20 Out, 2017

Major League Soccer 2017 – Antevisão

António Pereira RibeiroMarço 3, 20177min0

Major League Soccer 2017 – Antevisão

António Pereira RibeiroMarço 3, 20177min0

A vigésima segunda edição da Major League Soccer está prestes a começar, e antes mesmo de soar o apito inicial, as interrogações adensam-se. O que é que realmente se passa em Atlanta? Será que os finalistas de 2016 vão conseguir repetir o sucesso em 2017? Como se irão comportar os Galaxy sem o mítico Bruce Arena? Estas e outras questões serão devidamente analisadas na presente antevisão.

ENTUSIASMO LEGÍTIMO EM ATLANTA

Talvez desde a estreia dos Seattle Sounders FC em 2009 que os níveis de expectativa face à entrada de um novo participante na MLS não estavam tão elevados. O Atlanta United recusou-se a entrar de mansinho, e deseja aparentemente deixar a sua marca logo no primeiro ano. Apostou forte na contratação de ‘Tata’ Martino, muito provavelmente o técnico com o melhor currículo na história da competição, capaz de atrair jovens sul-americanos para esta aventura.

Entre os jogadores escolhidos a dedo, Martino conseguiu reunir um trio promissor composto por Miguel Almirón (Lanús), Héctor Villalba (San Lorenzo) e Josef Martínez (Torino), responsável por conduzir a estratégia ofensiva da equipa. Lá mais atrás, o veterano Michael Parkhurst (Columbus Crew) lidera o eixo, protegendo uma baliza que irá contar com outro internacional norte-americano, Brad Guzan (Middlesbrough), mas só a partir de Junho.

A bola ainda não começou a rolar oficialmente, e já foram vendidos 30 mil bilhetes de época, sinal de que o entusiasmo em redor deste novo franchising é coisa séria. Tudo indica que alcançar os Playoffs logo na temporada de estreia parece ser uma aspiração bastante legítima para o Atlanta United. Veremos como se comportam quando chegar a hora.

Fotografia: Mundo Deportivo

SOUNDERS E TORONTO FC: FINALISTAS QUE PROMETEM NÃO DESARMAR

Campeões e vice-campeões da MLS não quiseram recostar-se nos êxitos atingidos, e trabalharam visivelmente no fortalecimento dos seus robustos plantéis. Atentemos ao caso dos Sounders, por exemplo, que devolveram Nélson Valdez e Erik Friberg aos respectivos países de origem, e cederam outro trintão, Tyrone Mears, a um competidor directo. Ora a perda de três peças do XI titular que valeu o triunfo no campeonato viu-se devidamente salvaguardada. Aliás, o valor global do grupo até acresceu. Clint Dempsey regressa depois de um problema cardíaco que o afastou alguns meses, Gustav Svensson é resgatado ao futebol chinês, e até internamente os Sounders adquirem figuras importantes como Harry Shipp ou Will Bruin. Adicionalmente, rumores indicam que Keisuke Honda também estará perto de assinar. Caso isso venha a confirmar-se, a hipótese do bicampeonato ganharia uma força suplementar.

Em Toronto, as saídas não foram comprometedoras. O núcleo duro composto por Bradley-Giovinco-Altidore manteve-se, assim como as principais figuras do sector mais recuado que foram um garante de competitividade em 2016. Para criar impacto imediato, entraram duas peças interessantes. Chris Mavinga (Troyes), defesa campeão europeu sub-19 em 2010 que procura estabilizar a sua carreira, e Víctor Vázquez, médio criativo formado no Barcelona e contratado aos mexicanos do Cruz Azul. Toronto FC continua a deter o título de melhor emblema de futebol do Canadá, e tem as unidades certas para alcançar novamente uma final. Se Sebastian Giovinco assim o quiser, é claro.

A HABITUAL CONSTELAÇÃO DOS GALAXY

O forte investimento em futebolistas com valor mediático foi sempre uma das principais linhas estratégicas dos Los Angeles Galaxy, para o bem e para o mal. Face às retiradas de Robbie Keane e de Steven Gerrard no final de 2016, o conjunto californiano viu-se obrigado a procurar substitutos. O primeiro foi Romain Alessandrini, extremo francês ex-Marselha cujo talento promissor tardou a confirmar-se em definitivo, mas que terá agora um nova oportunidade do outro lado do Atlântico. Fica assim uma vaga por preencher para um futebolista com regime de salário excepcional, que poderá juntar-se ao grupo apenas no Verão. Por enquanto, nota para as contratações do veterano Jermaine Jones, e do médio português João Pedro, ex-Vitória SC. Muitas dúvidas relativamente ao verdadeiro valor desta equipa, sobretudo após a saída do técnico Bruce Arena, agora seleccionador norte-americano.

FC DALLAS: CANDIDATOS CRÓNICOS MAIS FORTES DO QUE NUNCA

Já aqui tive a oportunidade de elogiar o percurso do treinador colombiano Óscar Pareja, no comando do FC Dallas desde 2014. A ele atribui-se o mérito de edificar a equipa que mais partidas ganhou nas últimas duas épocas, embora tenha caído invariavelmente nos Playoffs. Campeão da Fase Regular e vencedor da Taça dos EUA, Pareja acaba de garantir a qualificação do conjunto texano para as meias-finais da Liga dos Campeões CONCACAF. O génio Mauro Díaz começa a temporada a recuperar de uma lesão grave, mas está tudo controlado.

O processo de evolução qualitativa do plantel continua em curso desde o primeiro dia de Pareja, e 2017 traz novidades bastante sugestivas. Para substituir Díaz no imediato, Javier Morales. O internacional belga Roland Lamah (Ferencváros) vem compensar adequadamente a venda de Fabián Castillo. Contudo, a grande notícia do mercado de Inverno é a contratação do avançado de categoria que o FC Dallas procurava (e merecia) há muito tempo. Chama-se Cristian Colmán, tem 23 anos, e transfere-se dos paraguaios do Club Nacional. Era esta a peça que faltava. Agora resta-nos apreciar o futebol texano, que o tão desejado título pode estar mesmo aí à porta.

O EVENTUAL EFEITO DAX McCARTY E OS HONDURENHOS DO TEXAS

A pré-época ficou marcada pela surpreendente transferência que envolveu Dax McCarty. O antigo capitão dos Red Bulls foi vendido aos Chicago Fire, operação difícil de explicar, tanto pela sua qualidade (tinha acabado de ser convocado para a selecção dos EUA), como pelos seis anos de casa, os dois últimos enquanto capitão. Fontes associadas ao clube alegam a necessidade de libertar parte da massa salarial do plantel, perspectivando porventura uma contratação de peso no Verão. Qualquer que seja a estratégia definida, a verdade é que os Red Bulls consentem a saída de um jogador-chave, sem o substituírem apropriadamente, pelo menos para já. E por isso, afiguram-se como sérios candidatos a desilusão do ano.

Invertendo ligeiramente o aforismo popular, o azar de uns é a sorte de outros. Neste caso, serão os Chicago Fire os mais que prováveis beneficiários do efeito McCarty. Um reforço essencial que vem sublinhar as valências do grupo que Veljko Paunovic conseguiu construir. O treinador sérvio caminha para o seu segundo ano nos Fire, com um plantel cada vez mais à sua imagem, dotado de individualidades como Juninho, David Accam, Nemanja Nikolic, ou Michael de Leeuw. Os bons resultados obtidos na pré-época só vêm reforçar a ideia de que estamos perante uma equipa preparada para discutir os lugares cimeiros.

Quem também tem impressionado nos jogos de preparação são, curiosamente, os Houston Dynamo. À imagem dos Fire, ocuparam o fundo da classificação em 2016, mas adquiriram novo alento após a entrada no técnico colombiano Wilmer Cabrera. Os recém-chegados internacionais hondurenhos Alberth Elis e Romell Quioto prometem fazer sérios estragos às defensivas contrárias.

PRINCIPAIS TRANSFERÊNCIAS PARA A MLS

PREVISÕES FAIR PLAY

Campeão: FC Dallas ou Seattle Sounders

Surpresa pela positiva: Chicago Fire

Equipa desilusão: Los Angeles Galaxy e New York Red Bulls

Jogador do Ano: Jordan Morris (Seattle Sounders)

Melhor marcador: Nemanja Nikolic (Chicago Fire)

Rookie do Ano: Ian Harkes (DC United)

E AINDA…CONFIRA OS 17 JOGADORES DA MLS QUE PASSARAM POR PORTUGAL

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