21 Fev, 2018

Um teorema chamado Arsenal

Ruben CardosoJulho 27, 20176min0

Um teorema chamado Arsenal

Ruben CardosoJulho 27, 20176min0

À porta de mais uma época de Premier League, permanece uma nuvem de incerteza acerca do futuro competitivo e da sustentabilidade do projecto Arsenal. O Fairplay analisa alguns dos aspectos decisivos para a próxima temporada, uma em que os gunners, pela primeira vez desde 2000, não estarão presentes na Liga dos Campeões.

Arsène Wenger é um nome mítico para qualquer adepto do Arsenal. Tem hoje em dia a honra de ser o técnico há mais tempo à frente do mesmo clube na Premier League (tendo ultrapassado Sir Alex Ferguson), continua a ser um treinador intimamente ligado à cultura do clube, e é um homem que, para além de tudo, tem a sua filosofia muito orientada e consciente naquilo que pretende dos seus jogadores e do planeamento da época. No entanto, esta mesma percepção acerca do planeamento continua a custar, ano após ano, competitividade para o clube, que com o passar do tempo tem perdido o seu lugar nos holofotes da luta pelo título da Premier League – para além de sucessivas eliminações na Liga dos Campeões nos oitavos-de-final.

A táctica vencedora?

Já perto do final da época em Inglaterra, Wenger tomou uma decisão drástica, que causou algum choque na crítica e nos próprios adeptos, após uma sucessão de maus resultados, e de ainda piores exibições: a aposta num modelo de 3 centrais, num esquema algo similar aquele que Conte implementou no Chelsea. Não é a primeira vez que o técnico francês experimenta este modelo, no entanto, o timing para o fazer suscitou dúvidas. Sendo certo que a equipa estava em claro declínio exibicional e emocional, seria sensato apostar um esquema com o qual a maioria dos jogadores não está familiarizada?

Foto: BBC

Esta aposta surgiu após uma embaraçosa derrota com o Crystal Palace por 3-0, naquele que foi o quarto desaire consecutivo fora de portas. E o primeiro teste seria de fogo, frente ao Manchester City, num jogo a contar para a FA Cup (isto já depois de ter vencido o Middlesbrough na primeira experiência em 3x4x3). Não só o Arsenal venceu os citizens como rubricou nesse jogo uma das melhores exibições da época. Daí até ao fim da temporada, Wenger manteve o sistema, trazendo ao de cima o melhor de alguns jogadores como Chamberlain, Xhaka ou Monreal, elementos que tiveram épocas abaixo do que seria expectável.

Em 2017, prevê-se que a aposta seja para continuar, mas ainda existem algumas dúvidas, principalmente na defesa – apenas Koscielny e Mustafi se apresentam como alternativas claramente viáveis, para além do jovem Holding que surpreendeu na sua primeira época na Premier League -, e claro, na manutenção de Alexis como a alma da equipa e o jogador mais importante de um clube quase à deriva, que urge por títulos. O Arsenal continua a mostrar-se pouco activo no mercado de transferências – um assunto que desenvolveremos mais à frente.

Enfim, fora da Champions

Pela primeira vez em 17 anos, o Arsenal não vai estar presente na fase de grupos da Liga dos Campeões. Um dos maiores argumentos para a defesa de que a carreira de Wenger à frente do clube não é tão pálida como se julga é o facto de o francês ter colocado o clube na rota da Europa – apesar de só ter passado dos quartos-de-final 2 vezes neste período de tempo. E este é um factor que toma um peso particularmente importante, não apenas para as finanças do clube, mas como para a sua sobrevivência competitiva.

Não é estranho o facto de existirem enormes jogadores arredados da prova maior do futebol mundial a nível de clubes, porque os seus clubes não reúnem os meios necessários para alcançar a prova. No entanto, este não é o caso do Arsenal, que sendo um dos mais ricos clubes do mundo, tem toda a estrutura e mecanismos para construir um plantel competitivo e que deveria estar sempre presente na Liga dos Campeões. Este pode ser um dos principais problemas na óptica de manter os maiores activos do clube satisfeitos – nomeadamente Alexis Sanchéz, que termina o seu contrato com o clube em 2018 – , mas também para atrair novos reforços, pois deixa de existir o incentivo da montra da Champions.

Mais uma eliminação pesada na Champions, pela mão do Bayern. Foto: UEFA

Problemas de defeso

Neste defeso absolutamente louco, que já viu transferências como a de Lukaku para o Manchester United ou de Mendy para o City, o Arsenal mantém a postura que tem sido habitual nos últimos longos anos: muito pouco activo no mercado, e apenas a fazer contratações de “oportunidade”. Quando esta realidade é confrontada com o facto de só o United em Lukaku ter gasto mais do que o Arsenal neste defeso, comprova-se que continua algo errado no reino dos gunners. Não tanto pelas somas investidas, pois essas são refém da flutuação do mercado, mas pela aparente inoperatividade dos responsáveis do clube, quando existem claras lacunas em praticamente todos os sectores da equipa.

Um dos casos mais claros, porém, foi resolvido: o namoro antigo entre Wenger e Lacazzette finalmente deu em casamento, com o ponta-de-lança francês a chegar para trazer um dos aspectos que tem estado em claro défice no Arsenal – golos, golos, golos. Lacazzette marcou muitos pelo Lyon, e sendo um jogador com uma panóplia de recursos à sua disposição, pode continuar a fazê-lo na Premier League. O outro reforço foi Sead Kolasinac, que chega a custo zero depois do seu vínculo contratual com o Schalke ter terminado em Junho último. Um lateral que tem todas as condições para vingar em Inglaterra, e que pode significar a fixação de Monreal no eixo defensivo, onde já fui utilizado no final da temporada.

No entanto, continua a saber a pouco, principalmente quando é sabido que o Arsenal é um clube com imensos recursos financeiros à sua disposição, e que caso Wenger assim o quisesse, poderia investir bem mais no reforço da equipa. Já foram falados nomes como Mbappé, Lemar, Matic, Seri ou Mahrez, mas a verdade é que chegaram ao Emirates apenas dois jogadores, num plantel a pedir desesperadamente elementos de classe mundial para poder voltar a sonhar com a conquista do campeonato. Enquanto este obstáculo não sair da frente, será uma tarefa hercúlea para os gunners poderem ombrear com os adversários, sendo que a maior quota da responsabilidade deverá ser imputada a quem toma as rédeas de todo o futebol do clube, na pessoa de Arsène Wenger. O fim da linha nunca esteve tão próximo para o francês, que pode ter este ano a sua derradeira oportunidade de voltar a fazer história pelo clube londrino.

Lacazzette, a contratação mais sonante do defeso gunner. Foto: arsenal.com


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter