18 Dez, 2017

Andebol no Rio 2016

Tomé BritoAgosto 25, 20168min1

Andebol no Rio 2016

Tomé BritoAgosto 25, 20168min1

No passado domingo terminaram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 e com isto também o Andebol no Rio; Infelizmente não foi possível ao Fair Play fazer um acompanhamento “em directo” do torneio, portanto é com este artigo que pretendemos partilhar três dos momentos que mais marcaram o torneio Olímpico de Andebol.

Dinamarca vence pela primeira vez os Jogos Olímpicos

Nunca uma selecção Escandinava – entenda-se Islândia, Suécia, Dinamarca,  Noruega ou Finlândia – tinha ganho o torneio Olímpico de Andebol, apesar de 4 destas serem das selecções com maior história neste deporto, e muito menos, ainda, esperava-se que fosse este ano que Dinamarca ou Suécia, únicas selecções do respectivo ponto da Europa presentes no Rio iriam vencer, quando ambas estão num momento mais debilitado no que diz respeito a resultados em grandes competições, e quando França, Alemanha, Croácia têm vindo a demonstrar uma maior hegemonia. Contudo, a “semi-surpresa” aconteceu, e a Dinamarca conseguiu vencer pela 1ª vez na sua história os Jogos Olímpicos ao derrotar na final a favorita França por 28-26.

Quanto aos resultados, a Dinamarca saiu do Rio com apenas 2 derrotas, contra Croácia e França na Fase de Grupos, curiosamente os jogos mais complicados e que deram a sensação da selecção Dinamarquesa estar um pouco abaixo do nível daquelas duas selecções. No entanto nos “quartos” e nas “meias” o nível da equipa aumentou e derrotaram a Eslovénia – uma das selecções em melhor forma na fase de grupos – e a Polónia – em crescendo de forma até aí – no caminho até à final, onde voltaram a defrontar a França. No jogo da final apareceu Mikkel Hansen a um elevadíssimo nível, que coadjuvado pelos bons jogos dos irmãos Toft Hansen e Morten Olsen lideraram a equipa à vitória final. Do lado da França, as demasiadas falhas técnicas e a precipitação das principais estrelas – vontade de assumir – nos momentos finais saíram caro, tendo que se contentar com o 2º lugar, ficando as fantástica exibições de Daniel Narcisse e Valentin Porte um bocado “à sombra”.

O Andebol não foi o melhor. Pouco fluido, sem ideias – a ausência do 2º melhor jogador atacante, Rasmus Lauge não ajudou – e voltou a notar-se uma excessiva dependência do que Mikkel Hansen conseguia fazer no ataque. Assente numa forte defesa, e nos contra-ataques dos pontas, a Dinamarca conseguiu chegar à vitória final. A nível individual foram vários os jogadores que se destacaram: Mikkel Hansen, a estrela da equipa e o MVP do torneio, voltou a ser determinante e cimentou ainda mais a sua posição como o melhor atirador do planeta. É impressionante a facilidade de remate que o lateral-esquerdo do PSG demonstra, e mesmo sem ser muito vistoso no 1 x 1 ou na construção de jogadas, foi por várias vezes o “central”  da equipa. Morten Olsen, que começou como suplente na competição, teve um início de competição algo nervoso, mas com o agarrar da titularidade assumiu muito bem a posição de central e fez, a espaços, esquecer Rasmus Lauge. Surpreendeu essencialmente pelos golos de 1ª linha que marcou. Mas onde se notou a verdadeira força foi no bloco central da defesa, onde os irmãos Toft Hansen – Rene e Henrik – demonstraram mais uma vez serem dos melhores defensores da modalidade, sendo igualmente importantes no ataque, essencialmente, a pivot com a sua facilidade em ganhar o espaço. Importa também realçar os bons, mas por vezes irregulares torneios dos pontas Casper Mortensen – finalmente titular após o abandono de Anders Eggert – e Svan Hansen.

Foi portanto um torneio de sentimentos mistos para os amantes do Andebol por parte da Dinamarca. Se por um lado é bom ver uma das seleções com mais história neste desporto voltar a vencer uma grande competição, por outro o Andebol demonstrado não foi o mais atractivo. Contudo penso que entre jogar bem e não ganhar, e jogar “assim-assim” e ganhar, a maioria escolheria a 2ª opção.

Mikkel Hansen o MVP da Dinamarca (Foto: tvi24.iol-pt)
Mikkel Hansen o MVP da Dinamarca (Foto: tvi24.iol-pt)

Rússia quebra hegemonia da Escandinávia nas senhoras

Desde os Jogos de Atlanta em 1996 que duas selecções Escandinavas – Dinamarca em 96′, 00′ e 04′ e Noruega em 08′ e 12′ – vinham a dominar o torneio Olímpico de Andebol Feminino e tendo em conta os resultados mais recentes nas grandes competições seria de esperar que a Noruega conseguisse o 3º título Olímpico consecutivo, contudo, uma outra selecção de elevado palmarés na modalidade demonstrou os críticos errados e venceu pela 1ª vez os Jogos Olímpicos. Esta selecção é a Rússia.

A Rússia jogou aquele que foi talvez o melhor andebol por terras Brasileiras a nível atacante. Um ataque muito móvel, com a 1ª linha sempre em movimento e em constantes cruzamentos, que iam complicando as marcações às defesas adversárias abrindo, por isso, espaços nestas, que eram eficazmente aproveitados pelas jogadoras Russas. O jogo era “pendia” excessivamente para os 6 metros, procurando sempre o 1 x 1 ao invés do remate de 1ª linha, como explica o número de livres de 7 metros que a equipa teve por jogo, 5 em média. A defesa não foi a melhor – apenas por uma vez em 8 jogos sofreram menos de 25 golos e foi na final – demonstrando grande falta de pressão sobre o portador da bola e pouca agressividade.

A nível individual vale a pena destacar uma (pequena) grande jogadora de apenas 21 anos, Anna Vyakhireva. Ponta-direita de origem, a jogadora de apenas 1,68m foi quem ganhou a final para a Rússia a jogar a… central. Na verdade foi talvez uma das melhores exibições a nível individual que se viu neste torneio olímpico a de Vyakhireva na final. Sem medo de assumir o jogo a “central” marcou 5 golos mas foi no capítulo da criação de situações de finalização para as companheiras onde realmente impressionou e demonstrou grande capacidade no 1x 1 atacante. Se já é raro ver uma central de estatura tão baixa, ainda mais o é quando a mesma é esquerdina. Tendo em conta esta final é seguro dizer que a Rússia ganhou uma possível central para os próximos anos.

Anna Vyakhareva (13), a talismã da Rússia (Foto: japaninsider.com)
Anna Vyakhareva (13), a talismã da Rússia (Foto: japaninsider.com)

Andebol está bom e recomenda-se

Existe uma palavra que marcou este torneio Olímpico tanto nos masculinos como nos femininos: Competitividade.

E Competitividade porquê? Os momentos de forma de várias das equipas presentes foi mudando, como é exemplo a selecção do Qatar, que na 1ª jornada da fase de grupos derrotou a favorita Croácia, por uma margem de 7 golos, na 2ª jornada perdeu com a favorita França por 15 golos e na 3ª jornada apenas conseguiu um empate frente à Tunísia. Foi portanto um torneio muito imprevisível, cheio de emoção e de grandes jogos.

As guarda redes de Angola festejam uma vitória (Foto: zimbio.com)
As guarda redes de Angola festejam uma vitória (Foto: zimbio.com)

Outra razão foi a quantidade de resultados “surpreendentes” que ocorreram, para os adeptos mais desatentos, como a França “apenas” derrotar a Tunísia por 2 golos, a Croácia – depois de um mau início de competição – derrotar a França, ou no torneio feminino, a Angola que iniciou a sua participação com 2 vitórias seguidas contra selecções mais cotadas, a conseguir o apuramento para os quartos de final. É sempre bom ver que algumas selecções estão a voltar ao grande nível do passado – Alemanha nos masculinos – e outras que estão a marcar a sua posição na elite mundial – Holanda nos femininos.

Com cada vez mais selecções a (re)afirmarem-se como potências na modalidade. Isto só traz mais emoção ao Andebol e às grandes competições que aí estão para vir.


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