16 Ago, 2017

Da Toscânia até ao Inferno do Norte: uma análise à época de clássicas do ciclismo mundial

Davide NevesAbril 7, 20175min0

Da Toscânia até ao Inferno do Norte: uma análise à época de clássicas do ciclismo mundial

Davide NevesAbril 7, 20175min0

A temporada das clássicas marca um período de emoção e de adrenalina para os fãs do ciclismo. Com uma duração aproximada de dois meses, engloba algumas das provas com maior prestígio dentro do ciclismo mundial. Desde Itália até ao coração do Inferno do Norte, na região da Flandres, os ciclistas batalham para ter o seu nome inscrito na glória.

Em Itália, no início de Março, começou uma das alturas prediletas dos fãs do ciclismo: as clássicas; as longas, duras, fantásticas clássicas estavam de volta para, como sempre, dar magia e espetáculo a este desporto. E a primeira que chama a atenção é a Strade Bianche. Criada em 2007 (a mais recente), serve de introdução e de preparação para o que se segue na época. As suas secções de sterrato, aliadas à paisagem magnífica que a bela região da Toscânia nos proporciona, chamam cada vez mais nomes importantes do pelotão internacional, o que dá emoção e credibilidade à prova. O vencedor deste ano foi o polaco Michal Kwiatkowski (Team Sky), ex-campeão do mundo em 2015, apostado em regressar à ribalta, depois de uma época de 2016 marcada pela irregularidade. Os belgas Greg van Avermaet (BMC Pro Team) e Tim Wellens (Lotto-Soudal) fecharam o pódio.

Segue-se, ainda em Itália, La Classicissima, a Milano-San Remo. Esta é a predileta dos velocistas (sprinters) do pelotão, apesar de os punchers (os sprinters explosivos, com uma aceleração demoníaca e uma ponta final sempre venenosa) tentarem sempre figurar no top 10. Este ano, o vencedor repete o nome nesta análise: Michal Kwiatkowski mostrou o seu bom início de época e deixou enormes dores de cabeça a Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), atual bicampeão do mundo e o ‘eterno segundo’, visto que termina bastantes vezes em segundo lugar. O terceiro lugar ficou com a jovem pérola francesa Julian Alapphilipe (Quick-Step Floors).

Saímos da bota da Europa e passamos para a região da Flandres (região que, historicamente, compreende o Norte da Bélgica, e ainda regiões da França e da Holanda). A melhor maneira de entrar na Flandres seria, como é óbvio, pela porta, e é isso que o ciclismo faz. A Dwars door Vlaanderen (a tradução será algo como “A Porta da Flandres”, daí o trocadilho) iniciam as clássicas na região, que só irão terminar este domingo, no Paris-Roubaix. Esta clássica fez a estreia no calendário mundial (World Tour) A equipa Quick-Step Floors fez dobradinha, com Yves Lampaert e Phillipe Gilbert a terminarem em primeiro e segundo. O cazaque Alexei Lutsenko, da Astana Pro Team, fechou o pódio. De seguida, a E3-Harelbeke, com vitória de Greg Van Avermaet. O campeão olímpico bateu os compatriotas Phillipe Gilbert e Oliver Naesen (AG2R La Mondiale). A Gent-Wevelgem deu continuidade ao bom momento de Van Avermaet, que bateu Jens Keukeleire (Orica-SCOTT) e Peter Sagan.

O Tour de Flandres (Ronde van Vlaanderen) seguia-se, e a perspetiva de mais um monumento era bem aceite por Van Avermaet, que queria dar continuidade às vitórias. Não venceu, mas ficou em segundo lugar, batido apenas por Phillipe Gilbert, com uma fuga espetacular, a quase 60 quilómetros da linha da meta, que deitou por terra as aspirações do ciclista da BMC. O terceiro lugar ficou com Nikki Terpstra (Quick-Step Floors).

Tom Boonen prepara a sua última corrida enquanto profissional [Foto: record.pt]
 

Da chegada a Oudenaarde, passamos para o Inferno. O Paris-Roubaix, o “Inferno do Norte” realiza-se este domingo, com um sabor especial: o “Rei do Pavê”, o “Super Tornado”, Tom Boonen (Quick-Step Floors) irá correr pela última vez, deixando um palmarés invejável: quatro Paris-Roubaix, três Tour de Flandres, uma camisola de pontos no Tour de France (2007), entre outras vitórias fantásticas.

Podemos continuar: passada a travessia do Inferno, vêm as Clássicas das Ardenas, que têm como atração principal a corrida mais antiga do mundo: a Liège-Bastogne-Liège, cuja primeira edição data de 1892.

Uma conclusão que se retira é que existem três ciclistas que, até à data, dominam a temporada das clássicas: o polaco Kwiatkowski e os belgas Phillipe Gilbert e Greg Van Avermaet. Para domingo, espera-se a emoção de sempre e, lá no fundo, todos os fãs de ciclismo querem que o vencedor seja Tom Boonen, para fechar com chave de ouro a sua carreira no ciclismo mundial. A equipa que mais tem vencido, e colocado mais ciclistas nos pódios é a Quick-Step, equipa que, curiosamente, tem o seu futuro em causa, visto que o patrocinador ainda não garantiu a sua continuidade.

Foto: pelote.com.br

Seja em pavê, seja em sterrato, à chuva ou ao sol, os ciclistas dão tudo para colocar o seu nome nos livros de história destas provas. Os fãs, pois claro, agradecem.


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