17 Fev, 2018

O FC Porto e o Mercado: os novos, os que ficaram e os que não vieram

Francisco IsaacJaneiro 30, 20188min1

O FC Porto e o Mercado: os novos, os que ficaram e os que não vieram

Francisco IsaacJaneiro 30, 20188min1
O fecho de contratações está aí à porta e o Fair Play avalia o que se passou no Dragão. O FC Porto e o Mercado, ou de como falhar uma oportunidade

Uma oportunidade perdida… é desta forma como podemos avaliar a ida do FC Porto ao mercado de Inverno, com apenas quatro reforços para mostrar aos seus adeptos. Majeed Waris, Yordan Osorio, Gonçalo Paciência e Paulinho foram as contratações apresentadas pelos azuis-e-brancos, num plantel que tem sérios problemas de profundidade em caso que surjam lesões minimamente graves.

O Fair Play analisa não só o que significa a inclusão do ex-Lorient, Tondela e Portimonense no plantel, mas também das não-saídas de jogadores como Iker Casillas, Maxi Pereira ou Hernâni.

Para além disso, vamos observar que reforços teriam dado jeito ao plantel e que poderiam ter chegado por uma quantia até bem confortável para os cofres do FC Porto.

WARIS, PACIÊNCIA, OSORIO E PAULINHO… CHEGAM?

Numa palavra: talvez, mas mais caído para o não. Falamos do ponto de vista da profundidade do plantel, especialmente em algumas secções que precisavam de pelo menos um novo nome para dar outra sustentabilidade para o que resta da temporada. Veja-se a lesão de Danilo Pereira: quem assumirá a posição de 6 no onze de Sérgio Conceição? Diego Reyes? Possível, mas então quem alinhará no eixo defensivo, uma vez que Felipe está suspenso para a 1ª mão da Liga dos Campeões? Osorio? Estará o central venezuelano pronto para as exigências da Champions League?

O venezuelano tem algum potencial, evidenciando-se forte na marcação directa, bom na disputa aérea (1,89 de altura) e, minimamente, agressivo na disputa de bola. Mas ainda precisa de minutos ao mais alto nível.

Logo neste breve parágrafo colocámos várias dúvidas ao FC Porto que ficaram à mercê de uma SAD que está controlada pelo Fairplay financeiro e que não pode fazer gastos extraordinários.

Ou seja, Sérgio Conceição está entregue à sua sorte e engenho. Poderá Herrera alinhar como um “falso” trinco, abrindo espaço para a entrada de André André no onze dos Dragões? Ou será Paulinho a aproveitar a lesão do trinco, para ocupar o lugar de médio mais avançado, empurrando Herrera para uma posição mais atrasada?

O criativo brasileiro é um bom maestro com a bola nos pés, dotado de uma boa velocidade, capaz de “partir” o jogo e de inventar espaços para dar liberdade e oportunidade aos seus colegas do sector ofensivo, algo que Brahimi vai agradecer. O argelino vai ser o jogador mais beneficiado desta nova entrada, com Paulinho a ser um desiquilibrador nato na frente de ataque, tirando algum peso de Brahimi.

Gonçalo Paciência vai ser uma incógnita, dependendo ou não se Conceição vê no português algum potencial. Em Setúbal estava a realizar uma boa temporada, demonstrando um primor técnico que faz inveja a muitos pontas-de-lança. Com 10 golos e 6 assistências nos 24 jogos pela formação do Sado, Gonçalo traz “cérebro” para dentro da área, algo que pode fazer muito jeito em alguns momentos da temporada.

Por fim, Waris… o Fair Play já o dissecou num artigo que podem aceder (cliquem aqui), mas é importante notar que Waris poderá muito bem entrar num esquema de 433, apresentando-se como um avançado que pode tanto descair para a ala ou refugiar-se para dentro da área. A sua velocidade, destreza e capacidade de rasgo serão armas bem curiosas e, mais uma vez, será Brahimi a agradecer a participação do avançado.

Dois reforços para o ataque… mas será que chega?

OS QUE IAM SAIR MAS AFINAL POR CÁ FICARAM…

Iker Casillas, Maxi Pereira, Hernâni e André André foram mencionados em várias notícias da imprensa Nacional como jogadores na porta de saída, mas afinal ficaram no Dragão. O vender jornais é um principio inabalável para a imprensa Nacional, assim como o “somar” cliques em notícias facilmente feitas e que rapidamente afirmam ser “fonte próxima de…”.

Olhando para o espectro actual, nunca ninguém poderia aceitar, no seu perfeito juízo, que o FC Porto iria libertar quatro jogadores, quando tem dificuldades imensas para contratar activos atractivos.

Waris veio por uma pechincha e Paulinho por uns poucos milhões de euros, mas com a cedência de Galeno, Fede Varela e, ao que se entende, Rui Costa (apesar do jogador pertencer aos quadros da equipa do Portimão).

Fabiano, Inácio ou Rui Pires, todos atletas da equipa “B” (Inácio regressou neste defeso) não são soluções para a equipa principal e, por isso, nunca Sérgio Conceição ia libertar ou prescindir da experiência e categoria de Casillas, a raça e entrega de Maxi ou o trabalho e intensidade de André André ou até dos detalhes curiosos (mas escassos para uma equipa do nível do FC Porto) de Hernâni. Curiosamente, são todos suplentes neste momento mas são fundamentais para a estratégia de época do timoneiro do FC Porto.

Não existindo capacidade financeira para fazer esforços de outras épocas (foi o 6º defeso de Inverno mais pobre dos últimos 15 anos), o plantel não poderia sofrer mais penalizações, abrindo-se espaço para criar não só problemas físicos, mas mentais e logísticos.

Neste momento, o pensamento de Sérgio Conceição vai o pormenor de que todos os jogadores contam para o que resta da temporada. A filosofia de Conceição é que a equipa está acima das necessidades individuais, mesmo que algum jogador fique com o mundial em risco.

QUEM DEVIA TER VINDO MAS NÃO VEIO…

À cabeça o central do Rio Ave de seu nome Nelson Monte teria sido uma boa solução para o eixo-defensivo do FC Porto. Rápido, móvel, exigente e fisicamente mordaz, o português tinha tudo para ganhar lugar com Sérgio Conceição, libertando Diego Reyes para a posição de 6 no caso de lesão de Danilo Pereira (ironia do destino, o internacional português iria acabar Janeiro com uma rotura muscular).

Falou-se de Nakajima, mas o japonês poderia ser outro Suk no Dragão, sem espaço para brilhar no meio da raça e agressividade física africana que desponta no ataque azul-e-branco. Por isso, não foi um pesar tão grande como se podia pensar.

Contudo, Raphinha do Vitória SC teria dado jeito ao FC Porto, uma vez que é um jogador rápido, vertical, dotado com a bola nos pés e que adora jogar no limiar do risco. Perante o baixar de forma de Jesus Corona (é notório que o mexicano não está bem a nível físico e emocional, sendo uma peçaperdida no esquema de Conceição), o extremo dos vimaranenses teria dado jeito ao plantel portista.

Erdem Sen do Marítimo SC teria sido um reforço minimamente curioso, já que o turco poderia ocupar com excelência a posição de 6 ou 8, na eventualidade de alguma lesão dos actuais titulares. Raçudo, munido de um bom passe e um recuperador de bolas de elevado nível, o jogador dos insulares entraria que nem uma “luva” no meio-campo defensivo do treinador principal do FC Porto.

Por fim, Juan Quintero. O Fair Play já debateu bastante sobre este tema num artigo que recomendamos a leitura: ler aqui.

EQUIPA B… É PARA AJUDAR OU NÃO CONTA?

Para finalizar, o mercado dos Dragões poderia ter sido ainda mais interno, indo à equipa B recrutar alguns atletas que têm estado em grande: Fede Varela, Rui Pires, Luizão, Moreto Cassamá ou André Pereira. Estes nomes poderiam ser quase reforços obrigatórios para Sérgio Conceição e, curiosamente, até certo momento o foram como Pereira ou Galeno.

Contudo, de um momento para o outro parece que a conexão com a equipa B esmoreceu e agora não há tanta vinda dos bons talentos que habitam na segunda formação dos Dragões. Ainda por mais quando o FC Porto “B” domina a classificação da Ledman Liga Pro, apurou-se para os quartos-de-final da Premier League International e tem dado reais provas que é uma formação de interesse e que deveria ser tratada como uma autêntica “fábrica” de ajuda à equipa principal.

Rui Pires e Luizão não poderiam ser soluções para o centro do terreno? Fede Varela não podia dar um acrescento interessante ao ataque? André Pereira fica atrás de Hernâni? E Jorge Fernandes ou Diogo Queirós não podiam servir como suplentes na equipa B, caso existisse necessidade?

As questões repetem-se, o mistério adensa-se e a SAD portista poderá estar mesmo a entrar por perímetros pantanosos em termos de seriedade e lógica, parecendo ter algum problema na aposta de jovens da formação no plantel principal.

Veja-se os casos de André Silva e Ruben Neves, duas das maiores “pérolas” dos azuis-e-brancos que foram quase afastados do FC Porto. Será que o FC Porto tem condições para continuar a fazer este “jogo”?

Este foi o mercado do FC Porto… fraco, satisfatório, suficiente ou bom? Qual é a opinião do leitor?


One comment

  • Vímara Peres

    Janeiro 31, 2018 at 8:26 pm

    Análise patética. Ponto 1, o FC Porto tem 4 reforços e não 2, poderá ter mais 1 até o fecho do mercado a meia noite. Waris, Paulinho, Osorio e o regresso de Gonçalo Paciência são jogadores com muito nível e ainda muita margem de progressão especificamente no caso de Paulinho e Osorio. Aliás o central é claramente uma aposta de futuro, o FC Porto não ia agora perder a cabeça com um central de renome só por causa do jogo do Liverpool que não é prioridade para os Dragões. A grande prioridade são as provas nacionais. Neste caso Reyes poderá perfeitamente jogar a 6 de maneira provisória (mais ou menos 3 a 4 semanas) outros jogos será o Herrera a desempenhar está função até o regresso de Danilo.
    Ponto 2, a formação do FC Porto não é trabalhada para colmatar lugares nucleares ou sendo incluídos diretamente na equipa principal, apenas como é óbvio, se não houver mesmo mais soluções. Os jogadores da formação do FC Porto ao contrário de alguns rivais, completam quase sempre o seu ciclo com um empréstimo em equipas da primeira liga até chegar a um ponto de maturação satisfatório. Depois sim vão integrando a equipa aos poucos.
    Creio que além de patética a vossa análise é também muito tendenciosa.

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