21 Ago, 2017

No Laboratório de Guillermo Barros Schelotto

Diogo AlvesMarço 14, 20176min0

No Laboratório de Guillermo Barros Schelotto

Diogo AlvesMarço 14, 20176min0

O Boca Juniors é o actual líder da Primera Divisón Argentina, com 34 pontos em 15 jornadas – os comandados de Guillermo Barros Schelotto seguem isolados na liderança. Juntamente com o seu irmão gémeo – Gustavo Barros Schelotto –, Guillermo chegou ao clube há precisamente um ano para substituir o então treinador Rodolfo Arruabarrena, que passava por momentos muito difíceis e que acabou demitido do cargo ainda no início do campeonato de 2016.

Guillermo Barros Schelotto é um ex-jogador do Boca Juniors, um dos mais carismáticos e com mais anos de casa. Tendo partilhado o vestiário com nomes como Riquelme, Martín Palermo, Diego Maradona (já na parte final da carreira do astro argentino), Claudio Cannigia entre outros grandes nomes do Boca Juniors.

Fez parte de uma das melhores equipas do Boca, tendo conquistado quatro das seis Copa dos Libertadores que o Boca tem no seu histórico. E ainda duas Taças Intercontinentais, vencendo o Real Madrid e o AC Milan.

Terminada a carreira em 2011, ao serviço do Lanús, foi precisamente em Lanús que começou a treinar na época de 2012/2013. Na época de estreia conseguiu vencer a Copa Sudamericana, o primeiro título continental do Lanús em toda a sua história. Schelotto começava a sua carreira de treinador como se habituou-se enquanto jogador: a vencer grandes títulos. Foram mais duas épocas em Lanús, mas sem o mesmo êxito da primeira, no entanto deixou as bases para Jorge Almirón vencer o campeonato de 2016.

Aventura Europeia sem sucesso…

Guillermo Barros Schelotto, enquanto jogador nunca teve a oportunidade de jogar na Europa, tendo feito grande parte da sua carreira na Argentina e contou com uma passagem pela MLS, já em final de carreira.

Como treinador pode dizer que já pisou solo europeu e esteve numa das melhores ligas europeias, a Serie A de Itália. Chegou, viu…e partiu. Guillermo era para ser treinador do Palermo que não passava por uma fase fácil na Serie A, estando em 15º com apenas 26 pontos.

Guillermo no jogo contra o AC Milan. Apenas dirigiu a equipa com o Frosinone, Carpi, Sassuolo e AC Milan. [Foto: ilpost.it]
 

Não foi por maus resultados ou má metodologia de treino que veio embora do Palermo. Foi por causa do Diploma de Treinador. A FIFA não reconheceu os mínimos para que Guillermo pudesse trabalhar na Europa, era preciso um mínimo de cinco épocas ao serviço de um clube de máxima categoria. E Guillermo tinha, à altura, apenas três épocas no Lanús, pelo que não era suficiente para poder treinar na Serie A.

O início na Bombonera

Com a saída de Rodolfo Arruabarrena, o Boca procurou contratar um novo treinador que tivesse um conhecimento profundo do Boca Juniors, e, Guillermo Barros Schelotto era o nome mais indicado naquele momento.

O Boca não passava por uma fase fácil a nível interno, num dos campeonatos mais curtos de sempre na Argentina, o Boca estava fora da luta pelo título, e para piorar, estava fora dos lugares de qualificação para a Copa dos Libertadores.

Não foi fácil o início, mas pior foi o término. O Boca acabou por abdicar do campeonato e apostar as fichas todas na Libertadores, tendo chegado às meias-finais da prova continental. Aí perderam diante de um surpreendente Independiente Del Valle do Equador.

Foi um final de época desastroso e penoso para Guillermo e para os seus jogadores que apostavam tudo na prova continental e acabaram por não alcançar metas a nível interno nem continental.

Episódio Dani Osvaldo

[Foto: lagaceta.com]
 

O princípio de Guillermo ficou marcado por um episódio problemático com Dani Osvaldo no final de um jogo no Uruguai para a Copa dos Libertadores. Um episódio que marcou a posição do treinador no clube.

O problemático Dani Osvaldo que regressava ao Boca depois de uma aventura no FC Porto. O jogador era uma escolha do treinador anterior – Rodolfo Arruabarrena – que tinha um carinho especial por ele e até o achava de loco lindo, fazendo alusão à loucura de Osvaldo.

O ítalo-argentino no final da partida com o Nacional (do Uruguai) abandonou o relvado e seguiu rapidamente para o balneário onde, tranquilamente, acendeu um cigarro e por lá ficou. Guillermo não gostando da atitude do jogador repreendeu de imediato e deu-lhe ordem de expulsão do clube assim que chegassem a Buenos Aires. Guillermo não tolera maus comportamentos muito menos dentro de um balneário, pelo que Osvaldo acabou expulso do clube e assim terminou a sua estada no Boca e parece que também no futebol.

O reerguer do “monstro”

Após uma época bastante periclitante, era hora de Guillermo mostrar o seu valor e ter a oportunidade de começar uma nova época, uma época desde o dia 0. Com o regresso do campeonato a 30 equipas em apenas uma volta, o objectivo passa por vencer o campeonato e regressar à Libertadores do próximo ano.

Sem grandes mexidas na equipa, apenas algumas entradas no verão, como Sebástian Pérez do Atlético Nacional, uma das grandes revelações da Copa dos Libertadores, e também entrou o argentino Ricardo Centurión, extremo formado no Racing de Avellaneda.

Uma ideia de jogo com futebol ofensivo, ideias e equipa bem estruturada em campo, Guillermo quer colocar o Boca a praticar um bom futebol e aquele que coloque a equipa o mais próximo possível dos grandes êxitos.

Guillermo tenta fugir ao padrão do futebol argentino, desgarrado com muitos espaços entre os sectores da equipa e muito baseado em futebol directo. O Boca procura ser uma equipa de ataque posicional, saídas curtas e procura a profundidade só no último terço, procura fundamentalmente os laterais para usar (e por vezes abusar) de cruzamentos à procura do avançado, mas além do avançado, mete também sempre mais dois homens acompanhar o goleador.

Para já tudo está a correr de feição e o Boca segue na liderança com mais três pontos que o San Lorenzo – 2º classificado. Os adeptos do Boca estão bastante confiantes na reconquista do campeonato, e nem a saída de Tévez para a China parece ter abalado a equipa. No regresso do campeonato venceram o Banfield por 2-0.

[Foto: soccerway.com]


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