20 Out, 2017

SL Benfica – Estratega Precisa-se

Pedro AfonsoNovembro 29, 20165min0

SL Benfica – Estratega Precisa-se

Pedro AfonsoNovembro 29, 20165min0

88% dos jogos da 1ª Liga Portuguesa são contra equipas ditas “pequenas”. E nestes, Rui Vitória e o seu Benfica são demolidores. E nos restantes 12%? Na época passada, o Sport Lisboa e Benfica ganhou apenas 1 dos 4 “Clássicos”. Serão estes números fruto de uma total adaptação ao Paradigma Nacional, ou indicadores de algo mais?

O jogo é feito de 90 minutos, juntando-se a estes, em momentos de necessidade, os minutos de compensação que o juiz da partida considerar necessários. Para além desta verdade de La Palisse, é também sabido que não há vencedores de “partes”, tudo se decide após o apito final. E, quer queiramos quer não, os lugares-comuns existem por algum motivo, sendo o meu veículo de transmissão de ideias para o timoneiro do Rui Vitória, um expert nesta matéria.

Talvez esteja a ser um pouco injusto, mas confesso que o discurso de que o Benfica precisava do 4º golo contra o Besiktas para matar verdadeiramente o jogo me fez alguma (leia-se bastante) confusão. Este lugar-comum do “golo que mata o jogo” não pode entrar nas contas do Tricampeão Nacional.

As últimas três semanas do reinado de Rui Vitória no Sport Lisboa e Benfica são o melhor espelho daquilo a que o técnico ribatejano habituou os adeptos de futebol: um empate com o Futebol Clube do Porto, em cuja derrota teria sido um resultado bem mais condizente com a realidade do jogo; uma vitória absolutamente categórica perante os insulares Maritimenses, numa exibição verdadeiramente memorável dos “encarnados”; um empate inenarrável com o Besiktas; vitória convincente frente ao Moreirense.

O momento fatídico [Foto: Impala]
O momento fatídico [Foto: Impala]
 

Não sou muito dado a teorias da conspiração, mas creio denotar aqui um padrão: um “agigantamento” perante os “pequenos” e um “rebaixamento” perante adversários de igual ou maior valia. O problema transita da época passada, em que, para a Liga Portuguesa, Rui Vitória e os seus pupilos foram apenas capazes de ganhar 1 (!) dos 4 jogos “grandes”. Sem dúvida dir-me-ão: “Ganhou o único que interessava”; mas um adepto deve aspirar a ombrear com os seus rivais diretos. Longe de mim querer tirar mérito a uma campanha que terminou com 88 pontos, batendo o recorde de Mourinho com o seu fantástico Futebol Clube do Porto, muito menos creio que o adepto benfiquista tenha razão de queixa da atual liderança isolada no campeonato.

Mas a minha questão prende-se com algo que irá, sem dúvida, limitar a ascensão do Sport Lisboa e Benfica na escadaria Europeia: Porque é que um Benfica tão gigante contra pequenos se encolhe tanto contra os seus iguais?

Debrucei-me sobre esta questão longamente e creio que a resposta está, obviamente, em Rui Vitória. Mas desengane-se quem acha que o atual treinador Benfiquista é o único culpado. Rui Vitória percebeu, assim como Jorge Jesus, que para se ser campeão em Portugal, é importante ser demolidor contra as equipas que jogam mais fechadas, mais recuadas, que ofereçam o controlo do jogo ao adversário. Rui Vitória bebeu dessa fórmula e melhorou-a. Por outro lado, creio que, a este nível de qualidade, o treinador se assume como o verdadeiro factor de diferenciação no embate entre as equipas.

Os Comandantes dos eternos candidatos [Foto: Tribuna Expresso]
Os Comandantes dos eternos candidatos [Foto: Tribuna Expresso]
 

Quando o nível dos jogadores é tão semelhante ou, pelo menos, não tão díspar, a diferença irá passar pela maneira como o Estratega de cada equipa dispõe a sua equipa em campo, como analisa o adversário e percebe as suas fraquezas e forças, e pela maneira como conhece a sua própria equipa e aquilo que cada jogador pode dar à partida. E aqui, Rui Vitória pode e deve melhorar muito a sua compreensão do adversário.

Retomando a ideia das últimas três semanas da equipa Encarnada, Rui Vitória perde os dois duelos táticos com os treinadores adversários: se por um lado perde o duelo contra Nuno Espírito Santo por não ser suficientemente rápido a perceber o factor surpresa do adversário e a contrariá-lo, por outro lado perde um duelo na Turquia por não controlar a emoção da sua equipa, por não a saber serenar. E não nos esqueçamos dos duelos contra Jorge Jesus, contra Peseiro, contra Sarri… No fundo, Rui Vitória é culpado por se “acomodar” a algo que é rotina em Portugal e raro lá fora: a gritante diferença de qualidade dos intérpretes do jogo.

Recordo-me de, em conversas privadas, aquando do sorteio da “Champions League”, ter ouvido que este grupo era muito difícil por todos serem equiparados em termos de qualidade. Penso que aqui o próprio adepto benfiquista denota uma desconfiança no treinador, considerando um grupo com Nápoles, Besiktas e Kiev como um grupo “difícil”. E Rui Vitória não pode querer 4 golos de vantagem para garantir uma passagem aos Oitavos de Final da Champions, muito menos ver tombar 3 golos de diferença em 45 minutos, num jogo em que nunca o Besiktas conseguiu ser uma verdadeira ameaça.

Segue-se um jogo na Luz, com um Nápoles fortíssimo, que quer ganhar para evitar os tubarões no segundo sorteio da Liga dos Campeões, e mais um teste para a força mental do plantel encarnado. Será que Rui Vitória irá ganhar (novamente) o duelo que realmente interessa?

Mestre Sarri será um osso (muito) duro de roer [Foto: A Bola]
Mestre Sarri será um osso (muito) duro de roer [Foto: A Bola]


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