14 Dez, 2017

Primera Divisón Argentina – Radiografia ao campeonato do Tango

Diogo AlvesJaneiro 31, 201711min0

Primera Divisón Argentina – Radiografia ao campeonato do Tango

Diogo AlvesJaneiro 31, 201711min0

O Campeonato Argentino por esta altura está em pausa devido ao verão no hemisfério sul. Já passaram catorze jornadas desde o pontapé de saída na Primera Divisón da Argentina, e, o balanço a fazer deste campeonato é bastante positivo. Fique a saber quem é o líder. Quem são os destaques. As surpresas. As desilusões. E os jovens «promessa» para a segunda metade do campeonato.

O Campeonato Argentino voltou ao molde de há duas épocas atrás, o de 30 equipas em 30 jornadas e apenas uma volta, não há o “casa e fora”. Com este molde de mais equipas teme-se sempre que o campeonato perca qualidade e equilíbrio, mas, esta época tem provado o contrário e ao olharmos para a tabela constatamos isso mesmo.

Boca Juniors, o líder da “primeira volta”

Carlitos no último clássico com o River [Fonte: saquelateral.com]
 

O Boca chegou à pausa de verão em total crescimento e isso valeu-lhes a liderança do campeonato à 14ª jornada, com mais três pontos que o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo, segundo e terceiro classificado, respectivamente. Barros Schelotto apesar do início de época inconsequente e com muitas dificuldades nos jogos fora de casa, sobretudo, conseguiu colocar o Boca a praticar um bom futebol e com os melhores intérpretes disponíveis no onze. Passaram no grande teste antes da pausa de verão, a ida a casa do eterno rival: o River Plate. Venceram por 4-2 no Monumental de Nuñez num jogo marcado pela despedida de Carlitos Tévez dos grandes clássicos argentinos, ele que foi uma das grandes figuras do jogo e até marcou.

O grande desafio agora para o recomeço de época será o de fazer esquecer a partida de Tévez para a China, ele que a par de Gago eram os “motores” deste Boca Juniors. Com o campeonato bastante equilibrado não haverá muito tempo para procurar grandes invenções. Barros Schelotto terá aqui um grande desafio e terá de agir em contra relógio para conseguir manter a regularidade e não ver escapar a liderança do campeonato que tanto custou a conquistar.

Reina o equilíbrio

Apenas três pontos separam o líder Boca Juniors (31 pontos) do segundo e terceiro classificado, o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo (28 pontos). Mas se formos mais para baixo vemos que a diferença entre o décimo classificado – o Racing – e o líder é de somente dez pontos. Se pensarmos na Premier League, a diferença entre o primeiro classificado e o segundo classificado é de oito pontos.

A luta pela manutenção também terá uma luta até final, e, mais uma vez a diferença entre o último e o meio da tabela é de apenas doze pontos de diferença. Faltando ainda dezasseis jornadas vê-se que não é muito e ainda há imensos pontos para disputar.

Promete ser uma luta equilibrada e competitiva esta segunda fase do campeonato, tanto na luta pelo título como pela qualificação para a Taça dos Libertadores da América. Uma sequência má de resultados pode atirar uma equipa que esteja no topo da tabela para o meio da tabela num piscar de olhos.

Muitas mudanças nos bancos

Gabriel Milito não foi capaz de ter sucesso no Independiente [Fonte: tn.com.ar]
 

Esta época fica marcada por um número bastante grande de despedimentos de treinadores, ao todo foram catorze o número de treinadores que já não estão a comandar o clube pelo qual começaram a época. Em trinta equipas, praticamente metade dos clubes já mudaram de treinador e ainda estamos a meio da época.

Um dos mais mediáticos a ser demitido acabou por ser Gabriel Milito, que começou a época no “seu” Independiente, mas não durou mais que as catorze jornadas feitas até o momento. Acabou substituído por Ariel Holan, treinador que havia sido demitido semanas antes do Defensa Y Justicia por maus resultados. Um treinador que até reúne críticas positivas em relação à forma como coloca as suas equipas a jogar, por isso a expectativa é muita alta para o ver ao serviço do Independiente.

Eduardo Coudet, treinador muito cobiçado na Argentina, também não resistiu aos maus resultados ao serviço do Rosário Central e terminou assim a sua ligação ao clube rosarino. Assim como Zielinski acabou por cessar funções no Racing Club, sendo substituído por Dario Concca, último treinador a vencer um campeonato por La  Academia.

As surpresas Unión e Banfield, e a desilusão Rosário Central

O Unión de Santa Fé vai na sua segunda época na Primera Divisón e tem assinado uma época de grande categoria para o que é o clube. Clube humilde e sem “estrelas” no seu plantel. Ocupam a oitava posição e fazem parte do leque de equipas que não está longe do topo da tabela. Se mantiveram a qualidade na segunda fase da época poderão almejar um lugar numa competição continental.

O Banfield regressou recentemente à Primera Divisón, há dois anos, e esta época também está a ter uma época de grande qualidade. Em quinto lugar na tabela classificativa e apenas a quatro pontos do líder Boca Juniors. Uma das equipas mais constantes esta época desde o seu começo. Um plantel com alguns nomes mais conhecidos e com uma mescla de juventude e experiência. A maior figura era Santiago “Tanque” Silva, o avançado uruguaio – que já passou pelo Beira-Mar – apontou sete golos em catorze partidas. Rumou agora ao Universidade Católica do Chile. Um desafio para Julio Falcioni substituir o seu avançado goleador.

O Rosário Central, a maior desilusão desta época, passa por momentos de grande aperto e apenas está a seis pontos do último classificado. Um plantel recheado de talento e com uma das formas de jogar mais divertidas e apaixonantes da Argentina, porém neste momento são uma equipa completamente de rastos e sem ideias. Eduardo Coudet já foi demitido e o plantel começa a ficar desmembrado. Primeiro foi Cervi para o Benfica, agora em Janeiro partiu Lo Celso para o PSG e Walter Montoya estará muito perto do Sevilla. Quem se seguirá no banco da equipa rosarina terá um grande desafio, o desafio de voltar a colocar o Rosário entre os grandes da Argentina.

Os «portugueses»

O campeonato argentino inevitavelmente conta com alguns jogadores que já passaram por clubes portugueses, uns com mais sucesso que outros. Há também alguns que passaram pelo nosso campeonato quase como despercebidos como o caso de José Luís Fernández que assinou pelo SL Benfica, mas acabou emprestado ao Olhanense e não teve grande notoriedade.

O supracitado Santiago “Tanque” Silva que fez uma belíssima época no Beira-Mar em 2003/04 e esta época é um dos melhores artilheiros do campeonato argentino. Conta já com 36 primaveras, mas ainda assim assinou sete golos em catorze partidas, está agora de partida para a Universidade Católica do Chile.

No San Lorenzo actua Fernando Belluschi, ex-FC Porto. Foi considerado um dos melhores médios da actual época. Titular no meio-campo do San Lorenzo, o antigo camisola 7 do FC Porto ainda mostra dotes de “mágico” e mantém afinação na cobrança de bolas paradas. Tem feito uma bela época e é o “patrão” do meio-campo do San Lorenzo.

No Racing Club joga Lisandro López, um dos avançados mais “raçudos” e trabalhadores que passaram pelo campeonato português. Actualmente é capitão do Racing e conta com 33 anos, mas com uma frescura física invejável. A sua valentia em campo ainda se nota e a capacidade goleadora está intacta. Seis golos em dozes jogos. Terá a partir de agora Marcelo Meli como companheiro de equipa, reforço vindo do Sporting.

O sportinguista Jonathan Silva está no Boca Juniors emprestado pelo Sporting, mas não tem tido grande utilização por Barro Schelotto. Apenas fez até o momento cinco partidas e continua a demonstrar alguma impetuosidade na forma como encara os lances defensivos, talvez por isso não seja utilizado mais vezes.

Rodrigo Mora passou quase despercebido pelo Benfica, só ganhou maior expressão pelas notícias que iam saindo dos seus empréstimos ao Peñarol e posteriormente ao River Plate. Não tem tido uma grande época e vai sendo mais vezes relegado para o banco, o que antes não acontecia tanto. Esteve com um pé no futebol árabe mas preferiu manter-se no River Plate.

O último jogador a vir de Portugal para o campeonato argentino foi o avançado Hernan Barcos. Assinou pelo Vélez Sarsfield emprestado pelo Sporting, mas tal como em Portugal, também na Argentina não teve grande impacto a sua chegada. Em onze partidas apontou somente dois golos e já partiu para o Liga de Quito do Equador.

As «promessas» para 2017

Ezequei Barco, o menino que nasceu na cidade de Messi [Fonte: lanacion.com.ar]
 

O campeonato argentino tem uma panóplia de jovens jogadores a espontar e prontos para jogarem ao mais alto nível. Este ano de 2017 não será excepção e para a segunda metade da época já há alguns jovens jogadores na voga para afirmarem-se no futebol sénior.

Ezequiel Barco do Inependiente é um dos jogadores que mais expectativa vai gerando, o médio de apenas 17 anos, nascido em Rosário (cidade que viu nascer Messi) é uma das revelações desta época e paulatinamente vai ganhando o seu lugar no meio-campo do Independiente. É um médio-ofensivo tipicamente argentino, rápido com bola, bom tecnicamente e bastante inteligente. É destro, mas faz lembrar os esquerdinos que “colam” a bola o pé. Para seguir.

No Racing Club vai espontando dois jovens jogadores de somente 19 anos. Brian Mansilla e Lautaro Martínez. Ambos estão por estes dias a representar a selecção da Argentina na Copa Sul-Americana de Sub-20 e têm sido destaque. Brian Mansilla é um extremo vertiginoso e tecnicamente bastante bom, esta época já leva seis partidas na equipa principal de La Academia. Lautaro Martínez é um avançado bastante trabalhador e já leva onze partidas na equipa principal, apontou já um golo.

O River Plate, uma vez mais, prepara-se para lançar mais uma fornada de jogadores formados na sua cantera. Luis Olivera, lateral-esquerdo de 18 anos já é presença assídua na equipa principal do River Plate. Matías Moya é um dos nomes que vão aparecendo na equipa principal, médio-ofensivo de apenas 18 anos. Foi titular na deslocação ao terreno do Independiente e deixou boas notas. É um dos jovens a seguir em 2017.

No San Lorenzo começa a espontar o defesa-central Nicólas Zalazar de 20 anos, e o avançado Tomas Conechny. No Vélez espera-se muito que este seja o ano da afirmação de Maximiliano Romero, avançado de 18 anos e de Nicólas Delgadillo de somente 19 anos.

[Fonte: soccerway]


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