21 Nov, 2017

Notas sobre a primeira volta da Ledman LigaPro

António Pereira RibeiroJaneiro 12, 20176min0

Notas sobre a primeira volta da Ledman LigaPro

António Pereira RibeiroJaneiro 12, 20176min0

Concluída a primeira metade da verdadeira maratona que é a Ledman LigaPro, está na hora de fazer um breve ponto de situação sobre a competição. Entre campeões mais ou menos anunciados, emblemas históricos que lutam pelo regresso aos principais palcos, e uma zona de despromoção alargada temida por muitos, existe de tudo um pouco no segundo escalão do futebol nacional.

PORTIMONENSE E DESP. AVES NÃO FACILITAM

Ainda a bola não havia rolado oficialmente nos relvados da Ledman LigaPro, e já aqui comentávamos a subida anunciada do Portimonense à Primeira Liga. Verdade seja dita, tendo em conta o historial inigualável de Vítor Oliveira na prova, fazê-lo não constituiu um risco de maior. Com metade do caminho percorrido, os alvinegros ocupam a liderança e levam 17 pontos (!) de vantagem sobre o CD Santa Clara, terceiro classificado. A acontecer, esta será a quinta subida consecutiva de Vítor Oliveira, a décima da sua carreira, e muito provavelmente, a mais clara delas todas.

A primeira volta já foi a melhor de sempre da competição (52 pontos em 63 possíveis), superando o registo do CF ‘Os Belenenses’ obtido em 2012/13, mas o conjunto algarvio recusa-se a tirar o pé do acelerador. Sinal disso tem sido o movimentado mercado de Inverno, que trouxe de volta Fabrício, médio brasileiro talentosíssimo, coroado vice-campeão do Mundo de clubes, ao serviço do Kashima Antlers. O principal reforço do ano, Amilton Silva, foi uma aposta ganha, e Pires continua a picar o ponto sempre que pode.

A única derrota do Portimonense esta época para o campeonato foi imposta pelo Desp. Aves, segundo classificado que se situa 13 pontos acima do perseguidor mais próximo. Uma vantagem igualmente confortável, portanto. Liderados por Quim, um dos melhores guarda-redes da Segunda Liga (mesmo aos 41 anos), os avenses não fazem cerimónias e desbravam caminho sem pedir licença. Perderam em finais de Agosto, contra o Benfica B, e seguem invencíveis desde então. O central João Pedro mantém as coisas estáveis no sector mais recuado, ao passo que o experiente Luis Barry faz aquilo que melhor sabe fazer: golos. Já soma nove.

SANTA CLARA E ACADÉMICA: PERSEGUIDORES À DISTÂNCIA

Apesar da distância pontual significativa, tanto Santa Clara como Académica alimentam aspirações legítimas de alcançar os lugares de subida. No caso dos açorianos, as coisas até começaram bastante bem. Protagonizaram o melhor arranque de sempre da história da prova, com oito triunfos e um empate na novena de encontros inaugural, mas a instabilidade no comando técnico revelou-se fatal para o plantel. Daniel Ramos foi o rosto de um início prometedor, tendo acabado por sair à oitava jornada para o Marítimo. Veio Quim Machado substituí-lo, para deixar o cargo novamente à disposição poucas semanas depois. Seguiu-se Rui Amorim, treinador contratado ao Salgueiros que não conseguiu chegar ao Natal em funções, devido aos maus resultados. É Carlos Pinto, técnico ex-P. Ferreira, quem tenta agora devolver a esperança ao Santa Clara na segunda volta que se avizinha.

“A Académica não é clube para estar muito tempo na Segunda Liga. Com o apoio dos adeptos e da cidade, será certamente mais fácil”. Palavras de Costinha, treinador dos estudantes que luta incansavelmente pelo regresso da Briosa à Primeira Liga. Os quinze pontos que separam actualmente a Académica dos lugares de subida podem afigurar-se como uma barreira difícil de ultrapassar, mas também é verdade que os ‘estudantes’ possuem argumentos de peso a seu favor. Principalmente a proteger a baliza das tropelias dos adversários. A Académica detém a segunda melhor defesa do campeonato, muito por via de um triângulo defensivo capaz de frustrar qualquer avançado. Falamos do guarda-redes Ricardo Ribeiro, cujas estiradas já chegaram aos ouvidos de alguns emblemas da Liga NOS, e da dupla de centrais João Real-Diogo Coelho, muito provavelmente a parelha mais eficaz e complementar dos relvados da Segunda Liga. Não se apressem a riscar o nome da Académica da briga pela promoção.

UM FENÓMENO CHAMADO COVA DA PIEDADE

Sem qualquer tipo de experiência nos campeonatos profissionais, o Cova da Piedade foi rapidamente apontado como um dos principais candidatos à descida. Ainda vamos a meio, mas a verdade é que os estreantes da Margem Sul ocupam a quinta posição na tabela classificativa, a 8 pontos e 12 adversários de distância das preocupações da linha vermelha. No comando encontramos Sérgio Boris, jovem treinador que lidera os piedenses desde 2012. No relvado brilham, entre outros, Evaldo, lateral ex-Sporting CP, e o entusiasmante centro-campista Robson. O quarentão Silas também faz questão de ‘dar uma perninha’.

AS FIGURAS EM DESTAQUE DAS ‘BÊS’

As equipas B do Benfica, Sp. Braga, V. Guimarães, FC Porto e Sporting posicionam-se comodamente entre o sexto e o décimo quinto lugar, separados por não mais do que seis pontos. Vale a pena elencar alguns dos futebolistas que se têm evidenciado na primeira volta, tentando chamar a atenção do plantel principal. De todos os ‘bês’, é o Benfica quem reúne o conjunto de jogadores mais apelativo, encabeçado desde logo pelo médio-defensivo Pedro Rodrigues, que esteve presente em praticamente todos os minutos de jogo. Nos encarnados, convém também referenciar o guarda-redes André Ferreira, o central Rúben Dias e o extremo Diogo Gonçalves, nomes em quem Rui Vitória poderá eventualmente confiar no futuro. O médio goleador Bruno Xadas (Sp. Braga B) e o já conhecido central nigeriano Chidozie (FC Porto B) são outros futebolistas das equipas B em destaque.

OLHANENSE NO FUNDO

A luta pela manutenção deverá ser longa e concorrida, pelo que apostar em qualquer candidato à descida a meio do campeonato pode ser prematuro. Porém, o Olhanense tem vindo a afastar-se perigosamente dos lugares da salvação, e estacionou no fundo da tabela, a nove pontos do acesso ao Playoff de manutenção. Matematicamente falando, não é dramático, mas o contexto financeiro do clube levanta sérias preocupações que devem condenar os algarvios à descida de divisão. Numa carta aberta aos sócios, a direcção do Olhanense aponta o dedo à má gestão do accionista maioritário da SAD. «Em 36 meses, a SAD criou um passivo idêntico ao valor que o Sporting Clube Olhanense tem em 104 anos de existência», pode-se ler no documento. Uma avaliação pragmática deste cenário permite afirmar que a permanência dos rubro-negros na Segunda Liga será uma missão quase impossível.

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