20 Nov, 2017

Giro d’Italia 100: a vitória do xerife Dumoulin

Davide NevesMaio 29, 20177min0

Giro d’Italia 100: a vitória do xerife Dumoulin

Davide NevesMaio 29, 20177min0

Tom Dumoulin venceu mesmo. O holandês, que andou 10 dias de camisola rosa, mostrou todo o trabalho do último ano e meio: melhorou na montanha e continuou o monstro que é nos contrarrelógios. Resultado? Primeira grande volta da carreira.

A Centésima edição do Giro d’Italia foi também aquela que mais emoção trouxe: já há muitos anos que os três primeiros do pódio não terminavam com apenas 40 segundos a separá-los. Nairo Quintana (Movistar) perdeu o Giro d’Italia por 250 metros. Quase que parece injusto. Mas não o foi. Já Tom Dumoulin (Sunweb), mesmo com paragens forçadas por forças “gástricas”, acabou por levar o primeiro Giro para a Holanda, que ontem sorriu por duas vezes. O Fair Play já tinha dado conta, nos dois anteriores pontos de situação (o primeiro, referente aos primeiros dias, o segundo, referente às duas semanas seguintes), que Bob Jungels (Quick-Step), primeiro, e Dumoulin, depois, estavam fortes, e com capacidade para mostrar a sua valia para com as suas equipas. Já sabemos o que o holandês venceu, mas o luxemburguês levou, pelo segundo ano consecutivo, a camisola branca, da juventude, para casa. Mas isso fica para mais tarde neste balanço. Vamos primeiro ao que aconteceu na última semana do Giro d’ Italia.

Passo dello Stelvio… no WC

Tom Dumoulin teve uma chamada da natureza. Perdeu mais de dois minutos neste dia.
Foto: The Sun

Na etapa-rainha do Giro, tivemos também um momento insólito: o líder Dumoulin parou… para evacuar. Algo que não acontece todos os dias numa prova destas dimensões. Esta paragem relançou o Giro, e Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) mostrou todos a sua técnica na descida, para vencer, dando a primeira (e única) vitória à Itália.

Na etapa seguinte, a fuga levou a melhor, com Pierre Rolland (Cannondale-Drapac) a vencer, quebrando um longo jejum de vitórias em grandes voltas. O segundo lugar coube ao português Rui Costa (UAE Team Emirates), que repetia o segundo posto pela segunda vez na prova. Uma etapa que não causou calafrios aos homens da geral, com a exceção de Jan Polanc (UAE Team Emirates), que subia ao top-10.

A etapa 18 viu Tejay van Garderen (BMC) a celebrar. O norte-americano, que desistiu de lutar pela geral, conseguiu pelo menos a vitória numa etapa, e começa a perceber que poderá não ter pernas para ser líder de equipa para três semanas. Quanto à Geral, Thibaut Pinot (FDJ), Domenico Pozzovivo (AG2R La Mondiale) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) mostravam que estavam na luta pelo pódio.

A camisola rosa muda de dono

A etapa 19 coincide com a recuperação de Quintana. O colombiano, apoiado por outros candidatos, ganharam tempo a Dumoulin e começava-se a acreditar que a vitória não iria para a Sunweb. Nairo Quintana recuperava assim a camisola rosa. Quanto à etapa, Mikel Landa venceu, deixando Rui Costa (novamente) no segundo lugar.

A etapa 20 era a mais importante até à altura. Se Quintana ganhasse qualquer coisa como um minuto a Dumoulin, venceria o Giro pela segunda vez. Ganhou-lhe apenas 15 segundos, e deixava a “maglia rosa” nas mãos (ou nos pedais) daquele que é, muito provavelmente, o melhor contrarrelogista do mundo. E a última etapa assentava muito bem no holandês.

Última etapa do Giro. Dumoulin partia como provável vencedor, e confirmou todo o favoritismo, mas não sem levar com a luta de Nairo Quintana, que fez, provavelmente, o melhor contrarrelógio da sua carreira. Mas não foi suficiente para derrotar o xerife. A vitória de etapa coube ao também holandês Jos van Emden (Lotto Jumbo). Dupla vitória para a Holanda, num domingo recheado de dobradinhas.

As classificações

Na geral, o pódio ficou fechado com os três favoritos, com Thibaut Pinot relegado para o quarto lugar, e Ilnur Zakarin a fechar o top-5. O resto do top-10 traduziu-se em Pozzovivo, Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Bob Jungels, Adam Yates (Orica-Scott) e Davide Formolo (Cannondale-Drapac). Destaque também para os surpreendentes Jan Polanc (11º lugar) e a sensação Jan Hirt (CCC), que arrebatou o 12º lugar. Menções honrosas para Maxime Monfort (Lotto Soudal) e Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe), 13º e 16º da geral, respetivamente.

A classificação geral
(Foto: ProCyclingStats)

No que diz respeito à camisola de montanha e à camisola de pontos, Mikel Landa (Sky) levou um pouco de justiça para a equipa, ao ser o rei da montanha e a terminar na 17ª posição da geral. Já Fernando Gavíria confirmou todo o seu potencial, e a juntar às múltiplas vitórias de etapa, levou também a camisola de pontos.

As classificações de pontos (em baixo) e de montanha (em cima).
(Foto: ProCyclingStats)

A camisola da juventude ficou com Bob Jungels, ao bater Yates no contrarrelógio. Formolo fechou o pódio. A camisola de equipas ficou com a Movistar, a melhor equipa da prova.

As classificações de equipas e da juventude.
(Foto: ProCyclingStats)

Os portugueses

José Mendes, a envergar a camisola de campeão nacional.
(Foto: Jornal Record)

Num Giro d’Italia com 3 portugueses, nenhum fez má figura, com os três segundos lugares de Rui Costa e com o excelente trabalho de José Mendes (Bora-Hansgrohe) e de José Gonçalves (Katusha-Alpecin), no apoio aos seus líderes.

No caso do ex-campeão do mundo, notou-se que poderia ter feito melhor, nomeadamente na etapa 17, depois do excelente trabalho da sua equipa.

Num Giro recheado de emoções, o Fair Play fez o resumo de todas as etapas, levando uma informação atualizada aos seus leitores. Assim, elevámos a fasquia e vamos lançar, esta quarta-feira, uma entrevista com um ciclista português, de World Tour. De Vila Nova de Famalicão para o mundo do ciclismo. Conseguem adivinhar quem é? Nós damos uma pista: correu ao lado do grande Fabian Cancellara.

O mês de Junho está cheio de ciclismo e o Fair Play irá acompanhar o Critérium du Dauphiné e o Tour de Suisse, bem como a antevisão do Tour de France, no fim do mês.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Posts recentes



Newsletter


Categorias


newsletter