19 Ago, 2017

Timbers e Crew SC: Os finalistas que falharam os Playoffs

António Pereira RibeiroNovembro 4, 20164min0

Timbers e Crew SC: Os finalistas que falharam os Playoffs

António Pereira RibeiroNovembro 4, 20164min0

Os Playoffs da Major League Soccer, que estão neste momento a decorrer, ficaram marcados pelas ausências invulgares dos Portland Timbers e dos Columbus Crew SC. Campeões e vice-campeões em título viram-se incapazes de somar os pontos necessários para garantirem a qualificação em 2016, contrariando assim o enorme sucesso obtido na temporada anterior. Como se explica esta mudança abrupta de cenário?

PORTLAND TIMBERS

Ao êxtase da conquista do campeonato seguiu-se o mercado de Inverno, que levou o guardião Adam Kwarasey, o lateral-esquerdo Jorge Villafaña e o extremo Rodney Wallace, um trio de habituais titulares, para outras paragens. A substituição deficitária destas peças comprometeu seriamente as aspirações dos homens de Portland. Se na baliza, o sucessor neozelandês Jake Gleeson até teve bons momentos, o mesmo não se pode dizer em relação aos restantes casos. Depois de experimentados Jermaine Taylor, Zarek Valentin e Chris Klute, a lateral esquerda defensiva apenas encontrou uma opção consensual e válida no Verão, com a chegada do reforço lituano Vytautas Andriuškevičius. Ainda assim, nenhum deles se aproxima qualitativamente do antecessor Villafaña, que depressa se transformou no melhor lateral-esquerdo da Liga MX, ao serviço do Santos Laguna.

Nos corredores ofensivos, a situação foi mais grave. O técnico Caleb Porter desenhou o título em 2015 a partir de uma lesão do centrocampista Jack Jewsbury, na recta final da temporada, que o obrigou a mudar o posicionamento de Darlington Nagbe da ala para o centro do terreno, onde rende infinitamente mais. Contudo, as saídas de Wallace, e mais tarde de Dairon Asprilla, aliadas a um conjunto de contratações falhadas (Michael Seaton, Jack Barmby, Darren Mattocks) minaram as opções dos corredores. Assim sendo, lá teve o sacrificado Nagbe de regressar para perto das linhas laterais. Pouco se ouviu falar dele depois disso.

Para uma equipa que se sagrou campeã norte-americana à custa dos contragolpes venenosos que tornavam os jogos fora de casa em desafios apetecíveis, o desaparecimento das simpáticas flechas dos flancos revelou-se fatal. Os outrora bons forasteiros, que sabiam triunfar como ninguém em terreno alheio, terminaram 2016 com zero vitórias na condição de visitante. Dá que pensar.

COLUMBUS CREW SC

Uma parte significativa do insucesso do emblema de Columbus em 2016 escreveu-se à passagem da décima jornada, quando os colegas Kei Kamara e Federico Higuaín disputaram ferozmente o direito à marcação de uma grande penalidade. Este episódio acabou por espelhar sérios problemas de balneário, inflamados posteriormente com declarações públicas de Kamara, questionando o contributo de Higuaín no plantel. O caso terminou com a venda do avançado da Serra Leoa aos New England Revolution.

À excepção da saída do melhor marcador da prova no ano anterior, o plantel não sofreu grandes alterações, realidade que não significou propriamente estabilidade, na medida em que se registaram enormes flutuações de forma entre elementos. Veja-se o caso de Ethan Finlay, o melhor extremo da MLS em 2015 (12 golos e 13 assistências), que baixou as suas estatísticas ofensivas para metade. Em contrapartida, Justin Meram cresceu de rendimento na faixa contrária. É um dos poucos casos positivos dos Crew SC, ao qual podemos juntar Harrison Afful, melhor lateral-direito do ano na MLS, e Ola Kamara, avançado escolhido para render a saída do seu homónimo. 16 golos apontou o futebolista norueguês na época de estreia. Insuficiente para compensar os défices surpreendentes de figuras como Higuaín ou Tony Tchani.

Apesar de ter terminado 2015 como finalista vencido, a turma orientada por Gregg Berhalter nunca foi dominante ao longo do ano, e as fragilidades evidenciadas na altura permaneceram em 2016. Faltou reforçar o plantel com segundas linhas fortes, que permitissem evitar a estagnação competitiva que ditou o afastamento da fase decisiva da prova.

A temporada encerrou precocemente para estes dois clubes, mas ficam as recordações de uma final de ‘outsiders’ prestes a celebrar um ano, e as esperanças de voltar a desafiar as possibilidades já em Março de 2017.


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