16 Ago, 2017

Brasil demolidor conquista América do Sul

André CoroadoFevereiro 14, 20176min0

Brasil demolidor conquista América do Sul

André CoroadoFevereiro 14, 20176min0

Um Brasil demolidor, Paraguai finalista e mundialista e uma nova coqueluche para o Mundial com o apuramento do Equador. Assim se processou o Torneio de Qualificação da CONMEBOL 2017 no Paraguai.

Terminou recentemente o torneio de qualificação da CONMEBOL para o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia FIFA 2017, evento que ditou o apuramento das selecções do Brasil, do Paraguai e do Equador para a competição mais importante da modalidade a nível global após uma maratona de 8 dias consecutivos de competição. Foi nas areias do Yacth and Golf Club de Assunção, a capital do Paraguai, que as dez formações da confederação sul-americana se digladiaram na luta pelas almejadas vagas no Mundial das Bahamas.

A prova proporcionou aos adeptos de futebol de praia a oportunidade para observar jogos intensos, nem sempre bem jogados, mas que acabaram por premiar justamente a maior qualidade apresentada dentro do terreno de jogo pelas três equipas que lograram alcançar o pódio. Todavia, acima de tudo, a competição ficou marcada pela manifestação de força da selecção brasileira, que revalidou o título de campeã da América do Sul.

Invencibilidade brasileira

A selecção Canarinha continua sem perder desde que Gilberto Costa assumiu o comando técnico da equipa, em Janeiro de 2016. Numa prestação avassaladora, a armada brasileira não sentiu quaisquer dificuldades na caminhada para o Mundial 2017 e tornou-se, até ao momento, a única selecção do planeta a conseguir o apuramento para todas as edições do campeonato do mundo (um feito que poderá vir a ser igualado pelo Japão, que disputará dentro de semanas a qualificação asiática).

Inserido num grupo relativamente acessível, o Brasil iniciou a competição com vitórias confortáveis sobre as congéneres venezuelana (6-2) e colombiana (9-5), em partidas onde o desnível abismal entre as equipas foi sempre muito evidente.

Ainda assim, as exibições brasileiras nem sempre foram completamente convincentes, fosse pelo excessivo abrandamento de ritmo em alguns momentos fosse pela maior displicência defensiva que acabou por permitir um reaproximar da Colômbia no marcador, com 3 golos no 3º período.

Não obstante, chegando aos jogos contra as equipas teoricamente mais difíceis, o Brasil revelar-se-ia absolutamente implacável, carimbando a qualificação em 3 jogos quase perfeitos diante de Perú, Equador e Argentina: 29 tentos apontados, apenas 2 golos sofridos e uma demonstração clara de força que confirma uma verdade há muito anunciada: à excepção do Paraguai, não existe actualmente nenhuma formação na América do Sul com capacidade para questionar a hegemonia do Brasil.

Gilberto Costa e a receita para o êxito

O segredo para o sucesso Canarinho passa em grande medida pela acção do novo seleccionador nacional, que manteve a base do grupo na era de Júnior Negão, mas provou-se exímio na arte de extrair desse conjunto de jogadores de topo mundial o melhor que eles tinham para oferecer.

Gilberto Costa trouxe de volta a segurança defensiva que constituía uma das imagens de marca do Brasil de outros tempos (recorde-se a geração dos tetra-campeões mundiais de Alexandre Soares), tendo instituído uma autêntica filosofia de solidariedade no processo defensivo e logrando tirar partido das características individuais mais valiosas de cada jogador por forma a fortalecer o ataque.

Efectivamente, o Brasil tem revelado uma organização defensiva colectiva irrepreensível, que começa na pressão alta que exerce sobre os adversários na primeira fase de construção e se intensifica à medida em que a bola se aproxima da sua baliza, sufocando completamente o portador da bola. Por este motivo, torna-se muito complicado criar oportunidades de golo contra o Brasil caso não se verifiquei o envolvimento de pelo menos 3 jogadores no processo ofensivo e se estes não revelarem rapidez e eficácia na tomada de decisões.

Também a nível de bolas paradas foi notório o trabalho de qualidade levado a cabo pela nova equipa técnica, ainda que esporadicamente possam surgir algumas falhas defensivas individuais.

O regresso de Mão, o icónico guarda-redes da Canarinha, à sua melhor forma desempenhou igualmente um papel decisivo na solidez defensiva do conjunto brasileiro, assim como o fortalecimento da figura da posição 2 por via da constância exibicional de Catarino, um dos mais completos jogadores da sua posição a nível mundial, e do experiente Daniel, sobrevivente da selecção da década passada.

Ofensivamente, vale a pena sublinhar a grande versatilidade da formação lusófona, que implementa em campo toda uma panóplia de movimentações e trocas de posição por forma a arrastar as defesas adversárias e criar espaços livres por forma a promover a criação de oportunidades de golo, em que a técnica dos seus jogadores acaba por sobressair.

Tal traduz-se numa alternância constante de sistemas de saída para o ataque, sendo reconhecíveis situações de 1:2:1, 3:1 e 2:2, incluindo por vezes a participação do guarda-redes Mão em cenários de 5×4. As equipas montadas por Gilberto Costa revelam um notável equilíbrio: a primeira, composta por Catarino, Bruno Xavier, Datinha e o pivô Mauricinho, mostra-se exímia na arte de baralhar as defesas adversárias num carrossel de rotações onde todos os jogadores passam pelas diversas posições, podendo surgir em zona de finalização; a segunda consiste numa aposta ganha por Gilberto, que fez descer Rodrigo para a ala (deixando o lugar de pivô que habitualmente desempenhava), aliando a sua velocidade e técnica alucinantes ao faro de golo do pivô Lucão, secundados pela criatividade de Bokinha e tranquilizados pelo pilar defensivo Daniel.

Reacção Guaraní ameaça, mas revela-se insuficiente

Apenas o Paraguai se mostrou capaz de competir com o Brasil, impondo uma resistência heroica aos intentos da selecção Canarinha no jogo da final, já com ambas as equipas apuradas.

Ainda assim, apesar do equilíbrio notório ao longo da partida, que eventualmente poderia ter conhecido um desfecho diferente, ficou também patente a superioridade brasileira durante grande parte do jogo, mostrando-se sempre mais consistente a vários níveis e mais equilibrada colectivamente.

Associado a tudo isto, a maior maturidade emocional da equipa constituiu um factor determinante no sucesso Canarinho, uma vez que os seus jogadores souberam lidar da melhor forma com as adversidades e o nervosismo sentido em fases decisivas do jogo, sabendo gerir da melhor forma os ânimos para retomar o controlo do jogo momentaneamente perdido.

Em face da actual conjuntura, depois de um ano de 2016 invicto e uma qualificação obtida em grande estilo, a questão impõe-se: conseguirá alguém parar este super-Brasil?

Uma coisa é certa: os pupilos de Gilberto Costa viajarão em Abril para as Bahamas com uma ambição renovada no assalto ao ceptro mundial que lhes foge desde 2009. O espectáculo está garantido, numa competição onde Portugal estará presente para defender o título conquistado nas areias de Espinho em 2015.

Brasil demolidor a caminho do título? (Foto: Globo)


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