21 Out, 2017

Os 5 monumentos do ciclismo – Parceria Etapa Raínha

Fair PlayMarço 27, 201714min0

Os 5 monumentos do ciclismo – Parceria Etapa Raínha

Fair PlayMarço 27, 201714min0

Certamente todos os adeptos da modalidade já ouviram falar sobre os 5 Monumentos do ciclismo, para muitos as provas mais importantes do calendário internacional. Mas afinal porque é que são estas provas consideradas como os Monumentos do ciclismo? De uma coisa temos certeza, são provas com grande história, prestígio e traçados exigentes.

Milão-São Remo

Foto: Milano-Sanremo

Também conhecida como a clássica da primavera ou La Classicissima, a Milão-São Remo teve a sua primeira edição em 1907, tendo nascido do insucesso de uma outra prova realizada em 1906, a Milão-Acqui e Acqui-São Remo. A partir desse fracasso, o jornalista Tullo Morgagni idealizou a prova e apresentou o projecto ao director da Gazzetta dello Sport, Eugenio Costamagna. Desta forma, a 14 de Abril de 1907 teve lugar a primeira edição da Milão-São Remo.

Nesse ano foram 33 ciclistas que percorreram 281 quilómetros a uma média de 26,2 quilómetros/hora, num dia chuvoso e com muito frio do qual saiu vitorioso o francês Lucien Petit-Breton.

Este ano a prova realiza a sua 108ª edição. Ao longo destes mais de 100 anos, muitos foram os ciclistas que festejaram na chegada a São Remo mas há nomes que se destacam. Eddy Merckx é o recordista de vitórias, tendo assinado o seu nome em 7 edições, o italiano Costante Girardengo é o segundo com mais vitórias (6).

Números e Curiosidades:

  • No ano da edição inaugural, 1907, o vencedor foi Lucien Petit-Breton (France & Peugeot);
  • Eddy Merckx é o recordista de vitórias com 7;
  • Costante Girardengo, é o segundos mais vitorioso com 6;
  • A equipe com mais vitórias na prova é a Bianchi com 17;
  • Alfredo Binda (1931), Eddy Merckx (1972, 1975), Felice Gimondi (1974) e Giuseppe Saronni (1983) venceram a prova com a camisola de campeão do mundo;
  • Giorgio Furlan em 1994, fixou o record da subida do Poggio em 5:46;
  • Em 2001, Francesco Casagrande terminou a subida da Cipressa em 9:36;
  • 16 ciclistas venceram a prova no ano em que se estrearam – o último foi Cavendish em 2009;
  • A descida do Poggio tem exactamente 23 curvas;
  • Na classificação das nações, os italianos estão na frente com 50 vitórias, em segundo lugar estão os belgas com 20;
  • A subida ao Poggio foi introduzida no percurso em 1960;
  • O vencedor o mais novo é Ugo Agostoni com 20 anos e 252 dias (1914); O mais antigo é Andrei Tchmil com 36 anos e 57 dias (1999);
  • Em 1982 a subida a Cipressa passou a fazer parte do percurso;
  • Fabian Cancellara foi o último foi o último ciclista a  vencer isolado, aconteceu em 2008.

Volta a Flandres

Volta a Flandres em 1952 | Foto: Cyclist

A 25 de Maio de 1913, um senhor chamado Karel van Wijnendaele organizou a primeira Volta a Flandres. A prova começou às seis da manhã em Gent e terminou em Mariakerke, num total de 330 quilómetros por estradas em péssimas condições. Contou com a participação de 37 ciclistas apoiados por 5 carros de assistência. Mais de 12 horas após a partida, um grupo de seis ciclistas chegou ao velódromo de madeira em Mariakerke para disputar o sprint. O vencedor foi o belga Paul Deman, de 25 anos que, anos mais tarde foi considerado um herói da Primeira Guerra Mundial. De Itália viajamos até à Bélgica onde se realiza o segundo Monumento do ano, a Volta a Flandres (Ronde van Vlaanderen).

Na primeira edição da prova, para tentar cobrir os prémios que seriam distribuídos pelos ciclistas, a organização vendeu bilhetes para o público que pretendesse assistir ao final da prova. Infelizmente a venda dos ingressos apenas rendeu o suficiente para metade dos prémios.Este ano realiza-se a 101ª edição da prova. Ao longo destes 104 anos, a prova apenas não se realizou quatro vezes, entre 1915 e 1918, por causa da Primeira Guerra Mundial.

Números e Curiosidades:

  • A primeira edição aconteceu em 1913 e foi ganha por Paul Deman;
  • A primeira edição também foi a mais longa com 324 quilómetros;
  • Seis ciclistas dividem o recorde de vitórias: Tom Boonen, Achiel Buysse, Fabian Cancellara, Eric Leman, Fiorenzo Magni e Johan Museeuw;
  • A Bélgica lidera a classificação das nações, com nada menos que 68 vitórias;
  • Apenas 5 das 100 edições já realizadas não tiveram um ciclista belga no pódio: 1951, 1961, 1981, 1997 e 2001;
  • Briek Schotte e Johan Museeuw partilham o recorde de maior número de pódios (vitórias incluídas): 8;
  • Briek Schotte é também o ciclista com mais participações (20) tendo terminado a prova 16 vezes;
  • O vencedor mais novo de sempre é Rik Van Steenbergen, 19 anos e 206 dias, tendo ganho em 1944; o mais velho é Andrei Tchmil com 37 anos e 71 dias, vencedor em 2000;
  • Só uma vez ao longo da história da prova esta teve menos de 200 quilómetros, foi em 1941 (198 km), quando Achiel Buysse venceu a corrida pela segunda vez;
  • Cinco ciclistas com a camisola de campeão do mundo conquistaram a vitória da prova: Louison Bobet (1955), Rik Van Looy (1962), Eddy Merckx (1975), Tom Boonen (2006) e Peter Sagan (2016);
  • O único ciclista a conquistar três vitórias consecutivas foi Fiorenzo Magni (1949-1951);
  • Gent é a única cidade que recebeu tanto o início como o fim da prova;
  • 1944 foi o último ano em que a Volta a Flandres terminou no velódromo.

Paris-Roubaix

Eddie Merckx no Paris-Roubaix em 1970 | Foto: Pinterest

O Paris-Roubaix teve a sua primeira edição em 1896 e apenas não se realizou entre 1915/1918 (Primeira Guerra Mundial) e 1940/1942 (Segunda Guerra Mundial). Considerada a Rainha das Clássicas ou o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix é sem dúvida a prova de um dia mais mediática do calendário internacional.

A prova foi idealizada por Théodore Vienne e Maurice Perez. Em Fevereiro de 1896 eles imaginaram uma corrida que começaria em Paris e terminaria em Roubaix mas tinham dois problemas: o primeiro era que Roubaix seria considerado um destino muito provinciano e o segundo era que eles ou conseguiam organizar a partida ou a chegada, mas não as duas.

Vienne e Perez apresentaram o seu projecto a Louis Minart, editor do Le Vélo, o único jornal desportivo da época. Minart ficou bastante entusiasmado com a ideia mas a decisão de apoiar tal organização caberia ao director do jornal, Paul Rousseau que imediatamente ordenou ao seu editor de ciclismo, Victor Breyer, que definisse uma rota para a prova.

Breyer viveu uma verdadeira aventura. Partiu de bicicleta para criar aquele que seria o primeiro percurso do Paris-Roubaix. Debaixo de chuva, vento e muito frio, chegou ao destino exausto e com a certeza de convencer Minart a desistir da ideia. Mas após o jantar, algumas bebidas e conversa com os locais, Breyer mudou de opinião e assim nasceu o Inferno do Norte.

Hoje em dia os sectores de pavé sobrevivem graças à associação Les Amis de Paris-Roubaix que os preserva e garante que não desapareçam. Muitos são os entusiastas na beira da estrada para ver os ciclistas passar e no final, muitos são os que levam paralelos para casa como recordação. Todos os anos os voluntários da associação juntam-se para repor os paralelos em falta para que a prova decorra com toda a normalidade.

Números e Curiosidades:

  • A primeira edição realizou-se em 1896 e foi ganha pelo alemão Josef Fischer;
  • Paris-Roubaix foi a primeira clássica a ter transmissão televisiva, em 1960;
  • Tom Boonen e Roger De Vlaeminck (2 belgas) detêm o recorde de vitórias, com 4 cada um;
  • Roger De Vlaeminck é o ciclista com mais pódios (9);
  • A Bélgica lidera a classificação nacional, com 55 triunfos em 112 edições;
  • Frédéric Guesdon é o ciclista com mais participações (17);
  • Dez ciclistas venceram a Volta a Flandres e Paris-Roubaix no mesmo ano: Tom Boonen, Fabian Cancellara, Fred De Bruyne, Roger De Vlaeminck, Romain Gijssels, Raymond Impanis, Gaston Rebry, Heiri Suter, Rik Van Looy e Peter Van Petegem;
  • Em 1949, a vitória foi concedida a dois ciclistas: Serse Coppi e André Mahé;
  • Em 1988 Dirk Demol venceu depois de ter estado em fuga durante 222 quilómetros;
  • Último ciclista a vencer o Paris-Roubaix com a camisola de campeão do mundo foi Bernard Hinault em 1981;
  • Entre 1986 e 1988, a prova terminou na cidade, porque o velódromo estava em obras;
  • Em 1965 os ciclistas foram pela primeira vez autorizados a receber rodas sobressalentes dos seus companheiros de equipa;
  • O vencedor mais novo de sempre é Albert Champion com 20 anos e 362 dias, tendo ganho em 1899; O mais velho é Gilbert Duclos-Lasalle, com 38 anos e 229 dias, vencedor em 1993;
  • O último francês a vencer foi Frédéric Guesdon, em 1997;
  • Em 1977 foi a primeira vez que o vencedor da prova recebeu o troféu em formato de paralelepípedo;

Liège-Bastogne-Liège

Foto: Sirotti

Em 1892 realizou-se a primeira edição, sendo que era uma prova para amadores e em 1894 passou a ser para ciclistas profissionais. Voltamos à Bélgica para a Liège-Bastogne-Liège, ou como é frequentemente chamada de La Doyenne (“a mais antiga”).

Tal como várias provas de ciclismo, também a Liège-Bastogne-Liège foi organizada pela primeira vez por um jornal, o L’Expresse. Como o jornal era publicado em francês, o percurso da prova passava pela parte francófona da Bélgica.

O percurso de 1892 teve 250 quilómetros de distância e participaram 33 ciclistas, todos belgas e a maioria originais de Liège. Apenas terminaram 17 e o vencedor foi Léon Houa que chegou à meta 10 horas e 48 minutos depois da partida. O segundo classificado, Léon Lhoest chegou 22 minutos após o vencedor e o terceiro, Louis Rasquinet, 44 minutos. O último classificado chegou cerca de 5 horas depois do vencedor.

Na época o ciclismo era considerado um desporto para ricos e o evento foi apelidado de “um caso de cavalheiros”.

No ano seguinte, 1893, a prova voltou a ser organizada para amadores, tendo ganho novamente Houa.

Em 1894 a prova passou a profissional e Houa conseguiu a sua terceira vitória com sete minutos de vantagem sobre Rasquinet. Em quarto lugar ficou o francês Maurice Garin que mais tarde se tornou no primeiro vencedor da Volta a França.

Após 1894 a corrida não foi organizada durante 14 anos tendo sido retomada em 1908.

Este ano realiza-se a 103ª edição. Na sua história conta com vencedores como Andy Schleck, Alejandro Valverde, Philippe Gilbert ou Daniel Martin. O último vencedor foi Wout Poels e o recordista de vitórias é Eddy Merckx, com 5 vitórias.

Números e Curiosidades:

  • A primeira edição aconteceu em 1892 e foi ganha por Leon Houa;
  • Eddy Merckx detém o recorde de mais vitórias: 5, entre 1969 e 1975;
  • Também Merckx é o recordista em número de pódios: 7;
  • A Bélgica lidera a classificação das nações, com 59 vitórias, seguida da Itália (12) e da Suíça (10);
  • Sete ciclistas venceram a Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège na mesma época: Moreno Argentin, Philippe Gilbert, Ferdi Kubler, Eddy Merckx, Stan Ockers, Davide Rebellin e Alejandro Valverde;
  • Quatro ciclistas de fora da Europa conseguiram a vitória: Simon Gerrans (Austrália), Tyler Hamilton (EUA), Maxim Iglinskiy (Kazahstan) e Alexandre Vinokourov (Kazahstan);
  • Moreno Argentin, em 1987, foi o último ciclista portador da camisola do arco-íris a terminar em primeiro;
  • Até 1973, dez edições terminaram no Stade Vélodrome de Rocourt, uma arena de 40 000 lugares;
  • O maior intervalo de tempo sem uma vitória belga foi entre 2000 e 2011;
  • Em 1957, a vitória foi concedida a dois ciclistas: Germain Derycke e Frans Schoubben;
  • O vencedor mais jovem é Victor Fastre (18 anos e 362 dias); O mais velho é Alexander Vinokourov (36 anos e 221 dias);
  • Davide Rebellin é o ciclista com mais edições concluídas, 14.

Giro da Lombardia

Muro di Sormano | Foto: Milano Fixed

Chamado de Il Lombardia desde 2011, começou por ser Milão-Milão.O único dos 5 Monumentos que não se realiza na primavera, O Giro da Lombardia é também o que mais alterações tem sofrido durante a sua história.

A prova foi criada em 1905 e nasceu da ideia do jornalista Tullo Morgagni que queria dar ao ciclista milanês Pierino Albini a oportunidade de se vingar da sua derrota contra Giovanni Cuniolo na Copa do Rei Italiana.

A Gazzetta dello Sport organizou a prova que se disputou, pela primeira vez a 12 de Novembro de 1905.

O vencedor acabou por ser Giovanni Gerbi, na altura uma das estrelas do ciclismo, que chegou 40 minutos à frente de Giovanni Rossignoli e Luigi Ganna.

Rapidamente se tornou numa atracção como sendo a prova de encerramento da temporada de ciclismo. E nos seus primeiros anos foi dominada pelo francês Henri Pélissier e pelos italianos Gaetano Belloni e Costante Girardengo, tendo vencido três vezes cada um.

Fausto Coppi é o recordista de vitórias, tendo vencido a prova por 5 ocasiões.

Números e Curiosidades:

  • A Il Lombardia foi criada em 1905, tendo a primeira edição sido ganha por Giovanni Gerbi após mais de 9 horas e 230 quilómetros;
  • Fausto Coppi é o ciclista com mais vitórias, cinco, entre 1947 e 1954;
  • Quando se trata do número de pódios, Gino Bartali é o recordista, tendo terminado nove vezes nos três primeiros lugares;
  • 11 países tiveram um vencedor até agora, com a Itália a liderar a classificação das nações (68 vitórias);
  • Apenas um ciclista de fora da Europa venceu a prova, Esteban Chaves em 2016;
  • Paolo Bettini foi o último ciclista com a jersey de campeão do mundo a vencer a corrida (2006);
  • A edição mais curta ocorreu em 1942 (184 quilómetros);
  • Milão, Como, Monza, Varese, Cantu, Bergamo, Mendrisio e Lecco são as cidades que receberam o início ou o final da prova;
  • Maior margem vencedora foi registada em 1905, quando Giovanni Gerbi e Giovanni Rossignoli ficaram separados por 40 minutos e 11 segundos;
  • Giovanni Gerbi é também o mais jovem vencedor (20 anos e 176 dias), enquanto Gaetano Belloni é o mais velho (36 anos e 69 dias em 1928).

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