24 Nov, 2017

Um problema que vai além de Bravo – Parceria A Última Barreira

Fair PlayFevereiro 16, 20174min0

Um problema que vai além de Bravo – Parceria A Última Barreira

Fair PlayFevereiro 16, 20174min0

É um dos temas mais debatidos em Inglaterra e daqueles que geram mais controvérsia e opiniões extremadas. O assunto Cláudio Bravo no Manchester City é polémico. E isso vai além do rendimento desportivo do guarda-redes, que é apenas uma consequência de um contexto altamente adverso.

A verdade é que ninguém consegue ter rendimento perante uma atmosfera tão densa de negativismo. Ou pelo menos é muito complicado.

São os adeptos que olham para o Bravo como o “responsável” pela saída de Joe Hart (ídolo no clube), apesar de não ser o culpado de tal decisão (mas sim Guardiola). É o modelo defensivo da equipa e vulnerabilidade dos seus defesas que o colocam sistematicamente perante adversários isolados. É o próprio Bravo que não se está a adaptar ao futebol inglês e, principalmente, a ultrapassar tal atmosfera densa no seu clube.

O alto custo da sua transferência (cerca de 16M de euros), tal como chegar do Barcelona, onde venceu quase tudo, e ainda ser o homem que tirou Hart do clube (indirectamente) são factores que não facilitam o rendimento. Isto gerou expectativa e, principalmente, exigência no rendimento de Bravo ao ponto de não poder sequer ter um erro, mesmo que não dê em golo. Nada lhe é perdoado e tudo é analisado até à exaustão pelos tablóides ingleses.

Bravo tem sido exposto por toda a imprensa inglesa que procura conteúdos para alimentarem esta polémica e mau momento de forma (que existe, é verdade). E isso não será ultrapassado mesmo que Bravo começasse a defender tudo. Não é tão simples a questão.

Certo é que Bravo nunca foi acarinhado no clube e, neste momento mau, é quando os maiores críticos aparecem. Não é fácil dar a volta a esta situação tão complexa… talvez seja o maior desafio na carreira de Bravo e também de Guardiola, que o contratou. Mas Guardiola não facilitou… e tomou o caminho mais seguro e também incoerente (em parte).

(Foto: sport.es)

Willy Caballero assumiu a baliza do Manchester City nos últimos jogos. É uma boa decisão para levantar a equipa. Porquê? Todos sabem que Bravo era o eleito para a baliza do clube desde que chegou e isso trouxe uma “aura” de proteccionismo ao guardião. Mesmo quando ele errava, Guardiola aparecia por trás a dizer que o adorava e que era um mau momento apenas. Até o colocar no banco de suplentes… e nesses momentos dizer publicamente que Bravo é um dos melhores do mundo. Não será incoerente dizer isso enquanto está no banco… por decisão técnica? Uma coisa é dizer tal opinião quando Bravo estava a titular, outra totalmente divergente é dizê-lo quando não está a jogar porque assim o treinador entendeu. A mensagem que passa é de desnorte e nada pior que um treinador ser incoerente.

Mas focando novamente em Willy e no positivo da situação… A mensagem que Guardiola passou ao grupo é que mesmo ele adorando jogadores, que os tenha ido buscar, joga aquele que tem rendimento e que é benéfico para o grupo. À semelhança do que fez com o avançado Gabriel Jesus que, no momento da lesão, era opção inicial, seguindo a lógica de Pep de que, enquanto estivesse a marcar e a jogar bem, seria a escolha para o 11 titular. E no banco ‘apenas’ o “astro” Aguero. Enquanto essa mensagem passar, tudo faz sentido. É coerente. Agora é necessário coordenar o discurso interno com o externo e ter uma linha condutora.

Isto porque Bravo não é pior que Willy. Bravo também já não é um dos melhores do mundo na actualidade… e bem recentemente era. E isto tem de fazer sentido. A palavra, esse dom que poucos têm, tem de ter além de um objectivo, um sentido. Este objectivo é visível: Motivar Bravo. Problema? Não teve muito sentido pelos motivos supra-citados.

No futuro, pelos indicadores dados, Bravo não estará no Manchester City. E se é verdade que ele não tem culpa de tudo… também é igualmente verdade que não conseguiu ter a força emocional para dar a volta à situação e, até, convencer os adeptos. E tinha qualidade para isso. Acontece aos melhores também, ou a alguém que já foi um dos melhores.


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