22 Out, 2017

A caminho do Mundial: 10 teenagers a seguir com atenção

João BastosJunho 15, 201710min0

A caminho do Mundial: 10 teenagers a seguir com atenção

João BastosJunho 15, 201710min0

Com os Campeonatos do Mundo de Desportos Aquáticos à vista, o Fair Play elabora uma série de 10 artigos sobre os potenciais destaques em Julho, na Hungria. No sétimo lançamos um olhar sobre 10 nadadores candidatos ao prémio revelação em Budapeste

Em todas as edições dos campeonatos do mundo de natação há nadadores que se consagram, outros que se confirmam e outros que se revelam. Nem sempre têm de ser nadadores extremamente jovens (sub-20). Por exemplo, em Kazan, Ning Zetao, na altura com 22 anos, foi provavelmente a maior surpresa entre os vencedores, com o seu título mundial dos 100 livres. Já Sarah Sjöström deu-se a conhecer ao mundo nos mundiais de Roma quando foi campeã do mundo dos 100 mariposa com apenas 15 anos.

Por aqui, tentamos olhar para 10 nadadores com menos de 20 anos que podem ser destaque em Budapeste, mas antes temos de dar duas notas:

NOTA 1: Não consideraremos nadadores que, apesar de terem menos de 20 anos, já têm uma carreira internacional de relevo como Penny Oleksiak, Taylor Ruck ou Ruta Meilutyte.

NOTA 2: Não consideraremos nadadores norte-americanos porque ainda não decorreu a selectiva. Caso contrário Michael AndrewMallory Comerford estariam na lista.

Li Bingjie (China)

Uma lista de jovens talentos na natação sem chineses, não é lista. E na verdade, quase que dava para fazer esta lista só com chineses…

Li Bingjie tem apenas 15 anos e foi um dos destaques do nacional chinês em Abril último. Tornou-se na segunda melhor do ano aos 400 e 800 metros livres (escusado será dizer que Ledecky lidera o ranking nessas provas).

Chega ao mundial com recordes pessoais de 4:02.52 aos 400 e 8:20.89 aos 800. O seu tempo na prova de 400 metros dar-lhe-iam pódio em qualquer mundial, à excepção do atípico mundial de Roma.

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Ariarne Titmus (Austrália)

A segunda teenager está relacionada com a primeira, uma vez que Ariarne será uma rival directa de Bingjie. Nas listas do ano, o nome da australiana de 16 anos surge logo a seguir ao da chinesa, ou seja, ela é a #3 do mundo nos 400 e 800 livres.

Se no mundial a ordem for a que o ranking agora apresenta, ironicamente a veterana do pódio seria Katie Ledecky, que tem apenas 20 anos.

Os trials australianos correram de feição à jovem da Tasmânia que retirou 5 segundos ao seu tempo dos 400 metros, estabelecendo um novo record nacional do grupo de idade dos 16-17 anos em 4:04.82. Nos 800 melhorou 14 segundos para vencer a prova selectiva em 8:23.08.

Foto: Lauren Waldhuter

Kliment Kolesnikov (Rússia)

Numa lista de precoces talentos, é natural que as mulheres dominem. Esta não é excepção e apenas terá a presença de 3 homens. O russo, de 17 anos de idade, deveria estar a preparar a sua participação no Europeu de Juniores, prova em que já participou no ano passado, quando ainda era juvenil, vencendo os 50 e 100 costas.

A sua progressão este ano foi tão grande que a aposta passou a ser o mundial, com francas hipóteses de atingir o pódio, mas agora na prova de 200 metros costas. Os 1:55.49 feitos nos nacionais da Rússia colocam-no na terceira posição da hierarquia mundial, mas ainda faltam nadar os fortes americanos (sobretudo Ryan Murphy), no entanto, um nadador que ainda há um ano fazia 3 segundos pior do que tem agora, é de ter em consideração!

Foto: Swim Illustrated

Rikako Ikee (Japão)

O nome já não é estranho a muita gente. A japonesa, que completará 17 anos em 4 de Julho, é uma pré-destinada desde muito nova e mais uma condigna representante da grande geração de 2000.

Começou por se evidenciar nos Mundiais de Juniores em Singapura quando venceu os 50 e 100 mariposa (ambas as provas à frente de Penny Oleksiak) e ainda foi vice nos 50 livres.

No Rio de Janeiro foi 5ª classificada nos 100 mariposa com novo record do Japão de 56.86, mas os 50 mariposa parecem ser mesmo a sua grande especialidade e este ano é a segunda melhor do mundo na prova, só atrás da intocável Sarah Sjöström.

Foto: Zimbio

Mary-Sophie Harvey (Canadá)

aqui falámos sobre a poderosa equipa feminina que o Canadá está a formar. Na altura até metíamos Mary-Sophie no lote de estrelas a brilhar num futuro a médio prazo.

A verdade é que só passaram 4 meses desde esse artigo e a canadiana de 17 anos já subiu muitos degraus na hierarquia mundial. Nos trials canadianos qualificou-se para os mundiais nos 200 livres e 400 estilos, ocupando o 7º posto do ranking mundial nesta última.

Participou no Circuito Arena, nos EUA e deu boa conta de si, vencendo os 400 estilos em duas etapas, fazendo pódio em mais 6 ocasiões.

Com os seus 4:36.60 de record pessoal nos 400 estilos, já não vê o pódio muito longe, mas de uma nadadora que só esta época já retirou 6 segundos ao seu máximo podemos esperar que não fique por aqui.

Foto: Courtoisie

Nicolo Martinenghi (Itália)

A Itália tem uma grande tradição no estilo de bruços – basta lembrar nomes como Domenico Fioravanti, Davide Rummolo ou Paolo Bossini -, mas já não tem um pódio em mundiais desde a prata nos 100 bruços de Fábio Scozzoli em Xangai 2011.

Mas o jejum parece ter fim à vista. O nome da esperança italiana chama-se Nicolo Martinenghi e tem apenas 18 anos. O campeão europeu de juniores dos 100 bruços deu um salto qualitativo muito grande na presente época e apresenta-se nas listas mundiais com o 5º e 6º melhor tempo respectivamente nos 50 e 100 bruços. 26.97 e 59.46 são os tempos do italiano nas suas melhores provas.

São simultaneamente recordes do mundo de juniores.

Foto: Swim4Life

Marrit Steenbergen (Holanda)

Sempre que um holandês ou uma holandesa se comece a evidenciar nas provas rápidas de livres, há que não o(a) perder de vista.

Steenbergen tem 17 anos, já feitos este ano, e já foi medalhada em mundiais. Com apenas 15 anos nadou as eliminatórias da estafeta holandesa 4×100 livres que viria a ficar com a prata na final. Na altura fez o segundo percurso e nadou para um parcial de 54.72.

Um ano depois, nos Jogos do Rio, voltou a nadar a eliminatória da estafeta holandesa, mas os 53.31 feitos no segundo percurso deram-lhe o direito e a honra de nadar a final, abrindo a estafeta (54.29).

Este ano o estatuto continuou a aumentar e já vai ter direito a nadar uma prova individual, mas dos 200 livres. De qualquer forma, integrando uma estafeta 4×100 livres com Ranomi Kromowidjojo, Femke Heemskerk e Maud van der Meer, o ouro é sempre uma hipótese.

Foto: ANP

Shayna Jack (Austrália)

Cate Campbell fechou a porta ao mundial e abriu a janela de oportunidade a Shayna Jack. A velocista de 18 anos tornou-se recordista australiana do seu grupo de idades dos 100 livres com o tempo de 53.40, o que num país que já produziu tantos talentos nesta distância já é um excelente cartão de visita.

Shayna Jack é também a 6ª melhor australiana de sempre dos 100 livres e curiosamente a 6ª melhor do ranking mundial este ano.

Apesar de todas estas credenciais, não está convocada para nadar os 100, mas sim os 50 metros livres. É que mesmo sendo a 6ª melhor do ano nos 100, tem três australianas à sua frente, o que nem com a ausência de Campbell é suficiente para nadar esta prova.

Foto: Glenn Hunt

Tan Haiyang (China)

O nadador de 18 anos saltou para os radares da natação nos últimos campeonatos nacionais da China quando nadou os 200 metros estilos no tempo de 1:57.54, novo record mundial júnior (Phelps fez melhor, mas os recordes de juniores só são reconhecidos desde 2015).

Nesta prova Ryan Lochte é tetra-campeão, seguindo-se ao tri-campeonato de Michael Phelps, ou seja, é uma prova que está na eminência de partir em busca de novas referências (não dando já Lochte por acabado). Tan Haiyang e Michael Andrew partem na linha da frente da renovação.

Veja Haiyang (pista 5) a nadar para novo record mundial júnior:

Daria Ustinova (Rússia)

A russa, de 18 anos, também já não é uma desconhecida. Ainda no ano passado foi das poucas russas autorizadas a participar nos JO e classificou-se no 4º lugar da final dos 200 costas.

Também nos mundiais de Kazan, com apenas 16 anos, Daria ficou no 4º lugar, posição que a russa não deverá querer repetir pela terceira vez.

Este ano surge no 2º lugar do renhido ranking mundial dos 200 costas, a apenas 20 centésimos da líder Emily Seebohm e tem de ser considerada uma candidata à vitória.

Foto: Andrey Golovanov

É interessante observar que são as grandes potências da natação que apresentam as suas equipas mais renovadas e com jovens valores capazes de assegurar o futuro imediato dessas nações.

Para além dos 10 nadadores citados, há ainda que fazer menção de honra aos japoneses Nao Horomura, Suzuka Hasegawa e Hiroko Makino, aos chineses Menghui Zhu, Li Zhuhao e Ai Yanhan ou ao australiano Jack Cartwright.

Mas claro que a maior revelação é aquela que não se espera, por isso teremos de esperar pouco mais de um mês para ver em acção as novas estrelas da natação mundial.

*Este artigo é o sétimo de uma série de 10 antevisões do mundial de Budapeste:
1º – Adam Peaty, a perfeita imperfeição
2º – O regresso da prova rainha (versão masculina)
3º – O regresso da prova rainha (versão feminina)

4º – Os donos da casa
5º – A oportunidade de Le Clos
6º – Resgate do orgulho Aussie


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