19 Fev, 2018

O mundo competitivo (e profissional) dos eSports

Tiago ViçosoAgosto 8, 20174min1

O mundo competitivo (e profissional) dos eSports

Tiago ViçosoAgosto 8, 20174min1
Pro gamers, equipas, comentadores, patrocinadores e fãs fazem todos parte do entretenimento criado em torno dos videojogos. É uma realidade em crescimento e que movimenta milhões de euros

Competições profissionais de videojogos! São a nova modalidade regularmente denominada de eSports, um nome curto para ‘electronic Sports’, e que cativam a atenção de milhares de jovens e adultos em Portugal e no resto do Mundo.

Entre videojogos de computador, consola e até mesmo mobile, os jogadores – também conhecidos como ‘pro gamers’ – competem individualmente ou em equipas contra outros à procura da vitória, de serem os melhores, e em troca proporcionam momentos de entretenimento a todos os que assistem, ao vivo ou online.

Fonte: RIOT Games | Duas equipas de League of Legends (LoL) defrontam-se nas finais mundiais da League of Legends Championship Series, a competição mais importante desse jogo.

 

“Mas são profissionais porquê?”, podem perguntar, e bem. Como noutro desporto, por exemplo futebol, os jogadores têm contratos com as equipas, que lhes pagam salários e prémios por desempenho. Como em qualquer área, os melhores dos melhores têm um nível de determinação e qualidades ímpares: treinar (subentenda-se jogar) entre 10 a 14 horas por dia, ter excelente multitasking e ser capaz de fazer 300 ações por minuto, ou ter reflexos extremamente apurados e uma capacidade de reação inferior a 1 segundo são alguns exemplos. Dentro dessa descrição, os jogadores chegam a ser muito bem recompensados, com alguns a alegadamente levarem para casa todos os meses algo como 25.000 euros!

Já as equipas têm toda uma estrutura montada à sua volta para sustentarem os seus jogadores e colaboradores. Têm contratos publicitários, parcerias, merchandising e milhares de fãs que seguem as suas atividades e resultados nas competições.

Fonte: Alex Garland/Seattle Weekly | Os fãs de eSports vestem a camisola, em todos os sentidos! São determinantes para atmosfera em torno dos jogos, vibram com as vitórias e sofrem com as derrotas dos seus jogadores favoritos.

O fator ‘entretenimento’ tem tido um grande peso para o crescimento desta modalidade nos últimos anos. Todos os anos existem eventos maiores, com prémios superiores e com mais público a assistir.

Um caso recente é o torneio PGL, que decorreu no último mês de julho em Cracóvia, na Polónia. Durante uma semana, equipas de todo o mundo de Counter-Strike: Global Offensive – ‘CS:GO’ ou só ‘CS’, dentro da gíria – competiram pelo primeiro lugar e pela recompensa de 500 mil dólares (perto de 420 mil euros). O evento contou com a presença de milhares de espectadores na Tauron Arena, mas foi no livestream online que os números atingiram um máximo histórico para um torneio de CS: o pico foi aos 1.897.741 espectadores em simultâneo, em direto.

Fonte: HLTV.org | O público presente na Tauron Arena, em Cracóvia (Polónia), aguarda o início do próximo jogo entre os nórdicos North e os polacos Virtus.pro, enquanto ouvem a antevisão dos comentadores e seguem toda a ação nos ecrãs gigantes.

Até hoje, o prémio mais alto atribuído em eSports continua entregue ao jogo Dota 2 e ao torneio ‘The International’, na edição de 2016: 8 milhões de euros! Uma quantia que foi dividida pelos cincos elementos dos campeões mundiais Wings Gaming (China), com cada um a arrecadar 1.6 milhões de euros.

Se pensarmos que o vencedor de Wimbledon’2016 recebeu perto de 2.2 milhões de euros e que o vencedor do Tour de France’2017 ganhou 500 mil euros, sem esquecer que se tratam de prémios individuais, conseguimos ter uma perceção da evolução dos eSports.

Esta é uma nova realidade que agrada às marcas e aos clubes dos ditos desportos tradicionais, especialmente porque lhes dá acesso privilegiado ao público com idades entre os 21 e os 35 anos, ao mesmo tempo que se diferenciam do restante mercado de comunicação para as massas.

Nas primeiras, Adidas, Red Bull, Audi, Samsung, Coca-Cola ou Vodafone são algumas das que deram o passo em frente. Nos clubes, os investidores vão dos Philadelphia 76ers, Miami Heat e Sacramento Kings (NBA), ao Schalke 04, Manchester City, Mónaco, Paris Saint-Germain, Valência, FC Copenhaga e até o Sporting.

O que antes era “só” jogar computador, “só” jogar consola, agora está bem longe de ser “só” isso e parece ter tudo para ser uma profissão que veio para ficar!


Nas próximas semanas, o FairPlay vai apresentar em maior detalhe o mundo dos eSports: quem são os melhores do Mundo, que diferentes jogos/modalidades existem, as diferentes realidades e como se enquadra Portugal neste novo mercado milionário. Fique atento!


One comment

  • Jose Lucas

    Agosto 8, 2017 at 11:38 pm

    Muito bom, os meus parabéns pela dedicação. Keep on 😉

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