14 Dez, 2017

San Lorenzo: Viagem ao Bairro de Boedo

Diogo AlvesAbril 17, 20178min0

San Lorenzo: Viagem ao Bairro de Boedo

Diogo AlvesAbril 17, 20178min0

Decorridas 20 jornadas, o San Lorenzo de Almagro é um dos clubes que está na perseguição ao líder Boca Juniors. Na pole position o San Lorenzo é o 5º classificado da Primera Divisón com 37 pontos. Encontram-se atrás de Estudiantes, River Plate e do Newell’s Old Boys. O Boca segue a uma distância de sete pontos. Nascidos em Boedo, o El Ciclón – como são conhecidos é um dos principais rostos do futebol argentino e almejam regressar rapidamente aos títulos. O Papa Francisco é adepto e sócio do San Lorenzo e já por diversas vezes demonstrou a sua paixão pelo Ciclón de Buenos Aires.

Foi com um dos homens mais falados do momento que o San Lorenzo conquistou pela última vez um campeonato argentino e conseguiu a tão desejada Copa dos Libertadores da América em 2014. Falamos do (agora) ex-seleccionador argentino Edgardo Bauza. Foi sobre a vigência de Patón Bauza que o San Lorenzo viveu uma das épocas mais gloriosas de sempre. Desde a saída de Patón, o El Ciclón não mais venceu um campeonato argentino.  

Estiveram muito perto de conseguir vencer o último campeonato, tendo chegado à final com o Lanús, mas, no Monumental de Nuñez, acabaram goleados por 4-0 e uma das consequências da goleada foi a queda do técnico Pablo Guede do comando dos argentinos.

No entanto, o técnico argentino não saiu de mãos abanar de Boedo. Ainda na sua vigência venceu a Supertaça da Argentina goleando o Boca Juniors por 4-0. Pablo Barrientos (2x), Belluschi e Blandi foram os autores dos golos dessa partida disputada já no longínquo mês de Fevereiro de 2016.

Edgardo Bauza e Leandro Romagnoli em festa após conquistarem a Libertadores em 2014 [Foto: defutbolsomos.com.ar]

Pragmatismo uruguaio

Rapidamente encontraram um sucessor para Pablo Guede, o uruguaio Diego Aguirre. São a antítese um do outro. O timoneiro argentino mais influenciado por Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa, enquanto Diego Aguirre vê-se mais em Diego Pablo Simeone. Ao contrário do antecessor o uruguaio tem uma carreira longa e com passagens por vários países, no entanto nunca tinha estado a treinar na Argentina. Uruguai, Equador, Perú, Catar e Brasil. Uma panóplia de países por onde andou o actual técnico do San Lorenzo.

Apontado como o sucessor de Óscar Tabaréz na selecção do Uruguai, o ex-Internacional de Porto Alegre assume-se como um treinador ofensivo, que adapta as suas equipas às características dos rivais que defrontam e muda bastante os sistemas de jogo para jogo, tanto pode jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou no tradicional 4-4-2. O técnico charrua não suporta maus comportamentos e é bastante rígido no aspecto da disciplina.

A impressão digital do treinador charrua em Boedo

As mudanças de uma época para a outra não foram muitas e o plantel é praticamente o mesmo. Uma estrutura de 4-1-4-1 predominantemente e com um método de jogo de ataque rápido ou ataque posicional. Em geral optam por uma postura de contenção assim que perdem bola e assumem um bloco intermédio ou baixo em organização defensiva.

Ao contrário de outras passagens, o timoneiro charrua vai mantendo a sua estrutura habitual tanto em partidas do panorama nacional como internacional, nomeadamente na Copa dos Libertadores.

Diego Aguirre no dia da apresentação como treinador do Ciclón [Foto: diariopopular.com.ar]

Os nomes próprios que dão vida ao sistema

Têm em Nestor Ortigoza e Fernando Belluschi os principais dinamizadores do jogo ofensivo da equipa. El Gordo Ortigoza (capitão e um dos mais antigos jogadores do San Lorenzo) é o responsável por iniciar o processo de construção da equipa de Boedo, baixa junto dos centrais ou descaí para um dos corredores para começar a construção da sua equipa, é ele quem lidera o meio-campo juntamente com Belluschi – considerado o melhor médio do último campeonato – que participa activamente em toda a manobra no terço ofensivo. Criatividade é com ele. A antítese de Belluschi é Mercier (ou Franco Mussis) que dentro do 4-1-4-1 é o “1” do meio-campo e procura equilibrar atrás assim como fazer o trabalho “sujo” de roubar o esférico aos adversários que pisem os terrenos que lhe estão destinados a defender.

Defensivamente acumulam muita experiência, sobretudo nos defesas-centrais. Os três mais utilizados são Marcos Angeleri (34 anos), Matias Caruzzo (32 anos) e o conhecido Fabrício Coloccini de 35 anos. O guarda-redes Torrico de 37 anos é o habitual titular. Muita experiência neste sector que ficou mais frágil com as saídas dos laterais Buffarini e Emmanuel Mas. Os dois davam uma enorme profundidade ao corredor e imensa dinâmica ao jogo exterior do Ciclón. Mathias Corujo e Pablo Díaz são agora os laterais residentes, não dando a mesma dinâmica que os antecessores são dois atletas bastante competentes e vão demonstrando serviço defensivamente e ofensivamente.

[Foto: lineupbuilder.com]
 

Os flancos ficaram empobrecidos com a saída de Sebástian Blanco para a MLS. O argentino era uma das principais estrelas e um jogador muito importante na manobra ofensiva. Rúben Botta assumiu a titularidade como extremo-esquerdo, o reforço de inverno foi a alternativa encontrada para colmatar a saída do titular Sebástian Blanco. Também no corredor direito Diego Aguirre teve de encontrar uma alternativa, no entanto sem precisar de ir ao mercado. Ezequiel Cerrutti é agora o extremo-direito residente, uma vez que, Martín Cauteruccio saiu em Janeiro para o Cruz Azul do México. Rude golpe para o clube de Papa Francisco que vê o seu melhor marcador rumar a outro destino e deixa assim a sua antiga equipa órfã do melhor artilheiro.

Nicolás Blandi é o “9” do conjunto argentino, o jogador formado no Boca é o artilheiro e referência do ataque. Acumula para já 14 golos em todas as provas nesta época. É um homem de área que procura sempre movimentos de ruptura entre os centrais adversários para que a bola lhe chegue em boas condições para a finalização. Será nele que o Ciclón apostará muito das fichas para ter sucesso nas provas em que está inserido, a sua capacidade goleadora será fundamental para os homens de Boedo manterem viva a esperança do título.

Os «portugueses» de San Lorenzo

Como já foi supracitado Fernando Belluschi é hoje jogador do San Lorenzo de Almagro e um dos activos mais importantes do emblema argentino. O ex-FC Porto está há duas épocas no Ciclón depois de passagens pela Turquia e México.

Além do Samurai há ainda mais dois rostos bem conhecidos do público português, nomeadamente de benfiquistas e sportinguistas. Gonzalo Bergessio, avançado de 32 anos, é hoje uma das principais alternativas na frente de ataque. Sem sucesso no SL Benfica em 2006/07 foi precisamente o San Lorenzo que o acolheu depois da passagem fugaz pelo Benfica, esta é a segunda passagem pelo emblema de Buenos Aires. Um dos “meninos” do San Lorenzo é Pipi Romagnoli que passou pelo Sporting CP entre 2005 e 2009. O médio-ofensivo hoje com 32 anos regressou em 2009 à sua casa-mãe e por lá ficou até aos dias de hoje. É um dos jogadores mais laureados do clube tendo conquistado uma Apertura e Clausura, uma Copa dos Libertadores, uma Copa Sul-Americana, a extinta Copa Mercosul em 2001, e, por fim a Supertaça em 2016.

Beto Acosta que foi fundamental para o Sporting em 1999/00 na conquista do campeonato 18 anos depois, é também um dos rostos do San Lorenzo. Saiu do San Lorenzo para o Sporting CP em 1999 e foi também ao San Lorenzo que regressou depois do fim da sua aventura de leão ao peito. Ao todo foram nove as épocas que realizou pelo conjunto argentino distribuído por quatro passagens em momentos diferentes. Fazia parte da equipa que em 2001 conquistou a Copa Mercosul ao lado de outro ex-Sporting, Pipi Romagnoli que despontava nessa equipa. Venceu ainda uma Copa Sul-Americana e uma Clausura em 2002.

Beto Acosta [Foto: taringa.net]


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