20 Fev, 2018

Quando é que Portugal faz as pazes com a baliza?

Daniel FariaJulho 18, 20174min0

Quando é que Portugal faz as pazes com a baliza?

Daniel FariaJulho 18, 20174min0

Com a nova época à porta, passamos em revista alguns números relativos à Liga NOS 2016/2017, no que toca aos golos apontados. “Algarismos” que comprovam uma tendência que há muito sabemos: em Portugal marcam-se poucos golos e o espectáculo sofre com isso, prejudicando a qualidade do nosso campeonato e a nossa imagem lá fora. Afinal, o “sal” do futebol são os golos. Sem eles, isto não tem piada.

Na última temporada, em 306 jogos realizados, marcaram-se 728 golos, o que perfaz uma média de 2,38 golos por jogo. 170 jogos (o que representa 56% das partidas realizadas), terminaram com menos de três golos no placard, contra 136 que registaram um “score” com mais de três golos após o apito final.

O resultado típico, por assim dizer, foi o empate a uma bola. 36 jogos terminaram com a igualdade 1-1 que é como quem diz, um golinho para cada lado e está fechado.

Os clássicos são por vezes exemplos de jogos com poucos golos em Portugal. (Foto: MF)

Estes números merecem toda a nossa atenção e reflectem um certo défice na qualidade do futebol, que se vai tornando cada vez mais táctico e menos propício ao espectáculo. O futebol português precisa de arrojo, algo que se vê a espaços mas não é suficiente para “colar” o espectador ao ecrã, ou levá-lo ao relvado para ver os jogos.

“Fazendo contas”, a taxa de conversão no que respeita a golos no campeonato português traduz-se em 35%, o que é manifestamente pouco para um campeonato que por vezes se auto proclama, ou quer ser, dos melhores da Europa.

Recuando apenas uma temporada, em 2015/2016, marcaram-se em Portugal 831 golos nos mesmos 306 jogos realizados este ano. Ou seja, a Liga NOS apresentou esta época menos 103 golos do que na época anterior. Se quisermos também observar o número de golos em 2014/2015, a época terminou com 763 golos consumados, mais 35 do que a presente época que findou em Maio.

Festa do golo apresentou decréscimo este ano em Portugal. (Foto: RR)

Portugal é um país onde se marca pouco. E muito de bola parada. Por vezes assistimos a jogos chatos, enfadonhos, porque as equipas não querem arriscar. Estão cómodas na situação. E isso é inadmissível. Ainda há pessoas que pagam bilhetes para ver jogos. Será que merecem não ver sequer um golo? Dá que pensar.

E se compararmos o nosso número de golos numa temporada com os nossos vizinhos? Vejamos o exemplo da Bundesliga. Exactamente com o mesmo número de jogos, 306, marcaram-se 877 golos, o que dá uma média de 2,87 golos por jogo. Na Série A, um campeonato fechado e tático, ultrapassou-se a barreira dos 1000 golos. Foram facturados 1123 golos, com uma média de 2,96 golos por jogo. Espanha e Inglaterra não vale também a pena comparar. Na Liga Holandesa, por exemplo, tida por vezes como inferior à portuguesa, marcaram-se 907 golos em 312 jogos. Outro exemplo e último: na Liga Turca, com os mesmos 306 jogos da Liga NOS, ultrapassou-se também a barreira dos 800 golos, com 828 apontados no final da época.

Entre a fraca finalização, Bas Dost foi quem mais marcou. (Foto: Google)

Falta criatividade e engenho na hora de alvejar as redes das balizas em Portugal, isso é notório, como os números atestam. Muitos golos são fabricados de bola parada, fruto de jogos previsíveis e aborrecidos e os adeptos portugueses merecem mais, embora também por vezes se preocupem mais com razões extra futebol, mas é o país que temos, empobrecido no que à cultura desportiva diz respeito.

Mas acreditamos que o adepto português gosta de futebol e merece um campeonato com mais golos e consequentemente mais emoção e mais festa. Por isso, vamos lá a “abanar as redes”, que é disso que o povo gosta. Liga Portuguesa, está na hora de fazer as pazes com a baliza e dar aos adeptos o que eles mais amam: festa e golos, com mais abundância.


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