20 Nov, 2017

Mundial de Futebol de Praia – Road to Bahamas (Parte I)

André CoroadoAbril 14, 20179min0

Mundial de Futebol de Praia – Road to Bahamas (Parte I)

André CoroadoAbril 14, 20179min0

O momento pelo qual milhares de fãs em todo o mundo esperavam aproxima-se a passos largos! O mundial de futebol de praia está à porta, aguardando a chegada do dia 27 de Abril para o pontapé de saída. A arena já está montada em Nassau, capital das Bahamas, que desta feita acolhem a prova num cenário de festa e compromisso com o desenvolvimento e expansão do futebol de praia ao redor do globo… e o Fair Play também entra em estágio com uma série de antevisões da prova!

Primeiramente, é nosso objectivo revelar a rota que as 16 equipas participantes seguiram rumo a Nassau, contando um pouco da História dos torneios de qualificação disputados nos cinco continentes. Hoje recordamos um pouco da qualificação europeia, desvendado o que aconteceu em África e na América do Sul antes de nos serem dados a conhecer os seus representantes no grande evento à escala global. Na segunda parte prosseguimos o nosso périplo ao redor do planeta lançando um olhar à América do Norte, Central e Caraíbas, à Ásia e à Oceania. Uma vez apresentadas as selecções em prova, passaremos a uma antevisão dos grupos e da competição como um todo, naquela que será a 9ª edição da prova organizada pela FIFA.

UEFA

Equipas Apuradas: Polónia, Suíça, Portugal, Itália

Campeão: Polónia

Surpresa: Polónia

Decepção: Rússia

É um facto aceite pela comunidade do futebol de praia mundial a crescente preponderância da Europa na conjuntura internacional da modalidade, conforme o atestam os bons resultados das equipas provenientes desta confederação nos campeonatos do mundo da FIFA (inclusivamente, as últimas 3 edições foram conquistadas por selecções do velho continente). Todavia, em 2017 o mundial voltará a contar com apenas 4 representantes europeias, o que se reflectiu num ciclo de batalhas duríssimas em Setembro do ano passado tendo em vista a selecção dos apurados.

Não podemos deixar de criticar o sistema vigente, denunciando a tremenda injustiça patente na limitação deste número, que resulta inevitavelmente na exclusão de grandes gigantes do futebol de praia mundial. Ainda assim, vale a pena sublinhar a dimensão do sucesso das 4 equipas qualificadas, entre as quais se encontra a selecção portuguesa. Os lusos estarão acompanhados pela Itália, que apesar de disputar o apuramento em casa não foi além da 4ª posição, da Suíça, vice-campeã do torneio que contou com os 25 golos de Dejan Stankovic, e da Polónia, a grande revelação da prova, que não só logrou ultrapassar o favoritismo de Ucrânia e Rússia na segunda fase de grupos como também se auto-superou ao ponto de conquistar o troféu final. Em sentido inverso, a todo-poderosa Rússia, campeã do mundo em 2011 e 2013, não marcará presença nas Bahamas, tal como a Ucrânia, actual campeã europeia, ou a Espanha, selecção de grande importância histórica que já falhara o mundial de 2011.

A análise detalhada da qualificação europeia para o mundial e o estado da modalidade no continente pode ser encontrada na Parte I e na Parte II do artigo especialmente dedicado ao tópico.

CAF

Equipas Apuradas: Senegal, Nigéria

Campeão: Senegal

Surpresa: Nigéria

Decepção: Madagáscar

A fase final da qualificação africana foi disputada ainda em Dezembro de 2016, na cidade de Lagos, que desde 2011 tem vindo a acolher anualmente uma grande competição de futebol de praia.

Desta vez, a Copa Lagos deu lugar a uma prova ainda mais importante, reflectindo o esforço da federação nigeriana rumo ao desenvolvimento da modalidade no país e ao apuramento da selecção da casa para o mundial das Bahamas. Apesar de ser considerada uma das selecções mais fortes do continente, mercê da sua História na modalidade desde 2006, a Nigéria falhara os dois últimos mundiais, pelo que desta vez a aposta foi grande por forma a conseguir superar todos os obstáculos numa África cada vez mais competitiva. Apesar de uma derrota diante da Costa do Marfim no segundo jogo, os triunfos sobre Egipto e Gana levaram os homens da casa às meias finais, onde uma vitória contundente sobre a selecção marroquina (6-1) levaria os milhares de adeptos presentes no estádio ao rubro com a qualificação das Sand Eagles, que contaram com o melhor jogador da competição na pessoa do número 10 Emeka. Quando muitos poderiam pensar o contrário, a Nigéria deu um claro sinal de que está de regresso à elite mundial e levará muita velocidade e fluidez ofensiva na bagagem para as Bahamas.

Por seu turno, o Senegal conseguiu confirmar o seu favoritismo ao apurar-se para o seu sexto campeonato do mundo (o quarto consecutivo), numa caminhada irrepreensível em que somou 5 vitórias em tempo regulamentar, denotando grande progressão ao longo da prova. Colocando em prática modelos de jogo muito simples, mas pautados por uma organização táctica notável, a equipa mais jovem do mundial manteve a base do grupo que esteve em Espinho em 2015, adicionando-lhe mais alguns jovens talentosos. Fall, melhor goleador da prova com 12 golos, e o mítico guardião Ndiaye, melhor guarda-redes do torneio, continuam a ser peças chave da equipa, que se sagrou campeã africana após derrotar a Nigéria na final por esclarecedores 7-4. O Egipto fora a outra grande vítima dos Leões de Teranga, numa meia final que também terminara com um desnível de 3 golos. A frescura física e facilidade de remate dos guerreiros de Dakar irá portanto marcar presença em Nassau, impondo respeito a toda a concorrência.

De fora das contas do apuramento ficou a selecção de Madagáscar, precocemente eliminada  na fase de grupos, mercê das derrotas diante de Senegal e Marrocos. Os anteriores campeões africanos foram assim drasticamente destronados do seu anterior posto, fruto de uma sucessão de erros defensivos em momentos cruciais de ambas as partidas. Egipto e Marrocos foram as outras decepções da prova: as duas nações do Norte de África continuam sem contabilizar qualquer presença em mundiais, não obstante o crescimento que têm vindo a evidenciar em torneios como a Copa Intercontinental. No final, a objectividade e força física da Nigéria e do Senegal ditou a diferença, carimbando o passaporte dos dois históricos para o Mundial da FIFA.

CONMEBOL

Equipas Apuradas: Brasil, Paraguai, Equador

Campeão: Brasil

Surpresa: Equador

Decepção: Argentina

Se neste artigo tínhamos conferido todo o destaque ao desempenho irrepreensível do Brasil, rei e senhor da América do Sul, não podemos deixar de acentuar igualmente as qualificações de Paraguai e Equador, por motivos diferentes.

[Foto: BSWW]
 

Os guaranis, movidos pelo apoio do povo que acorreu às bancadas da arena de Assunção, denotaram um crescimento notável no decorrer do evento, evidenciando claramente uma assimilação positiva das ideias do seu novo treinador, o Guga Zloccovick. A vitória difícil frente à tímida Bolívia na partida inaugural poderia deixar algumas dúvidas acerca das reais capacidades da equipa paraguaia, mas as exibições consistentes que se lhe seguiram fizeram dissipar todas as dúvidas, enquanto Chile, Uruguai e Argentina se deparavam com pesadas derrotas. Na partida decisiva das meias finais um jogo aparentemente bem encaminhado para o Paraguai poderia ter-se transformado num pesadelo, dada a recuperação heroica dos equatorianos, mas os homens da casa acabariam por prevalecer nas grandes penalidades e garantir o apuramento para as Bahamas. Na final frente ao Brasil, apesar do resultado adverso, os jogadores guaranis deram nova prova da qualidade do seu jogo, denotando uma interessante versatilidade táctica, consistência defensiva assinalável e técnica fora do comum por parte de jogadores como Pedro Morán, o suspeito do costume, mas também o estreante Carballo, que acabaria por ser eleito melhor jogador da prova.

Por seu turno, o Equador acabaria por concretizar o sonho antigo de conseguir uma qualificação para um mundial, depois de ter alcançado o ingrato 4º lugar por 3 vezes nas últimas 4 edições do torneio de apuramento. Trazendo um estilo de jogo vibrante e rápido, que conjuga a velocidade na condução de bola pela areia com algumas jogadas pelo ar, a comitiva formada por Bailón, Gallegos, Moreira e companhia mostrou maior maturidade e solidez defensiva comparativamente com edições anteriores, vencendo os vizinhos do Perú, da Colômbia e da Venezuela na fase de grupos para alcançar a fase decisiva. O sabor amargo de uma recuperação inconsequente frente ao Paraguai na meia final não demoveu a nação do Pacífico do seu propósito firmemente delineado e foi também nas grandes penalidades que o Equador eliminou a Argentina, no jogo de decisão do 3º lugar na prova. De salientar a grande entreajuda dos jogadores equatorianos, que lhes permitiu fazer um uso inteligente das suas armas para empatar uma partida na qual chegaram a acusar 3 golos de desvantagem.

Em sentido oposto, a selecção Albiceleste acabou por ficar fora do mundial pela primeira vez desde que a FIFA assumiu a organização da competição. Trata-se de um desfecho previsível para uma selecção que, durante 2 anos, atravessou uma crise de resultados estrondosa, mercê das constantes e insustentáveis remodelações de plantel e equipa técnica de que foi alvo. Sendo notória a estabilidade que os regressos do guardião Marcelo Salgueiro e o fixo Lucas Medro trouxeram à equipa, o futebol de praia argentino precisa urgentemente de uma lufada de ar fresco que, simultaneamente, o organize e modernize. O mau nível de jogo praticado pelos argentinos é, no entanto, sintomático do clima que se vive na CONMEBOL, onde equipas com pergaminhos como Uruguai, Chile e Venezuela tardam em encontrar-se e parecem inclusivamente regredir, em face das prestações pobres e falta de ideias evidenciadas pelas equipas em prova, exceptuando as 3 equipas apuradas.

Paraguai e Equador acompanham assim o Brasil no mundial das Bahamas, onde a selecção Canarinha parte como campeã sul-americana sem contestação, pese embora a boa réplica dos paraguaios na final. Resta saber que resposta irão dar as selecções das outras confederações (nomeadamente UEFA, AFC e OFC) ao poderio brasileiro.


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