seu esforço com a vitória a sorrir à vice-campeã olímpica Rachele Bruni, que assim vence a sua primeira etapa deste ano, melhorando as suas hipóteses de ser tri-campeã da Taça do Mundo.

A medalha de prata sorriu à meia surpresa Viviane Jungblunt, do Brasil. A nadadora de apenas 21 anos está no seu primeiro ano como titular da selecção brasileira na Taça do Mundo e, a julgar por este resultado, estamos perante mais uma nadadora brasileira de excelência nas águas abertas, no trilho de Poliana Olimoto (que não esteve em Setúbal) e Ana Marcela Cunha (que foi 5ª).

O terceiro lugar foi para o Equador e para Samantha Arevalo, ela que já tinha feito top-10 (7º) na etapa inaugural, na Argentina.

Foto: Luís Filipe Nunes

À sexta prova, Arianna Bridi ficou fora do pódio. Desta vez a italiana ficou no quarto lugar, mas conseguiu manter a liderança da Taça. Tem agora 50 pontos, apenas 3 a mais que Bruni. As duas italianas já levam uma vantagem considerável para o terceiro lugar, que agora é repartido entre Ana Marcela e Samantha Arevalos, ambas com 26 pontos.

Angélica no 8º lugar

Entre os 8 portugueses, o grande destaque vai para Angélica André. A nadadora do Fluvial Portuense tem dado grandes indicações para o Mundial e depois de ser campeã nacional, numa prova em que acompanhou os primeiros da classificação masculina, agora conseguiu fazer a melhor classificação de sempre de um português no circuito de Setúbal (Arseniy Lavrentyev foi 9º classificado no apuramento olímpico em 2012).

A nadadora portuguesa chegou a estar no segundo lugar da prova, antes do momento em que as italianas decidiram tomar a dianteira. Esta excelente classificação fez Angélica subir 2 degraus na hierarquia da Taça do Mundo, posicionando-se agora no 13º lugar geral do circuito.

Foto: Luís Filipe Nunes

Relativamente aos outros portugueses, Vânia Neves foi 26ª, numa prova de grande esforço motivada pelo facto de ter ficado sozinha muito cedo.

Nos masculinos os nadadores portugueses chegaram em posições consecutivas, mesmo que com alguma diferença de tempo entre eles. Rafael Gil foi 36º, Alexandre Coutinho 37º e José Carvalho 38º, nesta que foi a sua estreia em Setúbal.

Eva Carvalho e Mário Bonança não conseguiram terminar e Diogo Marques foi desqualificado.

Irmãos Ribeiro vencem Mass Event

Da parte da manhã, como acontece em todas as etapas da Taça do Mundo, aconteceu o evento aberto. O Mass Event associado à Taça do Mundo pretende promover a vertente das águas abertas entre todos os que a queiram praticar.

Este ano os cerca de 240 inscritos, entre os quais se contavam os antigos nadadores olímpicos Arseniy Lavrentyev e Miguel Arrobas, cumpriram um circuito de 1660 metros.

No final foram Hugo e Soraia Ribeiro que se superiorizaram, sendo ambos secundados por jovens nadadores que cada vez mais se afirmam nas águas abertas.

Ao pódio subiram os 10 primeiros em masculinos, as 10 primeiras em femininos e as 3 melhores equipas.

O top-10 masculino ficou assim organizado:

  1. Hugo Ribeiro (ESJB)
  2. Diogo Nunes (CFP)
  3. Paulo Frota (FBS)
  4. José Freitas (CFP)
  5. André Santos (CNATRIL)
  6. João Serra (ACM)
  7. Edgar Santos (SFUAP)
  8. Gonçalo Bárbara (Portinado)
  9. José Ventura (FBS)
  10. Marco Vantaggiato (CNLA)

Foto: Luís Filipe Nunes

No top-10 feminino ficaram:

  1. Soraia Ribeiro (ESJB)
  2. Alexandra Frazão (Individual)
  3. Ana Rita Queiroz (FBS)
  4. Maria Beatriz Dias (CNRM)
  5. Beatriz Carvalho (CNRM)
  6. Rita Ribeiro (FBS)
  7. Susana Mateus (CNLA)
  8. Ana Gervásio (ACM)
  9. Marina Zaborskaya (FCF)
  10. Joana Amaral (Sobral M. Agraço)

Foto: Luís Filipe Nunes

A FPN e a Câmara Municipal de Setúbal já garantiram que até 2021 os melhores do mundo continuarão a vir a Setúbal disputar uma das etapas de maior referência mundial.

Até para o ano!


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