23 Nov, 2017

Os melhores do mundo em Setúbal

João BastosJunho 20, 201711min0

Os melhores do mundo em Setúbal

João BastosJunho 20, 201711min0

A terceira etapa da Taça do Mundo de Águas Abertas disputa-se no Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal. O circuito mundial traz a Portugal a elite das águas abertas no próximo dia 24 de Junho

Desde 2006 que Setúbal acolhe a Taça do Mundo de Águas Abertas da FINA, tendo servido de prova de qualificação para dois Jogos Olímpicos (Londres e Rio).

Já considerado o “santuário” das AA em Portugal, a baía de Setúbal, situada no estuário do Sado, é considerada um dos melhores locais do mundo para a prática desta variante da natação.

Paralelamente à maratona de 10 km, a Federação Portuguesa de Natação organizará o “Mass Event”, uma prova aberta de cerca de 1660 metros (equivalente a uma volta do circuito da prova principal) aberta a todos os interessados, com idade superior a 14 anos.

Na prova principal participarão os melhores nadadores de águas abertas do mundo, entre os quais 8 portugueses: Vânia Neves, Angélica André e Eva Carvalho no sector feminino, Rafael Gil, Mário Bonança, Alexandre Coutinho, Diogo Marques e José Carvalho.

A nível internacional, Setúbal vai receber uma autêntica chuva de estrelas das águas abertas. Fazemos o destaque a 10 delas, 5 no sector masculino e 5 no feminino, começando pelas senhoras.

Ana Marcela Cunha (Brasil)

Foto: Surto Olímpico

É a maior vencedora de etapas da Taça do Mundo, empatada com a sua compatriota Poliana Okimoto, ambas com 16 vitórias. O facto de Poliana estar ausente desta etapa abre a porta a Ana Marcela para se isolar como a maior ganhadora de etapas do circuito mundial.

No entanto a brasileira foi submetida a uma intervenção cirúrgica delicada em Outubro último (teve de retirar o baço) e ainda anda à procura da melhor forma.

Actualmente é a 8ª classificada no ranking da Taça do Mundo, sendo que a sua melhor classificação foi logo na etapa inaugural, na Argentina, com o 5º lugar.

Tem apenas 25 anos mas já venceu por três vezes o circuito da Taça do Mundo (2010, 2012 e 2014), para além de ser bi-campeã do mundo, mas dos 25 km.

O foco da brasileira deverá ser o mundial na Hungria mas é sempre preciso contar com ela, sobretudo porque é a única nadadora do sector feminino que já venceu em Setúbal por mais de uma vez: foi nas edições de 2008 e de 2014.

Angela Maurer (Alemanha)

Foto: Andrea D’Errico

A experientíssima alemã, de 41 anos, continua a ser uma das maiores especialistas do mundo na vertente. No ano passado não esteve em Setúbal e consequentemente falhou os Jogos Olímpicos, mas não foi o fim da carreira de Maurer.

Nesta fase, já não será a principal favorita à vitória, até porque a sua última vitória numa etapa da Taça do Mundo remonta a 2011…precisamente em Setúbal!

Mas a campeã do mundo de Roma 2009 tem sempre de ser referenciada. Tem no currículo 6 etapas e três vitórias finais no circuito, a maior vencedora da classificação final da Taça do Mundo, apenas igualada por Ana Marcela.

Este ano participou na etapa de Abu Dhabi e classificou-se num discreto (para ela) 14º lugar.

Anna Olasz (Hungria)

Foto: jinchen.us

Anna Olasz é actualmente a vice-campeã mundial dos 25 km. Na Taça do Mundo não tem grande histórico em termos de vitórias de etapas. Apenas venceu uma, em 2014, em Hong Kong, mas logo no ano seguinte foi a vice-campeã do circuito, pelo que parecia que Olasz ia, finalmente, começar a “carburar”.

Assim (ainda) não foi, mas a húngara tem apenas 23 anos e, numa modalidade que oferece aos praticantes uma longevidade tão elevada, ainda vai bem a tempo de expressar todo o seu talento.

Este ano só participou na 2ª etapa (Abu Dhabi) e mal se deu pela presença dela, já que foi apenas 23ª classificada, mas os Mundiais no seu país aproximam-se e espera-se que já se apresente a um nível muito mais elevado.

Arianna Bridi (Itália)

Foto: Open Water World University Games

Arianna Bridi promete ser a grande referência da modalidade nos próximos anos. Tem apenas 21 anos e começou a dar nas vistas ao ser medalha de bronze nos Europeus do ano passado, na prova dos 10 km e não demorou até obter a sua primeira vitória em etapas da Taça do Mundo. Foi em Agosto, no Lac Megantic.

A partir daí teve um registo incrível: nunca ficou fora do pódio em nenhuma etapa (mais duas em 2016 e duas em 2017)

A italiana tem estado em grande este ano, liderando o ranking da Taça do Mundo. Abriu o ano com uma vitória na Patagónia e fez terceiro lugar nos Emirados Árabes Unidos.

Já é um caso sério na modalidade e uma das apostas mais certa para poder vencer em Setúbal.

Rachele Bruni (Itália)

Foto: DAO spa

A vice-campeã olímpica tem sido a mais recente dominadora da Taça do Mundo. É bi-campeã do circuito e já é a terceira maior vencedora de etapas. Venceu 7, repartidas apenas entre os anos 2015 e 2016.

Uma dessas vitórias foi precisamente em Setúbal, há dois anos.

Actualmente está em boa posição para voltar a revalidar o seu título. É segunda classificada, atrás da sua compatriota Arianna Bridi, com 9 pontos de atraso. Participou nas duas etapas deste ano, fazendo um 2º e um 5º lugar (curiosamente sempre empatada com outra nadadora).

De resto, a nadadora italiana é uma especialista em partilhar medalhas, ela é a actual campeã europeia dos 10 km, tendo empatado com a francesa Aurelie Muller.

Rachele Bruni tem 26 anos e surge como a herdeira mais directa da dinastia de nadadoras italianas de águas abertas como Martina Grimaldi ou Alice Franco.

Face ao lote de nadadoras presentes em Setúbal, e tendo em conta a ausência de Sharon van Rouwendaal, Poliana Okimoto e Aurelie Muller, Bruni é para nós a principal favorita em Setúbal.

Allan do Carmo (Brasil)

Foto: CBDA

O brasileiro de 27 anos é um dos nadadores presentes com melhor currículo em Taças do Mundo. Venceu o circuito em 2014 e no total de todas as edições já conquistou três etapas. Foi também vice-campeão no já longínquo ano de 2009, o ano em que Thomas Lurz não deu hipótese a ninguém (venceu 8 etapas consecutivas).

Setúbal é uma prova talismã para Allan, visto que a sua melhor classificação foi o 2º lugar no ano em que venceu o circuito.

No ano passado a aposta foram os Jogos Olímpicos caseiros, mas o 18º lugar final soube a pouco ao brasileiro.

Este ano já cumpriu as duas primeiras etapas da Taça do Mundo, classificando-se no 6º lugar na Argentina e no modesto 16º lugar em Abu Dhabi, ocupando actualmente a 9ª posição no ranking do circuito.

Christian Reichert (Alemanha)

Foto: Orthomol Sport

Reichert tem uma malapata com Setúbal. Nunca ganhou mas é o nadador que mais vezes fez segundo lugar na etapa do Sado. Já foi três vezes vice-campeão da etapa, as últimas duas nas duas últimas edições.

O alemão, de 32 anos, foi o vencedor final da Taça do Mundo em 2015 e no ano passado não apostou na defesa do seu título mas apontou baterias para os Jogos Olímpicos. O 9º lugar também não correspondeu às suas expectativas e este ano também não lhe está a correr propriamente bem. Apenas participou na 2ª etapa do circuito ficando no 13º lugar.

Reichert é bi-campeão mundial na estafeta mista de 5 km, uma prova onde os alemães voltam a ter argumentos para voltar a vencer este ano e a qual Reichert deverá integrar.

Federico Vanelli (Itália)

Foto: Giorgio Perottino

O italiano estará a olhar para Setúbal como uma etapa decisiva no seu objectivo de ser vencedor da Taça do Mundo. É que neste momento está no segundo lugar do ranking, com 28 pontos, a apenas 4 do líder francês David Aubry que não vem a Setúbal.

Federico até este ano só tinha dois pódios em etapas da Taça. Um segundo lugar em 2013 e um terceiro lugar no ano passado, mas este ano começou em grande ao vencer logo a primeira etapa. Na segunda etapa foi 7º classificado, a mesma posição que fez nos Jogos Olímpicos.

É campeão da Europa da estafeta mista de 5 km, pela fortíssima equipa italiana, e é também vice-campeão europeu individual dos 5 km.

Ferry Weertman (Holanda)

Foto: Kevin Lamarque

Tem, forçosamente, de ser considerado o grande favorito a vencer a etapa de Setúbal. Apesar de nunca ter vencido a etapa portuguesa, é o Campeão Olímpico em título. O jovem holandês de 24 anos (faz 25 apenas três dias depois da etapa setubalense) não é um habitué da Taça do Mundo, mas parece querer passar a ser.

Este ano já fez segundo lugar na etapa de Abu Dhabi e com o aproximar do Mundial, onde ele deverá querer subir um lugar em relação a 2015 (onde foi vice-campeão mundial dos 10 km), o Ferry Boat deverá vir com tudo.

Depois de ser campeão europeu e olímpico no ano passado, este ano o plano deverá passar pelo Campeonato do Mundo e, de caminho, levar também a Taça do Mundo.

Simone Ruffini (Itália)

Foto: Roman Kruchinin

À partida será o principal opositor de Weertman à vitória.

Ele é o actual campeão da Taça e campeão mundial dos 25 km e foi um dos muitos nadadores que esteve na discussão do título olímpico até ao sprint final, uma situação que não lhe seria vantajosa, visto que os seus 67 kg não lhe conferem o poder físico para ser um nadador com uma ponta final extraordinária. Acabou por ficar com o 6º lugar.

Na Taça do Mundo, para além da vitória no circuito do ano passado, já conta no seu currículo com 4 vitórias em etapas. Nunca em Setúbal, onde de resto, nunca subiu ao pódio. Talvez seja este ano…

Há vários outros nadadores que poderíamos aqui referir pelo currículo que apresentam, como Sarah Bosslet, Finia Wunram e Yumi Kida no sector feminino ou Diogo Vilarinho, Ivan Enderica ou Andreas Waschburger no sector masculino. Também elas e eles estarão na luta, que promete ser renhida, na Baía de Setúbal.


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