17 Ago, 2017

Mundial de Andebol 2017 (Parte II) – Antevisão

Tomé BritoJaneiro 10, 201716min0

Mundial de Andebol 2017 (Parte II) – Antevisão

Tomé BritoJaneiro 10, 201716min0

Para concluir esta antevisão iremos fazer a análise dos Grupos C e D, bem como, uma pequena previsão para este Mundial. Dois grupos bastante equilibrados e nivelados por cima e onde com certeza iremos assistir a uma grande batalha pelos lugares de qualificação à Main Round? Qual a nossa aposta para vencer o Mundial? Bem, se leu com atenção a Parte I desta antevisão então certamente já sabe a resposta a esta pergunta.

GRUPO C – ROUEN

Grupo bastante nivelado por cima, com quatro seleções praticamente apuradas (Alemanha, Croácia, Hungria e Bielorrússia) restando apenas saber a ordem na classificação final. Alemanha e Croácia são candidatas à vitória final, enquanto que Hungria espera surpreender e a Bielorrússia fazer história. Já Arábia Saudita e o Chile devem lutar para não ficar em último do grupo.

ALEMANHA

Palmarés: 1 título Olímpico; 2 títulos Mundiais; 3 títulos Europeus
Treinador: Dagur Sigurdsson
Jogador-Chave: Uwe Gensheimer
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Depois de ter passado uma fase “menos boa” da sua história, a Alemanha parece ter-se reerguido sob o comando de Dagur Sigurdsson com a vitória no último Europeu e a medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos do Rio. Conhecidos pela garra e ambição que demonstram em cada jogo esta seleção Alemã tem tudo para voltar a chegar ao pódio em Mundiais, que já não alcançam desde 2007. Uwe Gensheimer, excêntrico ponta-esquerda, e Andreas Wolff, guarda-redes que devia ter sido o MVP do último Europeu, são as estrelas e as grandes bases de uma seleção muito equilibrada em todos os aspetos do jogo. Conjugam muita juventude (Paul Drux) com alguma experiência (Patrick Wiencek) o que por vezes pode ser mau, mas a Alemanha já provou no último Europeu que até mesmo “miúdos” podem levar um país à glória. Jogam um Andebol muito aguerrido, nunca desistindo de um ataque tentando sempre até à última encontrar uma boa situação de remate e na defesa são bastantes coesos cometendo poucos erros. Podem não dar o maior espetáculo de Andebol mas jogam sempre pela certa e com o objetivo de vencer qualquer jogo.

(Foto: Timeout Magazine)

CROÁCIA

Palmarés: 2 títulos Olímpicos; 1 título Mundial
Treinador: Zeljko Babic
Jogador-Chave: Domagoj Duvnjak
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Capazes do melhor (vitória por 14 golos frente à Polónia no Euro 2016) e do pior (6º lugar no Mundial de 2015) esta Croácia é uma seleção muito difícil de prever. O grupo em que estão inseridos permite-lhes o apuramento (quase) automático, mas a partir da Main Round tudo pode acontecer à seleção dos Balcãs. Domagoj Duvnjak, visto por muitos como o melhor jogador da atualidade tal é a sua capacidade de fazer a diferença tanto na defesa como no ataque, lidera esta seleção bem secundado por Manuel Strlek ou Marko Kopljar. São conhecidos por jogarem muito para os 6 metros (apesar de contarem com jogadores bastante altos) e utilizar muito o contra-ataque dos pontas. Uma das histórias a seguir nesta seleção é como Luka Stepancic vai jogar, visto que o jovem canhoto tem evoluído bastante de ano para ano e esta competição pode ser a sua grande afirmação. São uns dos grandes candidatos e tudo o que não seja pódio será considerado um fracasso.

A afirmação de Luka Stepancic? (Foto: Getty Images)

BIELORRÚSSIA

Palmarés:
Treinador: Yuri Shevtsov
Jogador-Chave: Siarhei Rutenka
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Esta irá ser a 4ª participação da Bielorrússia em Mundiais e pela “sorte” que tiveram no sorteio pode bem vir a ser a 1ª vez que se qualificam para a Main Round. Basta cumprir contra Chile e Arábia Saudita e logo aí esta nação já poderá fazer história, tudo o que vier a seguir será um extra. Siarhei Rutenka, o melhor jogador da história da Bielorrússia, deverá realizar a sua última competição pelo seu país, ele que já leva mais de 400 golos pela sua seleção. Para este mundial o selecionador Shevtsov decidiu dar continuidade à renovação da seleção, sendo vários os jovens promissores que fazem parte da convocatória (destaque para Artsem Karalek, pivot, e Uladzislau Kulesh, lateral-esquerdo). Contudo, apesar da renovação, a ideia de jogo deverá continuar a passar por fazer uso da maior capacidade dos laterais no tiro exterior e pelo que Pukhouski conseguirá criar a central. Partem para este mundial com boas esperanças de ultrapassar a primeira fase e fazer história.

Para fazer história? (Foto: France Handball 2017)

HUNGRIA

Palmarés:
Treinador: Xavi Sabate
Jogador-Chave: Laszlo Nagy
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo

Uma das boas seleções da Europa mas que ultimamente tem carecido de algo para chegar mais longe. Com um novo selecionador que está mais decidido em alcançar pódios do que em renovar, como Dujshebaev tinha expressado quando estava no cargo, a Hungria pode chegar longe nesta competição caso tudo corra a seu favor. Uma coisa é certa, talento não lhes falta. Mikler é dos melhores guarda-redes da atualidade, Jamali (Iraniano de origem) está cada vez melhor e com mais confiança e Laszlo Nagy, apesar dos 35 anos ainda consegue fazer a diferença no ataque mantendo-se como um excelente defensor. Uma equipa que defende excecionalmente bem, ou não contasse com grandes defensores como Schuch ou Szolossi, tendo aqui a sua grande força e que no ataque, apesar de não serem muito móveis e de os laterais utilizarem essencialmente o seu “corredor” de ação, possuem jogadores discretos mas muito eficazes (foram a equipa com a melhor média de eficácia no Euro 2016 com 78%). Com um bom 7 inicial e um banco de qualidade esperem podem esperar um bom mundial da Hungria.

Laszlo Nagy ainda é a estrela da Hungria (Foto: Getty Images)

CHILE

Palmarés:
Treinador: Mateo Garralda
Jogador-Chave: Marco Oneto
Previsão FairPlay: 5º lugar do grupo

Quaisquer hipóteses do Chile conseguir pontuar em França vão depender de Marco Oneto e se o pivot recupera da sua lesão ou não. O recentemente confirmado jogador do Sporting é um excelente defensor, um dos melhores dos últimos anos mesmo, e no ataque costuma fazer a diferença com o seu físico ao abrir grandes espaços da defesa adversária. Caso Oneto jogue o Chile pode aspirar a conseguir pelo menos uma vitória neste grupo, mas sem o pivot tal vai ser bastante complicado. De qualquer maneira, são uma seleção limitado mas que conta com bons jogadores como Rodrigo Salinas, excelente atirador, ou Emil Feuchtmann, central muito rápido e inteligente nos seus movimentos e ataques. Não se pode esperar muito desta seleção que deverá ir lutar pela President’s Cup.

Marco Oneto ao serviço do Chile (Foto: Emol)

ARÁBIA SAUDITA

Palmarés:
Treinador: Nenad Klajic
Jogador-Chave: Mohamad Alnassfan
Previsão FairPlay: 6º lugar do grupo;

Difícil de dizer o que se esperava desta seleção do Médio Oriente, que só está presente neste mundial devido ao Qatar ter garantido a qualificação por terem sido 2º classificados no mundial 2015. São poucos os jogadores relativamente conhecidos, tendo em Mohamad Alnassfan, guarda-redes muito rápido de movimentos e com grandes reflexos, o seu jogador mais brilhante. Outros bons nomes são os de Aljanabi e Alsalem, que marcaram 25 e 22 golos respetivamente no mundial do Qatar em 2015. Deverão lutar com o Chile para não ficarem em último do grupo.

Mohamad Alnassfan, o bom guarda-redes da Arábia Saudita (Foto: HandNews)

GRUPO D – NANTES

Este é um grupo que tem desde logo duas seleções praticamente apuradas, “As irmãs Nórdicas” Dinamarca e Suécia, com o Qatar a tentar intrometer-se na luta pelo 1º lugar. No entanto Egipto e Argentina são seleções muito perigosas e não seria uma grande surpresa se eliminassem já o Qatar, estando aqui a grande “diversão” do grupo. Por último o Bahrain não deverá fugir ao 6º e último lugar do grupo.

QATAR

Palmarés: 2 torneios Asiáticos
Treinador: Valero Rivera
Palmarés: Daniel Saric
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Talvez a seleção mais odiada no mundo do Andebol pela controvérsia que houve com as arbitragens e jogadores naturalizados no mundial 2015, onde terminaram o mundial em 2º lugar a jogar em casa. Se deixarmos de parte estes problemas, podemos ver que o Qatar tem bastante qualidade na sua seleção, Zarko Markovic é um atirador de elite, Capote é um lateral muito completo e Daniel Saric já foi um dos melhores guarda-redes do mundo, tendo mesmo terminado o último mundial com 35% de eficácia de defesas. No entanto, apesar do nome de Markovic e Capote, o jogador mais importante no ataque do Qatar é Mallash. Central muito desvalorizado, que privilegia o jogo coletivo e que faz mexer o ataque Qatari, sem ele, não estaríamos perante os segundos classificados do último mundial certamente. A defesa, apesar de terem bons defensores, não é a melhor com os jogadores a ficarem muito parados nos 6 metros e a pressionarem pouco o portador da bola. Tendo em conta o grupo em que estão inseridos deverão conseguir o apuramento à Main Round mas nada mais.

Daniel Saric, outrora dos melhores guarda-redes (Foto: HandNews)

DINAMARCA

Palmarés: 1 título Olímpico; 2 títulos Europeus
Treinador: Gudmundur Gudmundsson
Jogador-Chave: Mikkel Hansen
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Um país de Andebol e um dos que tem mais história no desporto. Depois da conquista do último torneio Olímpico a Dinamarca parte para este mundial com a confiança em alta e com a ambição de chegar ao seu 1º título da competição. Para tal a base da equipa mantém-se, com Mikkel Hansen, melhor jogador do Mundo para a IHF e que dispensa apresentações, e Niklas Landin, para muitos o melhor guarda-redes da atualidade, como líderes da equipa. São uma seleção pouco regular, mas que nos momentos de maior pressão raramente vacila, sendo exemplo disso os Jogos do Rio. O ataque pode parecer básico à partida, muito tiro exterior e em momentos de aflição tentar largar para o pivot ou pontas, mas é bastante eficaz e tem dado resultado. A defesa conta com defensores de elite e tem um estilo bastante agressivo mas às vezes um pouco atabalhoado, sendo usuais os erros nas trocas durante cruzamentos. Contudo, têm tudo o que é preciso para alcançar o pódio ou a vitória final.

Os jogadores Dinamarqueres festejam a conquista do título Olímpico (Foto: The Indian Express)

SUÉCIA

Palmarés: 4 títulos Mundiais; 4 títulos Europeus
Treinador: Kristjan Andresson
Jogador-Chave: Lukas Nilsson
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Mais um país de Andebol e que conta com um palmarés gigante mas que está em “seca” desde 2002, quando conquistaram o seu último europeu. Juventude é a palavra de ordem desta seleção, visto que contam com uma média de idades abaixo de 26 e o seu selecionador conta apenas 36 anos. São exemplos desta juventude Lukas Nilsson, lateral de 20 anos que tem tudo para chegar ao topo do Andebol mundial, ou Jerry Tollbring, ponta esquerda de 20 anos que tem fascinado os adeptos de andebol com os seus grandes jogos na EHF Champions League. Com uma seleção tão jovem podemos esperar um andebol muito rápido no ataque e com constantes cruzamentos. Na defesa Mattias Andersson, guarda-redes, aos 38 anos ainda demonstra qualidade e é o líder no verdadeiro sentido da palavra da equipa, contando com a ajuda de Nicklas Ekberg ou Tobias Karlsson para serem uma espécie de mentores aos mais novos. Têm uma seleção bastante completa e quem sabe se com tanta juventude não estaremos perante uma “Alemanha versão Euro 2016”?.

Lukas Nilsson, o novo menino do Andebol mundial (Foto: Handbal123)

EGIPTO

Palmarés: 6 títulos Olímpicos
Treinador: Marwan Ragab
Jogador-Chave: Ahmed El-Ahmar
Previsão FairPlay: 5º lugar do grupo;

Estamos perante uma seleção que à para o mais desatento adepto não parece ter quaisquer chances de apuramento, mas que na verdade pode vir a lutar por um lugar na Main Round contra a Argentina e Qatar. O Egipto é como que uma seleção de surpresas, em 2012 nos Jogos Olímpicos venceram a Suécia e no último mundial conseguiram o apuramento para os oitavos deixando para trás a favorita Republica Checa, portanto não é uma seleção que se deva descartar desde já. A estrela da companhia é Ahmed El-Ahmar, lateral direito, que já leva mais de 1300 golos pela sua seleção. Com um andebol muito físico e com jogadores bastante rápidos podemos estar perante uma das surpresas deste mundial.

Ahmed El-Ahmar, 1300 golos pelo Egipto (Foto: HandNews)

BAHRAIN

Palmarés:
Treinador: Jaafar A.Qader
Jogador-Chave: Al Salatna Jassim
Previsão FairPlay: 6º lugar do grupo;

A seleção mais fraca em prova e que não terá nenhumas hipóteses de sequer ficar perto de pontuar. O Bahrain e os seus jogadores partem para este mundial com apenas um objetivo, o de darem o seu melhor e de conquistarem a sua primeira vitória em mundiais, nesta que é a sua 2ª participação depois de 2011. Al Salatna Jassim, jogador do Al Khaleej da Arábia Suadita, é o nome maior desta seleção e por onde passa todo o andebol da equipa. Grandes adversidades esperam esta seleção no caminho pela 1ª vitória.

Jogadores do Bahrein festejam a qualificação para o Mundial (Foto: Gulf Daily News)

ARGENTINA

Palmarés: 6 títulos Pan-Americano;
Treinador: Eduardo Gallardo
Jogador-Chave: Diego Simonet
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Por último, temos a Argentina, uma das boas seleções fora do continente Europeu. Uma coisa é certa neste mundial para a Argentina, Diego Simonet “O Messi do Andebol”, vai poder jogar, depois de ter recuperado de uma grave lesão e logo aí as chances de apuramento desta seleção sobem drasticamente. É que o central/lateral-esquerdo tem um papel bastante importante na criação de espaços no ataque, ou não fosse ele um dos melhores jogadores da atualidade no um contra um, a sua grande força. Privilegiam o ataque, atacando com constantes cruzamentos e rápido circulação de bola para depois atacar os 6 metros rematando de fora apenas em última opção. Sebastian Simonet, irmão de Diego, é outra das estrelas, bem como Federico Pizarro, ponta muito eficaz nas suas ações. Naquele que deve ser o ultimo mundial do histórico Gonzalo Carou espera-se uma competição muito boa desta Argentina.

“O Messi do Andebol”, Diego Simonet (Foto: VAVEL)

PREVISÕES DO FAIR PLAY

Terminadas as análises a cada uma das seleções dos grupos C e D, está na hora de realizarmos umas previsões quanto ao que se vai passar neste mundial. O andebol é um desporto onde todos podem vencer todos, ou, no mínimo, empatar, dando como exemplo a Alemanha no Euro 2016, ou o empate entre Dinamarca e Argentina no mundial de 2015. Tendo isto em conta, vamos então passar às previsões:

Campeão: Espanha
Vice-Campeão: França
3º lugar: Dinamarca
4º lugar: Suécia

Melhor Marcador: Valero Rivera (Espanha)
MVP: Alex Dujshebaev (Espanha)

Surpresa: Suécia
Desilusão: Croácia

Da nossa parte, a antevisão está feita, tem já amanhã início este Mundial, que tem tudo, (jogadores, treinadores, organização,…) para ser fantástico. Não perca!


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