19 Fev, 2018

Favoritos ao Poder! – 5 pontos dos Playoff do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 24, 20179min0

Favoritos ao Poder! – 5 pontos dos Playoff do Super Rugby

Francisco IsaacJulho 24, 20179min0

Susto para os Lions que por pouco foram apanhados pelos Sharks, os Hurricanes fazem uma 2ª parte ao seu melhor estilo, Chiefs “sobrevivem” À Cidade do Cabe e os Crusaders impõem domínio ante os Highlanders. Os playoff do Super Rugby

O REGRESSO: DANE COLES IS BACK!

Não ganharam para o susto os Hurricanes na visita aos Brumbies em Camberra, isto porque os australianos chegaram a liderar por 16-15 à saída para o intervalo.

Jogo caótico dos neozelandeses que sofreram uma excelente pressão defensiva por parte dos cavalos selvagens, impondo um “estrangulamento” tanto a Beauden Barrett como Nehe-Milner Skudder. Por outro lado, a incrível pressão e disputa nos rucks, valeu aos Brumbies “pontos”, já que TJ Perenara sentiu graves dificuldades no relançamento de jogo.

Com os australianos a chegarem primeiro à área de validação por Dargaville (excelente prestação do ponta, com uma série de pormenores de enorme qualidade, principalmente na disputa no ar e recepção de bola), coube aos Hurricanes lutar pelo empate que chegou com um ensaio de Wes Goosen. O ponta deu um show com os pés, pondo três adversários sem capacidade de defenderem com eficácia.

Todavia, a sucessão de penalidades foram prejudicando os Hurricanes, dando pontos e pontos aos Brumbies que chegaram a estar na frente por 13-05… não fosse um ensaio “estranho” de Jordie Barrett (falcon play, uma lacuna nas leis do rugby, em que se a bola embater na cabeça e cair para a frente não é considerado avant seguindo o jogo normalmente) e os neozelandeses tinham chegado ao intervalo em sérias dificuldades.

No meio de muito nervosismo e dúvidas, os Hurricanes tiveram alguém que os “salvou” num momento espectacular… Dane Coles. O talonador entrou aos 64′ quando o resultado deambulava num “magro” 16-21 a favor dos neozelandeses… aos 68′ numa fuga incrível pelo flanco, Coles consegue “montar” o ensaio de TJ Perenara. Vale a pena ver e rever! Até parece que o nº2 All Black nunca esteve sem jogar nos últimos 4 meses.

Os Hurricanes acabariam por conquistar uma vitória “folgada” por 35-16, seguindo para as meias-finais. Agora uma viagem até ao covil dos Leões de Joanesburgo. Se realizarem uma primeira parte igual à do jogo com os Brumbies, graves problemas surgirão…

O JOGO: SHARKS VS LIONS, OU UMA VERDADEIRA BATALHA PELA ÁFRICA DO SUL

Antes do jogo começar, a maioria dos adeptos sentia que os Lions estavam prestes a conquistar uma vitória “fácil” ante os Sharks, o 8º classificado do Super Rugby 2017 (corresponde ao último lugar de apuramento para o playoff).

Contudo, e ao bom estilo do rugby, a franquia de Durban decidiu realizar uma daquelas exibições memoráveis que só não fica nos anais do Rugby pelo facto de não terem conseguido aguentar a vantagem de 21-20.

Ruan Combrinck converteu uma penalidade a mais de 55 metros dos postes nos minutos finais do encontro terminando com o sonho dos Sharks.

Mas vamos ao início do encontro: os Lions não conseguiram aguentar com a primeira parte dos visitantes, que se apresentaram mais frios, eficazes e dominantes nos últimos 22 metros. Mérito, também, pela tremenda atitude defensiva com que se apresentaram completando 140 placagens, 10 turnovers, forçando ainda 12 erros de transmissão de bola dos Lions.

Van der Walt e Jean-Luc du Preez, nº6 e 7 respectivamente dos Sharks, somaram 35 placagens e 5 turnovers, sustendo bem a capacidade de fuga do trio de trás dos Lions (Skosan e Coetzee tiveram sérias dificuldades em escaparem pelas alas ou entre Mapoe), impondo um jogo muito físico que não interessa tanto os Lions – especialmente quando não está em campo Warren Whiteley, o capitão dos Springboks e Lions.

A vantagem de 14-03 foi perdida a partir os 44′ da segunda parte, com os Lions a “forçarem” a sua entrada na área de validação atingindo o 20-14. Com um jogo mais articulado e motivado, a equipa da casa forçou um recuar aos Sharks, que chegaram a só ter 22% de domínio de território.

Porém, as emoções escalaram um nível “altíssimo” quando a equipa visitante conseguiu fazer o 21-20 à passagem dos 65′, aguentando-a por largos minutos… Curwin Bosch ainda esboçou mais dois drops que quase passaram pelo meio dos postes, errando o alvo por pouco.

Quando o alvoroço começava a ganhar contornos graves, os Lions conquistaram uma penalidade nos seus 45 metros… Ruan Combrinck pediu permissão e acenou aos postes… 58 metros, sem vento, era necessário pontapear com um máximo de eficácia, algo que não está ao alcance de todos.

Sem medos e nervosismos, o ponta converteu o pontapé e levou os 45 mil Lions (lotação esgotada, com 62 mil pessoas a assistir ao jogo) à loucura.

Com um 23-21, a equipa de Joanesburgo volta a estar nas meias-finais pelo 2º consecutivo sonhando com a possibilidade de conquistarem o título. Será possível? Os Hurricanes vêm com a sua melhor equipa, naquilo que será uma batalha de outro Mundo.

O AVISO: CRUSADERS ESTÃO AQUI PARA GANHAR

17-00… foi este o resultado final entre Crusaders e Highlanders, um dos jogos Blockbuster do Super Rugby 2017. Um resultado muito “magro”, que ficou logo decidido na primeira parte. Há que dar o – grande – desconto pela chuva e as péssimas condições de jogo, que chegou a meter o jogo em perigo de não se realizar.

Naquele que foi o jogo de despedida de Malakai Fekitoa (parte para o RC Toulon), os Highlanders nunca foram uma equipa consistente ou com capacidade de “partir” a linha e chegar à área de validação.

Várias mãos cheias de erros (Aki Seiuli faz dois avants nos últimos 10 metros, algo que não pode acontecer de forma alguma), pouca vontade de ganhar as costas dos defesas e sem velocidade para explorar os corredores (só Gareth Evans conseguiu duas quebras-de-linha, algo que nem Naholo, Ben Smith, Aaron Smith ou Rob Thompson nunca efectuaram) a franquia de Otago mereceu cair nos quartos-de-final.

Os Crusaders foram fortes no pack, resilientes na defesa, altamente implacáveis na hora de movimentar as linhas (não arriscaram em passes loucos ou em jogadas mirabolantes, optaram por guardar a oval e sair a jogar de forma controlada) e muito sóbrios na hora de atacar a linha de ensaio. Richie Mo’Unga pôde não ter conseguido explodir, mas foi um pequeno “génio” na coordenação e comunicação dentro da equipa.

Num jogo de pouco espectáculo e sem grande emoção (mais uma vez as condições impediram que assim fosse), os Crusaders carimbaram o passaporte para as meias-finais onde vão receber os Chiefs.

A DESILUSÃO: SHOW SUBSTITUÍDO POR ABORRECIMENTO

Relembram-se daquele jogo monumental entre Stormers e Chiefs à passagem da 7ª ronda, em que houve aquele ensaio espectacular de SP Marais após um enorme passe de Leyds, ou o ensaio de James Lowe após uma jogada que começou quase na sua área de ensaio? Bem, não houve direito a repetição, já que no rebound  entre Stormers e Chiefs terminou num 11-17, a favor dos neozelandeses, sem grande emoção.

Jogo de muitos nervos, de pouco risco e de pouca abertura a brilhantismos (McKenzie nunca conseguiu explorar os canais exteriores, por exemplo), que acabou decidido pela “bota” dos chutadores de ambas as formações. McKenzie acabou por ser mais “forte” e das quatro penalidades que dispôs, não falhou nenhuma… já SP Marais em três ocasiões, só converteu duas.

Mas não foi por aí que os Stormers perderam o encontro… a equipa sul-africana nunca foi “alegre”, marcaram um ensaio após muita insistência (e muitos erros dos neozelandeses, que tiveram alguns problemas em garantir boas placagens no relançamento da 2ª parte) sem nunca encontrar o rumo certo. O ensaio de Shaun Stevenson (passe de bela execução de Aaron Cruden) deu o 17-11 e daí o placard nunca mais se mexeu.

Infelizmente, os Chiefs e Stormers optaram por jogar pelo seguro e esperarem que ambos cometessem erros suficientes para apostar em pontapés… infelizmente, o espectáculo saiu prejudicado.

Notas para as belas exibições de Kolisi, Carr e Marais nos Stormers, enquanto que Retallick, Cane e Cruden brilharam mais alto que os seus colegas de equipa. Os Chiefs seguem para as meias-finais onde vão encontrar os Crusaders, a equipa sensação do Super Rugby 2017.

A VITÓRIA: CHRISTIAN LEALIIFANO E UMA LIÇÃO DE VIDA

O que pode mudar a nossa vida no espaço de um ano… Christian Lealiifano, abertura dos Brumbies e dos Wallabies (suplente), recebeu, em 2016, a notícia que padecia de leucemia e que deveria imediatamente parar com a sua vida normal e partir para o tratamento.

O “nosso” Mundo cai, tudo é alvo de questões e dúvidas, o que mais gostamos de fazer ficada adiado (ou mesmo cancelado) e começa o árduo caminho para uma luta que tem de tudo para correr mal. O abertura abandonou, momentaneamente, os relvados e passou para outro campo.

Após 11 meses de luta, o abertura conseguiu não só vencer a leucemia, mas também regressar ao Super Rugby no jogo dos quartos-de-final pelos seus Brumbies. Com um aspecto mais cansado, mas com a mesma paixão, Lealiifano deu uma demonstração de como é importante manter a calma, de cultivar a esperança e de esperar que tudo corra bem.

Uma enorme inspiração, um orgulho imenso e uma mensagem para todos aqueles que duvidam da possibilidade de superarmos os desafios mais complicados.

Obrigado Christian Lealiifano… 2018 espera por ti!

Podem ver o vídeo do regresso em: https://www.foxsports.com.au/21875d14-3eec-4d2a-aca4-0f9ace89bb4e


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