22 Fev, 2018

A caminho do Mundial: 5 duelos imperdíveis

João BastosJulho 9, 201710min0

A caminho do Mundial: 5 duelos imperdíveis

João BastosJulho 9, 201710min0

Com os Campeonatos do Mundo de Desportos Aquáticos à vista, o Fair Play elabora uma série de 10 artigos sobre os potenciais destaques em Julho, na Hungria. O nono é uma selecção de 5 derbies que vão fazer a água de Budapeste pegar fogo

No último mundial (Kazan 2015), vários foram os rivais que protagonizaram confrontos que marcaram os campeonatos: James Guy – Sun Yang, nos 200 e 400 livres, Sun Yang – Gregorio Paltrinieri nos 800 livres, Adam Peaty – Cameron van der Burgh nos 50 e 100 bruços, Laszlo Cseh – Chad le Clos nos 100 e 200 mariposa, Katie Ledecky – Federica Pellegrini nos 200 livres ou Yulia Efimova – Ruta Meilutyte nos 100 bruços.

Já no ano passado, o Rio de Janeiro foi palco da despedida da maior rivalidade da história da natação: Michael Phelps vs Ryan Lochte nos 200 metros estilos. Uma espécie de Real-Barça da natação.

Lochte não conseguiu estar à sua própria altura e o último clássico americano não teve o brilho dos anteriores, com o recordista mundial a ficar no 5º posto. Já Phelps não facilitou e consagrou-se tetracampeão olímpico da prova. Em todas as restantes competições de nível mundial (Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos) o saldo foi o seguinte:

Desde 2003, em todas as competições planetárias, os 200 estilos foram vencidos por um dos dois. Em 2017 não será assim | Foto: SB Nation

Nos mundiais húngaros antevêem-se grandes duelos. Nenhum da dimensão do protagonizado pelos rivais americanos (nunca houve nem nunca haverá outro igual) e, provavelmente, não tantos como em Kazan’2015.

O mundial da Hungria promete ter como nota de destaque o domínio avassalador que vários nadadores vão assumir em diversas provas, como Katie Ledecky nos 200, 400, 800 e 1500 metros livres, Sarah Sjöström nos 50 e 100 livres, 50 e 100 mariposa, Katinka Hosszu nos 200 e 400 estilos e Adam Peaty nos 50 e 100 bruços.

Para além disso, perdeu-se a oportunidade de ver um duelo Sjöström – Cate Campbell nos 100 livres ou Sjöström – Ledecky nos 200 do mesmo estilos.

Ainda assim, há provas cuja presente época deixa antever que serão bastante disputadas e de desfecho imprevisível. Neste nono artigo de antevisão, destacamos 5 duelos que vão proporcionar grandes espectáculos em Budapeste:

#1 – Sun Yang (CHN) vs Mack Horton (AUS)

O primeiro grande confronto entre os dois deu-se o ano passado nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, com o australiano a superiorizar-se ao chinês nos 400 metros livres por apenas 13 centésimos. Chegou essa final para criarem uma história de rivalidade entre os dois.

A disputa tornou-se tão acesa que transbordou as margens da piscina olímpica do Rio de Janeiro. Alegadamente, Sun provocou Horton durante um aquecimento e no seguimento o australiano disse que não responderia a provocações por não ter tempo a perder com batoteiros, numa alusão à suspensão de 3 meses que o chinês sofreu em 2014, por ter recorrido ao uso de substâncias dopantes.

No que interessa aos adeptos da natação, os 400 metros livres prometem ser o reduto de mais um capítulo da história de rivalidade entre Sun e Horton. Ambos terão de contar com a oposição de grandes adversários, como James Guy, Gabriele Detti ou Tae Hwan Park que farão desta uma das provas mais interessantes do programa…e logo a abrir os campeonatos.

#2 – Yulia Efimova (RUS) vs Lilly King (EUA)

Mais um duelo que pegou fogo no Rio de Janeiro. Lá, foi a americana que levou a melhor nos 100 metros bruços, mas durante o torneio não teve uma postura muito cortesã com a russa. Nas eliminatórias e meias finais sempre teve gestos e atitudes pouco elegantes para com Efimova e no final, na conferência de imprensa, disse – ao lado da adversária – que “foi fantástico ter sido campeã olímpica e, sobretudo, tê-lo sido de forma limpa” (a russa vinha de um período de suspensão por recurso a doping).

Estas declarações contribuíram para um verdadeiro ambiente de hostilidade para com toda a delegação russa, com Efimova a ser o alvo preferencial dos assobios do público presente na piscina olímpica.

Nestes mundiais vamos poder vê-las a nadar as três provas de bruços, mas é na prova de 100 que se prevê uma luta mais renhida – isto porque Lilly é mais forte nos 50 metros e Yulia é mais forte nos 200 – e pelo que têm feito esta época, a contenda promete acabar em record do mundo.

Efimova é a líder mundial do ano com 1:04.82, obtidos na etapa de Canet do circuito Mare Nostrum; King é a segunda do ranking com 1:04.95, feitos nos trials americanos. O record mundial pertence à lituana Ruta Meilutyte com 1:04.35, que ainda há uma semana nadou os 100 bruços em 1.14 nos nacionais lituanos (!!)

GIF: Deadspin

#3 – Xu Jiayu (CHN) vs Ryan Murphy (EUA)

O americano chegou aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com o rótulo de surpresa, depois de nos 100 costas ter deixado de fora o campeão olímpico de Londres, Matt Grevers.

Quando saiu da cidade maravilhosa a surpresa ainda era maior, já que não só se sagrou bi-campeão olímpico em ambas as provas de costas, como também recordista mundial dos 100 metros costas.

Este ano não fez um tempo particularmente impressionante nos trials americanos, mas a três semanas do mundial é normal que Murphy tenha optado por nadar a qualificação ainda em carga.

Quem impressionou bastante, logo em Abril deste ano, foi o chinês Xu Jiayu que marcou 51.86 nos nacionais chineses, apenas 1 centésimo acima do record mundial de Murphy, sendo o terceiro nadador de sempre a baixar da barreira dos 52 segundos (o primeiro foi Aaron Peirsol).

O frente-a-frente entre os dois é dos mais aguardados e pode bem ser nadado abaixo do record do mundo. Mas eles não se podem preocupar apenas um com o outro: Matt Grevers está de regresso (e venceu Ryan Murphy nos trials) e Mitch Larkin irá à Hungria para defender o seu título mundial.

#4 – Joseph Schooling (SIN) vs Caeleb Dressel (EUA)

Se escrevêssemos este artigo há uma semana, estaríamos a projectar o duelo entre Joseph Schooling e Chad le Clos nos 100 mariposana verdade, já o fizemos.

Entretanto decorreu a qualificação americana e surgiu Caeleb Dressel na equação. Os 50.87 que o americano marcou em Indianapolis lançou-o para a pole position da corrida ao ouro mundial. O campeão olímpico não perdeu tempo e já esta semana marcou 50.96, numa competição no Texas.

Nos últimos 15 dias, o confronto entre os dois tornou-se um dos pontos de interesse dos mundiais, até porque será inédito.

A prova de 100 mariposa masculinos está marcada para o penúltimo dia e para além dos três nadadores já citados, ainda há o húngaro Laszlo Cseh e o chinês Li Zhuhao a completar o ramalhete de candidatos que tornarão esta uma das provas mais electrizantes da Hungria.

Foto: Getty Images e Kevin Lim

#5 – Katinka Hosszu (HUN) vs Emily Seebohm (AUS)

A dama de ferro está convocada para representar a Hungria em nada mais, nada menos do que 11 provas. Tendo em conta que não irá nadar os 50 bruços, que nadou os 100 e 200 livres na qualificação húngara para integrar as estafetas e que saindo dos 400 e 800 livres, dá lugar a Ajna Kesély que é uma nadadora em franca progressão na equipa húngara, sobram os 50, 100 e 200 costas, 200 mariposa, 200 e 400 estilos.

Ora, nos 200 e 400 estilos não se espera que tenha grande concorrência (ainda para mais com Siobhan-Marie O’Connor longe da forma que exibiu o ano passado) e nos 200 mariposa é difícil escolher qual será a sua principal adversária entre Mireia Belmonte, Franziska Hentke e Suzuka Hasegawa (podendo Hosszu desistir de nadar a prova, como fez no Rio).

Nas provas de costas vamos, com certeza, ver Hosszu em acção. E em todas elas vai encontrar a australiana Emily Seebohm, campeã mundial dos 100 e dos 200 metros costas.

As duas vêem com o orgulho ferido do Rio, sobretudo a australiana. Para o currículo da australiana exigia-se mais do que o 7º lugar nos 100 costas e o 12º lugar nos 200 costas.

Para Hosszu faltou vencer os 200 costas para fazer o pleno de vitórias nas provas que nadou. Por isso, espera-se que as duas vejam os mundiais da Hungria como uma oportunidade de redenção.

Mas não será fácil. Nos 50 não são sequer favoritas. Aí quem manda é a chinesa Fu Yuanhui, nos 100 terão de contar com a oposição de Kylie Masse que este ano já nadou muito perto do record do mundo e nos 200 metros, não havendo a campeã olímpica, retirada após os JO, Maya DiRado, nem a recordista do mundo, Missy Franklin, haverá outra americana, que lidera o ranking mundial: Kathleen Baker.

Recorde o que Seebohm fez a Franklin e Hosszu nos mundiais de Kazan

Com duelos como estes, somando aos que vão surgir com o decorrer dos campeonatos, os mundiais da Hungria contam com vários atractivos que prometem ser uma boa promoção à natação. Quando for dada a ordem para os nadadores tomarem os seus lugares, só nos restará tomar os nossos e assistir ao maior espectáculo aquático do ano.

*Este artigo é o nono de uma série de 10 antevisões do mundial de Budapeste:
1º – Adam Peaty, a perfeita imperfeição
2º – O regresso da prova rainha (versão masculina)
3º – O regresso da prova rainha (versão feminina)

4º – Os donos da casa
5º – A oportunidade de Le Clos
6º – Resgate do orgulho Aussie
7º – 10 teenagers a seguir com atenção
8º – O mundo aos pés de Sjöström


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