23 Out, 2017

River Plate: A obra (inacabada) de Marcelo Gallardo

Diogo AlvesDezembro 3, 20165min0

River Plate: A obra (inacabada) de Marcelo Gallardo

Diogo AlvesDezembro 3, 20165min0

Marcelo Gallardo está há cerca de dois anos e meio como treinador principal do River Plate, e as conquistas continentais têm sido a sua grande obra ao serviço dos “Millionarios” de Buenos Aires. Uma Copa Sul-Americana, uma Libertadores e duas Recopas Sul-Americana. Já jogou sete finais e apenas perdeu duas, esta semana garantiu a oitava. A da final da Copa da Argentina.

Marcelo Gallardo chegou em 2014 ao River Plate, numa altura em que o clube já se tinha levantado após a descida de divisão em 2011 para a Divisão B (II Liga) da Argentina. Ramón Díaz era o treinador e o River acabava de vencer o Torneio Clausura. Ramón Díaz após a conquista do título abandonou o River e decidiu aventurar-se ao serviço da selecção do Paraguai.

Roberto D’Onofrio – carismático presidente do River Plate – decidiu então chamar por um dos meninos queridos dos hinchas do River, Marcelo Gallardo. Os adeptos ficaram apreensivos e gerou-se a dúvida e a incerteza quanto à qualidade de Muñeco Gallardo como treinador principal. Que ele foi um óptimo jogador ninguém duvidava, mas como treinador era uma incógnita. Apenas tinha tido uma experiência como treinador no Nacional de Montevideo.

Foto: AFP
Foto: AFP

Gallardo chegou e pegou numa equipa campeã e recheada de talentos individuais, mas era preciso agora transformar as individualidades num colectivo forte, coeso e capaz de continuar a vencer pelo River Plate. O 4-4-2 foi o sistema escolhido, ora com mais gente por dentro, em losango, ora mais clássico com dois homens sobre as faixas para dar largura ao seu jogo. Uma equipa forte em ataque rápido e a pressionar forte sobre o adversário. Nunca mostraram ser uma equipa com um futebol muito elaborado, mas eficaz.

As dúvidas e incertezas dos adeptos aos poucos foram dissipando-se sobre Gallardo, e nem o adepto mais optimista poderia imaginar o que Gallardo iria conseguir fazer em dois anos e meio. Apesar de ainda não ter vencido o campeonato, o River Plate com Gallardo já disputou sete finais, venceu cinco e perdeu apenas duas. Saldo positivo para Muñeco Gallardo.

Mais positivo fica quando falamos em finais continentais e as consegue vencer. Assim foi em 2014 – ano de chegada ao clube – quando conseguiu vencer a Copa Sul-Americana num trajecto imaculado que culminou com a vitória sobre o Atlético Nacional. 1-1 em Medellín e 2-0 em Buenos Aires. Foi inclusive a primeira vez que o River venceu tal competição.

Se o final do ano de 2014 tinha sido positivo, o verão de 2015 guardava o título maior do continente Sul-Americano: a Libertadores. Uma fase de grupos muito inconstante – e aqui estão os sinais da irregularidade do River – mas uma fase a eliminar muito boa – é a praia de Gallardo. O Tigres do México foi o rival na final e acabou goleado no Monumental de Nuñez por 3-0 no segundo jogo. Gallardo mostrava mestria nos jogos a eliminar, um estratega neste tipo de eliminatória.

Foto: Taringa.net
Foto: Taringa.net

Já a nível interno o desempenho não tem sido assim tão bom ao longo destes dois anos e meio, se na primeira época de Gallardo o título foi possível tendo terminado a época em 2º lugar a apenas dois pontos do campeão Racing, de lá para cá nunca mais foi exequível ver o River nas grandes decisões da Primera Divisón.

Gallardo não tem conseguido mostrar-se um estratega nas provas longas como o campeonato argentino que tem ao todo trinta jornadas e para ser campeão é preciso manter um bom nível de regularidade. E cada vez mais as grandes equipas da Argentina mostram uma boa evolução do seu jogar, o que torna o campeonato muito mais atractivo e difícil ao mesmo tempo. Se tivesse de apontar o grande defeito a Gallardo seria este, a falta de regularidade no campeonato.

Ainda assim esta época parece estar a ser a mais constante dos últimos tempos e apesar do 6º lugar, a diferença para o Estudiantes é de apenas seis pontos. Seis pontos hoje em dia na Primera Divisón não é nada dado o bom nível competitivo que a Primera Divisón tem mostrado esta época com muitas equipas próximas do líder Estudiantes. E a recente passagem à final da Copa da Argentina pode dar à equipa um ânimo extra para afrontar os desafios que terá pela frente nos próximos tempos.

Cabe agora a Gallardo conseguir manter a regularidade na sua equipa, uma equipa jovem e recheada de bons talentos como Driussi ou “Pity” Martínez. Mas que conta também com a experiência de D’Alessandro, Ponzio e Maidana. Uma mescla de juventude e experiência que Gallardo trouxe ao River e que lhes dá doses de criatividade, irreverência mas também maturidade. Assim como Gallardo que ainda é um jovem treinador de apenas 40 anos, tanto esta equipa como o seu treinador podem conseguir feitos históricos para o River, e quem sabe, se nos próximos anos não teremos Marcelo Gallardo de volta à Europa para mostrar o seu trabalho, mas agora como treinador principal.


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