21 Out, 2017

Japão, um Mundo de surpresas – JO Rugby

Francisco IsaacAgosto 9, 20167min0

Japão, um Mundo de surpresas – JO Rugby

Francisco IsaacAgosto 9, 20167min0

Um dia em cheio com jogos de enorme sacrifício no Rugby Olímpico, com um “adeus” precoce a SBW, um Senatla a meia-velocidade e um Rawaca a duas velocidades. Japão a nova coqueluche do Mundo da Oval

A SurpresaJAPÃO

O rugby tem destas preciosidades, quando uma equipa dita pequena e que só lutará por um 2º lugar (no máximo dos máximos) decide contrariar o Mundo inteiro e faz algo perturbante… desta feita, foi atirarem a Nova Zelândia ao “tapete”. A equipa nipónica, que regressa em 2016/2017 ao World Series (campeonato Mundial anual de 7’s), entrou no jogo com “tudo”, ou seja, pararam as várias tentativas dos All Blacks em chegar aos ensaios com Akira Ioane e Gillies Kaka a esboçarem exibições de pouca qualidade (Kaka teve dois ou três momentos em que comprometeu a sua equipa). Mas foi, sobretudo, mérito do Japão que estudou bem a lição de como parar os neozelandeses, com uma defesa de artimanha (sempre que placavam, a preocupação era retirar a bola no ruck) onde bloquear a bola rápida era fundamental. Isto “atabalhoou” o jogo dos neozelandeses, por completo. A lesão de SBW e Webber (ambos estão fora do resto do torneio) aprofundaram o tremor de terra e o Japão, com um Lameki em estupenda forma, continuou a crescer. Não é obrigatório ser uma equipa fenomenal a atacar para “conquistar” o público, basta trazer eficiência, espírito e demonstrar que é possível “derrotar” um gigante a qualquer altura. A derrota (imerecida) frente à Grã-Bretanha não “beliscou” a categoria, o “coração” e a qualidade (aquele ensaio final frente aos bretões, já para lá da hora de jogo, em que entram numa brincadeira de offloads e passes brilhantes) que demonstraram até aqui e que podem surpreender no dia seguinte.

Jogador do Dia:  CECIL AFRIKA

Tínhamos dito que S. Senatla podia ser a grande figura dos Blitzbokke, mas o 1º dia foi totalmente de Cecil Afrika. Um dos recordistas mundiais, com 1,068 pontos marcados, decidiu montar o seu show privado na arena do Deodoro e garantir, desde logo, 2 vitórias para a sua África do Sul. O que foi notório no nº10 e capitão da África do Sul, foi a sua capacidade de liderança, forma de quebra de linha (Afrika é o protótipo de jogador a ser usado como modelo de conquista da linha de vantagem, com os timings certos para criar uma rotura defensiva) e killer instinct (2 ensaios e 5 assistências). A África do Sul está lançada para os quartos-de-final, como a selecção de topo e que está “sedenta” de ouro olímpico… se Senatla e Snyman conseguirem atingir o nível do seu capitão, serão imparáveis.

Momento do diaO BRASIL “EMPERRA” O JOGO FIJIANO

É verdade que os flying fijians acabaram por ganhar o jogo por 40-12, mas o Brasil deu “água pela barba” na 1ª parte aos fijianos. O momento do jogo ficou logo reservado, quando o Brasil consegue efectuar duas placagens e, de repente, roubam a bola conseguindo chegar à área de 22 dos seus adversários para depois meterem a bola à ponta e “Alemão” faz o 1º ensaio do jogo. Para uma selecção que nem consta no World Series e que está bem longe da capacidade técnica das mais fortes a nível Mundial, o Brasil paralisou (por 3 minutos) o Mundo dos 7’s com o ensaio e domínio territorial. Depois, lá apareceram os fijianos com o seu espectáculo de offloads, velocidade extrema e vontade de dizerem que são favoritos ao ouro.

Rant do dia: A negritude dos All Blacks

Paupérrimo, para não dizer mais. A equipa que tanto prometia que vinha ao Rio 2016 para ir às Medalhas, pode mesmo ficar fora de qualquer um dos lugares do pódio. O 1º jogo com o Japão foi uma verdadeira “caso de horrores”, com lesões do mais grave possível, falta de atitude e concentração dos jogadores (inexplicável, a desconcentração dos irmãos Ioane ou a passividade de DJ Forbes) e a parca noção ou inactividade do seleccionador neozelandês levou a um dia entre o negro e o cinzento. O que foi mais notório? A ausência total do espírito All Black, daquela sagacidade, vontade de dominar e alegria em jogar o jogo. Conseguirá Gordon Tietjens “revolucionar” os 7’s dos neozelandeses de uma dia para o outro? Ou chegou ao fim esta era de Tietjens?

Japão a "engolir" os All Blacks
Japão a “engolir” os All Blacks

Estratégia para “oferecer e vender”: FIJI SET AND GAME

As Ilhas Fiji continuam a ser imperiais na forma como jogam… podíamos colocar aqui a Grã-Bretanha com o seu estilo de jogo “agressivo”, duro e “manhoso” ou a classe, equilíbrio e eficácia da África do Sul mas são os fijianos que merecem a nossa atenção. Rapidez, destreza, offloads em exagero, capacidade de adaptarem-se às defesas mais mordazes (a Argentina apresentou, talvez, a melhor defesa da competição no jogo com os fijianos) e conseguirem manobrar o jogo à sua maneira. Não foi o dia de Rawaca, que foi mais uma “ferramenta” na mobilidade do que no “despertar” dos ensaios, mas foi um dia de bom rugby. A atitude defensiva e a pressão imposta sobre a linha de ataque adversária (vejam como o fizeram com a Argentina) “espreme” a capacidade imaginativa e estratégica de quem está no outro lado, para depois recuperarem a oval e seguirem até à área de validação. As duas vitórias colocam as Fiji como favoritas a seguir para os quartos-de-final no seu grupo… e quem sabe estão no caminho das Medalhas de Ouro ou Prata.

What a try!!: Taliga in the house

Quando os fijianos estavam a sentir os “ataques” dos argentinos, uma jogada daquelas inesquecíveis surge no seu jogo de mãos… Viriviri entra no contacto, é placado de forma exemplar por Moroní, mas aparece Taliga em full speed com Viriviri a esboçar um offload de ver e rever (uma ode ao “Reino dos Offloads”) para Taliga receber, quebrar a linha e dar o 21-14… o ensaio da vitória para as Fiji. É disto que são feitos os 7’s!

Nota FinalSBW UM “ADEUS” IMERECIDO

Foi retirado aos Jogos Olímpicos uma das estrelas mais brilhantes de toda a competição, Sonny Bill Williams. Uma lesão que se estipula entre 6 a 8 meses (rotura do ligamento cruzado) e que causou impacto no jogo neozelandês. É de estranhar que SBW tenha sido titular no jogo a abrir, quando nas World Series ocupou sempre um lugar mais de suplente que de titular e, de um momento para o outro, assumiu o lugar no 7 inicial. Apesar de ser um jogador letal, SBW não é um total e fenomenal jogador de 7’s… ainda tem muito (se continuar) para caminhar no seu desenvolvimento como atleta dos 7’s. Dizemos “adeus” a SBW… e terão os All Blacks dito “adeus” às medalhas?

Seguem-se amanha os restantes jogos dos grupos e quartos de final. Para terem acesso a toda a informação, ver: http://www.worldrugby.org/results

"Adeus SBW"
“Adeus SBW”


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