17 Dez, 2017

Brumbies at Full Speed! – 5 pontos da 14ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 29, 20179min0

Brumbies at Full Speed! – 5 pontos da 14ª ronda do Super Rugby

Francisco IsaacMaio 29, 20179min0

Entre um empate no Blues-Chiefs, uma vitória improvável dos Force em Queensland, a (quase) qualificação dos Sharks para a fase seguinte e o “atropelar” dos Brumbies em terra de Jaguares, o Super Rugby começa a esboçar a sua fase final. 5 pontos da 14ª ronda da maior competição de Rugby do Planeta

A EXIBIÇÃO: O GALOPAR DOS BRUMBIES

Com uma exibição de qualidade, os Brumbies estão muito perto de assegurar nova presença na fase a eliminar do Super Rugby. A viagem até Buenos Aires correu da melhor forma, apesar das várias reticências que se colocavam no pré-jogo, uma vez que os Jaguares ainda sonhavam (tenuemente) com uma passagem à fase dos playoff da competição.

Ou seja, para a equipa da casa era a hora do mata-mata, enquanto que os Brumbies podiam, praticamente, assegurar o playoff na Conferência australiana em caso de vitória.

Uma exibição muito personalizada, bem ao estilo do melhor rugby australiano, com o três de trás a explodir na linha de vantagem com uma série de falsos e de boas fugas, em que Thomas Banks, o defesa de 22 anos, conseguiu dois ensaios.

Os Jaguares até tiveram algum controlo de território, conseguiram estar por cima no ataque com uma vantagem de 10-07 até aos 25′. A reviravolta no marcador e no domínio de jogo, para os Brumbies, proveio de uma queda física dos Jaguares para além de psicológica. A equipa de Raúl Pérez está menos intensa, menos dominante nos rucks, menos assertiva nas fases estáticas e, mais importante de tudo, não consegue encontrar espaço nos seus 3/4’s para ganhar metros na linha de vantagem.

Moyano, Ezcurra, Moroni ou até Tuculet (e porque não juntar o lesionado Cordero também) lutam pela oval mas raramente a recebem em condições de poder fazer “qualquer coisa” de diferente. Os Brumbies aproveitaram esta queda, tomaram controlo do jogo nos avançados com mais uma grande exibição de Josh Mann-Rea (o talonador poderá ser o nº2 dos Wallabies), de Chris Alcock (aquele pontapé para assistir Banks para o seu 2º ensaio é de mestre) ou Scott Fordy.

Os Jaguares nunca foram uma equipa ameaçadora na segunda-parte, pouco conseguiram fazer na linha de vantagem (sofreram dez turnovers, seis realizadas pela 3ª linha australiana) e acabaram “engolidos” pelo maior atrevimento da equipa de Canberra.

Uma atenção especial para Joe Powell, o formação dos Brumbies, que parece estar cada vez mais à vontade, com um sentido de jogo muito interessante e que deveria de ser bem trabalhado por Michael Cheika.

O SUSPENSE: WELLINGTON WE HAVE A PROBLEM, BARRETT IS DOWN

Os Hurricanes tiveram um jogo difícil contra os Bulls de Pretória, com uma vitória por 32-20. Porém, a “boa” notícia (a qualidade exibicional dos campeões do Super Rugby foi satisfatória, longe do que devia/pode ser) ganhou várias reticências, especialmente para a NZRU, quando souberam que Beauden Barrett falhou o jogo por ter contraído “dores de cabeça”.

O número 10 dos All Blacks ficou de fora dos 23, horas antes do jogo, para evitar que a situação piorasse. Contudo, este sintoma físico pode ser derivado das altas altitudes do local de estágio e jogo dos Hurricanes, uma vez que outros jogadores também se queixaram de alguma indisposição e mau estar.

Sem Barrett, Otere Black assumiu a posição de médio de abertura… e não foi propriamente o homem mais seguro do Mundo, com a equipa a ter graves dificuldades em fazer circular a oval. Valeu a capacidade de perfuração de Julian Savea (100 metros e três quebras de linha) e Jordie Barrett (mais um ensaio, mais 100 metros e mais um par de detalhes de alto calibre) que garantiram uma saída para o ataque veloz e que criou dificuldades à defesa dos Bulls.

Por seu lado, os Bulls voltaram a ter mais vontade de jogar, foram especialmente “físicos” no jogo curto, impossibilitaram os Hurricanes de criar tanto espaço entre os centros como de costume e conseguiram controlar o segundo apoio do ataque dos Hurricanes. Porém, os erros nas placagens continuam a ser um problema grave, especialmente nos 3/4’s, onde foram muito premiáveis em situações de 1ª fase.

Durante o jogo surgiram mais duas notícias complicadas para Chris Boyd: Ardie Savea e Mark Abbot sofreram concussões que os podem pôr na lista de lesionados durante duas ou três semanas. São três baixas importantes para os jogos das próximas semanas especialmente frente aos Chiefs a 9 de Junho.

O MINUTO: UM VAIVÉM DE EMOÇÕES COM DOIS QUASE ENSAIOS E UM ENSAIO

Cenário: Emirates Airlines Park. Incidências: Lions e Kings a jogar com 14 jogadores cada, após um cartão vermelho e amarelo a Robbie Coetzee e Chris Cloete, respectivamente. Os Lions dominavam assim-assim contra uns Kings bem “alegres” mas que não davam sequência às boas situações de ataque que criavam, muito devido à grande defesa dos vice-campeões do Super Rugby nos últimos 5 metros.

Momento do jogo: aos 38′ os Lions conseguiram conquistar uma penalidade e seguiram a jogar. Mapoe consegue uma espectacular quebra de linha e faz a equipa jogar rápido, com Faf de Klerk a dar ímpeto à “magia” ofensiva dos Lions… a escassos metros da linha de ensaio, os Kings conseguem uma intercepção com Ntabeni Dukisa (suplente que entrou por Bock) a correr quase 100 metros, valendo uma alta placagem de Skosan já quando faltavam escassos 15 metros para o ensaio.

Os Lions viraram, o tempo já se tinha esgotado mas não quiseram pôr a bola fora… uma fase, nova entrada de Whiteley (exibição monumental do novo capitão dos Springboks), Faf volta a jogar, Whiteley volta a receber e transmite para um explosivo e portentoso Kwagga Smith que já não parou até à linha de ensaio para dar aos Lions uma vantagem de 19-03 na primeira parte.

Foram dois minutos do melhor que o Super Rugby tem para oferecer, com belas trocas de pés, sentido de ataque e velocidade no contacto, quebras de linha (Mapoe está a regressar à sua melhor forma), intercepções, try saving tackles e explosão na recepção da bola.

A ESCOLHA: NAHOLO E KOLBE, O MUNDO QUE OS JUNTA E OS SEPARA

Dois jogadores amplamente diferentes, sobretudo pela estrutura física que possuem e pela forma como abordam o defesa adversário, acabam por ser iguais no que toca a ajudar as suas equipas a andarem para a frente.

Waisake Naholo é o melhor ponta neozelandês do momento, com uma forma invejável e que dificilmente não verá o seu nome nos 23 convocados para o primeiro jogo frente aos Lions. Contra os Waratahs, Naholo completou 135 metros em 14 carries, com destaque para uma corrida de 60 metros em que simplesmente mete Cameron Clark estendido no chão para depois assistir Lima Sopoaga para o ensaio.

Naholo é um jogador que procura menos interactividade no jogo interior e sobretudo trabalha mais entre o espaço entre o 2º centro, o defesa e o corredor, onde encontra terreno suficiente para criar uma boa situação ofensiva.

Cheslin Kolbe difere em 15 centímetros de altura de Naholo, não tem a “fisicalidade” do ponta neozelandês, mas não é por isso que não deixa de ser uma ameaça total para quem o tenta defender. Frente aos Sharks foi um dos únicos a querer andar para a frente e até foi o único jogador a conseguir mais de 100 metros com a oval na mão, com seis quebras de linha e uma série de pormenores de altíssima qualidade.

Infelizmente não foi suficiente para “salvar” os Stormers de mais uma derrota (apesar da vitória da semana passada, os Stormers estão piores do que o período homólogo em 2016). Os Sharks continuam a amealhar pontos e a preparar a fase final, sem Curwin Bosch (na selecção sub-20 da África do Sul) ou Pat Lambie.

Naholo e Kolbe fazem parte de uma lista de pontas a ter em atenção nas franquias da competição, onde se encaixam ainda Julian Savea, Ruan Combrinck, Courtnall Skosan, James Lowe, Eto Nabuli, entre outros tantos.

A RECTA FINAL: SUPER FINISH PARA QUEM?

Estamos a três jornadas do fechar da fase regular do Super Rugby e ainda há alguns jogos de máxima importância a reter. Começamos pelo Highlanders-Crusaders já na próxima semana (2 de Junho às 08:30) que será decisivo para o objectivo dos visitantes em assegurarem o 1º lugar da competição; os Chiefs vão receber os Waratahs e qualquer passo em falso pode ser nocivo, uma vez que na semana seguinte vão à casa do campeão em título, os Hurricanes (9 de Junho).

Depois paramos durante três semanas para dar espaço aos Internacionais de Verão, com particular interesse da visita dos Lions a terras neozelandesas. Após esta pausa, só temos direito a uma jornada de equipas sul-africanas (atenção que no fim-de-semana de 2 e 3 de Junho só jogam equipas da Nova Zelândia e da Austrália, uma vez que os Springboks começam a preparação mais cedo) onde surgirão os Jaguares e Sunwolves.

E depois seguimos para a última jornada… que vai aquecer com um Hurricanes-Crusaders (um passar de “chama” ou os Hurricanes vão voltar a exercer domínio?) e um Sharks-Lions (a equipa de Ackermann tem de ganhar, para entrar no playoff com o killer instinct no máximo), para além de um Cheetahs-Kings (conseguirão os Kings subir ainda mais na tabela?) ou um Force-Waratahs. Estamos perto do final, não percam a possibilidade de seguir a maior competição de rugby de clubes do Mundo.


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