24 Nov, 2017

Os desconhecidos de Caracas reinam em Seul

Diogo AlvesJunho 8, 20176min0

Os desconhecidos de Caracas reinam em Seul

Diogo AlvesJunho 8, 20176min0

O Mundial Sub-20 caminha para o seu final, e, esta quinta-feira já ficamos a conhecer quais os finalistas do próximo domingo. Venezuela e Inglaterra são as duas selecções que vão disputar a final do próximo domingo, em Suwon. Para os venezuelanos é uma estreia numa final de um Mundial de selecções, ainda para mais numa fase em que o país passa por momentos muito delicados com vários tumultos diários.

A Venezuela desde 2014 que vive momentos periclitantes com contestações diárias contra o governo de Nicolás Maduro (eleito em 2013 com 50,66%). A violação dos direitos humanos, a escassez de produtos básicos (arroz, leite, carnes, feijão, café, arroz, etc…), a criminalidade que há no país e ainda a crise económica que já dura desde os últimos tempos do governo de Hugo Chávez.

A contestação é diária e a Venezuela vive debaixo de um clima de muita tensão e constantes confrontos entre protestantes e a polícia venezuelana. No meio disto tudo está a selecção de futebol da Venezuela que se encontram na Coreia do Sul a disputar o Mundial da categoria de Sub-20, e têm demonstrado que, mesmo num país empobrecido há talento e uma enorme dose de trabalho e liderança levada a cabo pelo seleccionador Rafael Dudamel e os seus pupilos.

O TRAJECTO NO MUNDIAL

A caminhada tem sido gloriosa e têm merecido os rasgados elogios por quem tem assistido ao Mundial Sub-20. A Venezuela habitualmente não apresenta grandes gerações de futebolistas, mas, esta geração parece ser uma lufada de ar fresco. Desde a estreia que mostraram que vinham até à Coreia do Sul para vencer, basta ver que, no primeiro jogo diante da Alemanha conseguiram uma vitória categórica por 2-0. Na fase de grupos ainda venceram por 7-0 o Vanuatu e por 1-0 o México.

Na fase a eliminar já passaram por 3 (!) prolongamentos e chegaram por uma vez – na meia-final – à marcação das grandes penalidades. Japão, Estados Unidos da América e, mais recentemente, o Uruguai foram as vítimas da avalanche ofensiva levada a cabo pelos venezuelanos. Diante do Uruguai a eliminação esteve mesmo quase acontecer. Até aos 92’ minutos perdiam por 1-0, e, todo o sonho de conseguir chegar a uma final pela primeira vez parecia estar acabar, mas, houve esperança. Esperança essa que apareceu vinda dos pés de Samuel Sosa – jogador que entrou no decorrer da segunda parte -, através da cobrança de um livre à entrada da área colocou a bola de forma exemplar no fundo da baliza da selecção “charrua”.

Um golo que levou o jogo para o prolongamento que não teve mais golos. Nos penaltis era visível a emoção em todos, jogadores, treinador – Dudamel estava em lágrimas – e restante staff. Coube ao guarda-redes Fariñez ser o salvador e carimbar a passagem à final ao defender o penalti marcado por De La Cruz. A festa foi muito emotiva e ninguém conseguiu esconder a emoção do feito inédito conseguido.

[Foto: depor.com]

NOMES PRÓPRIOS

Não sendo uma selecção extremamente bem organizada, nem com ideias ofensivas muito elaboradas, é uma selecção que vive em demasia – por vezes – das acções individuais dos principais criativos da equipa como são Peñaranda, Soteldo e Córdova. Apoiados bastante por um duplo pivô formado por Herrera e Lucena, e, Ronaldo Peña sendo o homem mais adiantado da equipa, um avançado que desgasta bastante os defesas contrárias pela sua boa compilação física.

Defensivamente Ferraresi e Velasquez são a caixa forte da defesa juntamente com o guarda-redes Fariñez que tem sido uma das grandes estrelas do torneio. Não sendo defesas de grande qualidade do ponto de vista ofensivo, através do passe, são dois jogadores forte no jogo aéreo e nos duelos defensivos. Nas laterais, Ronaldo Hernández e José Hernández são dois jogadores bastante ofensivos, sobretudo Ronaldo Hernández que empresta uma boa capacidade física à equipa, e, desce bastante pelo corredor direito. Garantem uma boa cobertura defensiva nos corredores laterais.

AS FIGURAS

ADALBERTO PEÑARANDA

É a grande figura da Venezuela, e, dos melhores da sua geração. Jogador já reputado no seu país e já com presença na selecção A, inclusive já participou numa Copa América. Jogador do Málaga, conta já com muitos minutos da principal liga espanhola, sobretudo na época de 2015/2016 ao serviço do Granada.

Jogador rápido e com boa capacidade técnica. É a jogar a partir do corredor esquerdo que mais gosta de jogar e é a partir daí que faz as suas diagonais para zona interior para aproveitar o remate exterior. É um jogador a lapidar e com uma enorme margem de progressão.

YEFERSON SOTELDO

Tem a curiosidade de ser o jogador mais baixinho do torneio. De apenas 1,60m, este médio-ofensivo é ágil, rápido e com boa habilidade para fugir aos adversários que lhe apareçam pela frente.

É um geniozinho em crescimento e precisa de melhorar a sua tomada de decisão para fazer carreira ao mais alto nível. Dotado de um bom remate, o médio do Huachipato do Chile é uma das pérolas venezuelanas.

SERGIO CÓRDOVA

Extremo-direito do Caracas FC, Sérgio Córdova tem sido uma das grandes figuras do Mundial já com 4 golos em 6 jogos, são números muito bons para um extremo. Fisicamente bastante forte, é muita das vezes através do mesmo que consegue ultrapassar os adversários. A sua capacidade de remate é evidente, mas, nem sempre com a melhor afinação.

Tem muitas coisas a melhorar, no entanto é um jogador que pode ser muito falado nos próximos tempos. Até porque tem feito um Campeonato do Mundo muito bom e seguramente que haverá clubes europeus interessados neste jogador.

WUILKER FARIÑEZ

É um dos jogadores que também já tem internacionalizações pela equipa sénior, disputou inclusive os últimos jogos da ronda de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2018. Um guarda-redes ágil, que garante tranquilidade à sua defesa e com uma boa capacidade entre os postes.


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