21 Nov, 2017

Tetra ou aliança contra o Rei? Tour de France 2017

Davide NevesJunho 29, 20177min0

Tetra ou aliança contra o Rei? Tour de France 2017

Davide NevesJunho 29, 20177min0

É verdade. Chegámos àquela altura do ano em que toda a gente vê ciclismo. O Tour de França está de regresso para mais uma edição e conta, como sempre, com grande maioria dos ciclistas de renome da atualidade. O Tour não é, atualmente, a competição mais excitante, mais entusiasmante, com mais reviravoltas. Mas, para quem é “novato” neste desporto, o Fair Play aconselha vividamente a ver uma das mais emblemáticas provas do desporto mundial.

A prova começa este ano com um contrarrelógio individual, de 14 quilómetros, em Dusseldorf (Alemanha), com Tony Martin (Katusha-Alpecin) a procurar vencer em casa. Com uma inovação, a organização surpreendeu muitos com o traçado deste ano, principalmente nas etapas de montanha, com novas subidas, que fazem lembrar os famosos “muros” do Giro (pode ler o balanço aqui) – curtos, mas com uma intensidade brutal. A montanha está sempre presente, com passagens nos Pirinéus, no Maciço Central e nos Alpes. Existirá outro contrarrelógio individual, na etapa 20, de 22.5 quilómetros, em Marsellha, que deverá decidir muitas posições na geral.

Apesar de haver apenas 3 etapas com fecho em alto, o livro de prova conta 23 subidas categorizadas. Existem bonificações, com o prémio de 10, 6 e 4 segundos aos três primeiros de cada etapa (com exceção dos dois contrarrelógios). A primeira semana está reservada aos sprinters, e aos barouders, que irão procurar vingar numa fuga. São 3540 quilómetros de pura adrenalina e de pura emoção!

 

O Favorito (vocês sabem quem é)

A ameaça é clara: Chris Froome sabe como vencer o Tour. Mas este ano pode não acontecer o mesmo…
(Foto: The Independent)

Já adivinhou? Dou uma última pista: o nome começa em Chris e acaba em vrooom! Como sempre, o favorito para esta prova é Chris Froome (Sky). O inglês ainda não mostrou nada este ano, com uma prestação muito má no Tour de Romandie e outra menos má no Critérium du Dauphiné. O Tour é “a praia” de Froome, que já nos habituou a vê-lo passear em terras francesas. Depois das vitórias em 2013, 2015 e 2016, o britânico de 32 anos procura ultrapassar Greg Lemond, Louison Bobet, e Phillippe Thys (todos com três vitórias), e ficar cada vez mais perto dos quatro magníficos do Tour: Bernard Hinault, Jacques Anquetil, Miguel Indurain e o inenarrável Eddy Merckx (todos com 5). Este ano a concorrência é forte, com os seus adversários diretos a mostrarem estar em grande forma.

E o que se há-de dizer da grande equipa para o apoiar? Sergio Henao, Mikel Nieve, Luke Rowe, Michal Kwiatkowski, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Mikel Landa e Geraint Thomas. Uma palavra apenas: Luxo.

Os pretendentes ao trono

Richie Porte está numa grande forma. Será desta que destrona Froome?
(Foto: abc.net.au)

A edição 104 do Tour tem um recheio bem grande de pretendentes à icónica camisola amarela. Começando desde já com Nairo Quintana (Movistar). O colombiano finalizou em segundo no Giro, e está completamente concentrado em destronar Froome do trono amarelo. Para isso, conta com a ajuda do inevitável Alejandro Valverde, bem como dos trepadores de serviço: Andrey Amador, Carlos Betancur e Jesús Herrada.

Richie Porte (BMC) é, muito provavelmente, o principal alvo a abater para Chris Froome. O australiano, antigo colega de equipa (e peça nuclear na conquista do britânico em 2013), aparenta estar numa forma incrível, e o traçado da prova ajuda-o bastante. Leva, para ajuda direta na montanha, Nicolas Roche e o surpreendente Damiano Caruso, bem como os caça-etapas – Alessandro de Marchi e o “nosso” Deus do Olimpo, Greg van Avermaet, com Stefan Kung a apostar tudo nos dois contrarrelógios.

Quem olha para estes com sede de vencer é Alberto Contador (Trek-Segafredo). O veterano leva um grupo de sonho, forte em todas as vertentes (Mollema, Degenkolb, Felline, Pantano, Irizar ou Zubeldia). Será que é desta que o espanhol volta às vitórias?

A armada francesa também procura uma vitória no seu “Tour”. Thibaut Pinot (FDJ), procura aqui honrar os franceses, depois do top-5 no Giro. Conta com a ajuda de Arthur Vichot e do recém-coroado campeão francês, Arnaud Démare. Já Romain Bardet (AG2R) vai na máxima força para o Tour, com a grande ajuda de Jan Bakelants, Mathias Frank, Alexis Vuillermoz ou o recém-campeão nacional de contrarrelógio, Pierre Latour.

Por fim, Fabio Aru (Astana). O italiano, que falhou o Giro por lesão, está de volta, e de camisola diferente, já que se sagrou campeão nacional no passado domingo. A Astana leva, no apoio a Aru, Fulgsang, Valgren, Lutsenko, Gruzdev ou Dario Cataldo.

Luxo

Existem inúmeros outros que poderão surpreender, e figurar no top-10 da prova ou vencer etapas. Assim, nomes como Warren Barguil (Sunweb), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Tim Wellens, Thomas de Gendt e Tony Gallopin (Lotto Soudal), Daniel Martin, Gianluca Brambilla e Phillippe Gilbert (Quick-Step), Pierre Rolland, Andrew Talansky e Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac), Johan Chaves, Roman Kreuziger e Simon Yates (Orica), Stephen Cummings (Dimension Data), Louis Meintjes e Diego Ulissi (UAE Team Emirates), Tony Martin e Robert Kiserlovski (Katusha), Primoz Roglic e Robert Gesink (Team LottoNL-Jumbo), Ion Izagirre (Bahrain Merida), Dani Navarro (Cofidis), Thomas Voeckler (última prova da carreira) e Sylvain Chavanel (Direct Energie), Eduardo Sepúlveda (Fortuneo). Uma lista bem extensa, com nomes bem conhecidos, e outros que despontaram nos últimos meses.

Irá o grande Peter Sagan maravilhar-nos com as suas habilidades? Ou poderemos nós contar os segundos lugares?
(Foto: Sirotti)

No que diz respeito aos sprinters, Peter Sagan (Bora) encabeça a lista, com nomes com Marcel Kittel (Quick-Step), John Degenkolb (Trek), Davide Cimolai e Arnaud Démare (FDJ), Michael Matthews (Sunweb), Daryl Impey (Orica), Mark Cavendish e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Bem Swift (UAE Team Emirates), Alexander Kristoff (Katusha), Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Sonny Colbrelli (Bahrain), Nacer Bouhanni (Cofidis). Todos estes procurarão vencer uma etapa, e a luta pela camisola verde dos pontos vai estar ao rubro.

Os portugueses

Tiago Machado é o único português em prova. Terá oportunidade de vencer alguma etapa?
(Foto: Facebook Tiago Machado)

No que diz respeito a participação lusa, estavam confirmados André Cardoso (Trek-Segafredo), que iria participar pela primeira vez, e Tiago Machado (Katusha), que esteve à conversa com o Fair Play no mês passado. No entanto, André Cardoso acusou positivo num teste de doping, pelo que foi retirado da convocatória da Trek. Foi substituído pelo espanhol Zubeldia.

Liga Fair Play

Mais uma vez, o Fair Play irá criar uma liga, no Velogames, para os fãs do ciclismo. Na liga do Critérium du Dauphiné, o vencedor foi… o Fair Play, com 2907 pontos. Já no Tour de Suisse, o vencedor foi a equipa “Sempre a descer” do João Mesquita, com 3089 pontos. Parabéns!

O Fair Play já explicou as regras de adesão, aqui. Têm até ao dia 1 de julho para submeter a equipa.

League Name: Liga Fair Play
League Code: 350395814

Boa-sorte, e VIVE LE TOUR!

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter