18 Dez, 2017

Mais um passeio da Vecchia Signora? Ou o quebrar de uma hegemonia em Itália?

Pedro CouñagoAgosto 15, 201724min0

Mais um passeio da Vecchia Signora? Ou o quebrar de uma hegemonia em Itália?

Pedro CouñagoAgosto 15, 201724min0

Em Itália, mora um dos campeonatos mais notáveis em toda a Europa, com grandes equipas a comporem-no. Nos últimos anos, no que toca à luta pelo título, a equipa da Juventus tem tido sempre vantagem sobre os adversários, não lhes dando a mínima hipótese, partindo, portanto, como favorita para a época 17/18. No entanto, existem duas ou três equipas que pretendem subir o seu nível. Ao mesmo tempo, a luta pelas competições será longa e dura, não havendo espaço para muitos erros, existindo algumas hipóteses plausíveis sobre quem poderá ocupar essas posições. Como poderá ser a próxima época?

Juventus

Não existe maior candidato a liderar a Série A e a conquistar o campeonato de Itália do que a Vecchia Signora. Nos últimos seis anos, foram seis campeonatos ganhos pela Juventus, sem qualquer tipo de oposição minimamente tangível. Clubes como Roma e Nápoles ainda têm tentado ombrear com a Juventus, mas simplesmente não conseguem porque não têm os mesmos argumentos, principalmente financeiros.

Os adeptos da Juve estão mais que habituados a festejar, já vão no hexacampeonato (Foto: Jornal de Noticias)

A época de 2017/2018 será, ainda assim, certamente bastante interessante de seguir para os lados do clube de Turim, principalmente depois da saída de um dos ídolos do clube, como era Bonucci. A sua saída para o rival Milan foi uma surpresa para todos os tiffosi da Juve, resta ver se tem algum impacto dentro de campo na mística que a equipa apresentará. Deste lado, tal não se espera, pois a restante espinha dorsal do clube (Buffon, Chiellini, Marchisio, Barzagli) continua aí para as curvas. No entanto, tal não durará muito mais tempo, começando por Buffon, que fará o último ano da carreira de jogador esta temporada, e em 2018/2019 será, em princípio, substituído na titularidade por Sczeszny, chegado neste defeso ao clube.

Dani Alves saiu também do clube após uma época realizada, mas uma em que foi uma das estrelas da equipa e uma das melhores da sua carreira. Certamente fará falta, e será uma das poucas posições para as quais faria falta uma solução. Fala-se no português João Cancelo, que poderia ser uma boa solução para a equipa, mas já chegou De Sciglio, que certamente é também uma boa solução.

Pelo restante poderio individual (Higuain, Dybala, Mandzukic, Pjanic, Cuadrado, por exemplo), a Juventus acaba por se sobrepor às restantes equipas da Série A, ainda por cima quando tão bem estes jogadores jogam juntos. A estes cinco principais juntaram-se agora Douglas Costa e Federico Bernardeschi, duas “bombas” de mercado que prometem dar uma vasta panóplia de soluções ao ataque bianconeri. Só estes talentos já chegam para continuar a levar a Juventus aos títulos, não existe nenhuma equipa em Itália com esta profundidade no seu ataque.

A Juventus pode chegar a um histórico heptacampeonato, mas deve ter cuidado para não se desleixar com as restantes conquistas. Na passada época, chegou à final da Liga dos Campeões catorze anos depois da última, mas acabou por perder por 4-1 para o Real Madrid. Veremos se esse não poderá ter sido um momento de viragem para aquilo que será o futuro. A época não começou da melhor forma, depois de uma derrota por 3-2 diante da Lazio, que deixa algumas reticências sobre aquilo que pode ser o início da campanha, ainda por cima depois de uma má exibição da equipa, em que realmente se notaram as falhas defensivas. No entanto, foi o primeiro jogo da época, e a Juventus certamente consolidará melhor os seus processos e conseguirá recuperar.

O campeonato vem ficando cada vez mais competitivo, não só devido a Roma e Nápoles, já destacados, mas também graças ao possível renascimento dos clubes de Milão, que têm investido muito forte para a próxima temporada. Como tal, a Juventus deve-se precaver, dar sempre tudo dentro de campo e utilizar a sua mestria e inteligência a si associadas. Se tal acontecer, muito dificilmente não chegará ao sétimo campeonato consecutivo.

Possíveis candidatos a lutar com a Juventus

O Nápoles será, em teoria, a equipa mais capaz de poder lutar abertamente com a Juventus, ainda que a tarefa seja bem difícil. A nível individual, a equipa do Sul de Itália será, talvez, aquela que mais se aproxima dos valores individuais da Vecchia Signora (o Milan parece querer reduzir a distância). Com jogadores como Insigne, Hamsik, Callejón e, principalmente, Mertens, o espetáculo a nível técnico é garantido, tanto que a equipa napolitana tem sido recorrentemente considerada como aquela que melhor joga em Itália. Nos últimos anos, tem conseguido crescer de forma sustentável, com bons resultados todos os anos, mas não tem conseguido chegar ao nível da Juve.

É uma equipa muitíssimo bem orientada por Maurizio Sarri, técnico elogiado principalmente por causa do futebol rendilhado e bonito que as suas equipas praticam, algo que se reflete no estilo de jogo implementado no San Paolo. A equipa pouco mudou em relação ao ano passado, destacando-se a chegada de Adam Ounas, mais uma excelente opção para os corredores, jovem e com grande margem de progressão. Também o lateral esquerdo português Mário Rui chegou ao clube, que é uma excelente alternativa a Ghoulam, que é muito pretendido mas que parece que irá ficar no San Paolo. Além disso, a equipa manteve Nikola Maksimovic e Marko Rog, dois jogadores que estavam emprestados ao clube na temporada passada e que ficam agora em definitivo.

Nenhum jogador relevante do plantel principal saiu do clube, algo que abona a favor da equipa, que assim ganha estabilidade e, com os novos reforços, ganha uma maior profundidade no plantel. Por aqui se verifica o maior poder poder que o clube tem nos dias de hoje. Veremos se Arek Milik consegue justificar a sua contratação feita no passado Verão e se faz esquecer Higuain, visto que esteve meia época lesionado na passada temporada. Talvez o que possa faltar ao clube seja um guarda-redes de maior valia, visto que Reina já não vai para novo.

De resto, se a equipa, até ao final de Agosto, resistir ao assédio que vem sido feito aos seus principais jogadores, como Insigne, Koulibaly e Ghoulam, parece-nos que o Nápoles tem tudo para não só se qualificar para a Liga dos Campeões, como também dar mais luta à Juventus na corrida pelo título. A segundo classificado, pelo menos, o Nápoles é forte candidato.

Quem também tem esperanças de poder subir um pouco mais é a Roma. O clube romano vem crescendo de rendimento nos últimos anos, mas nunca o suficiente para realmente perturbar a Juventus na corrida pelo título. Aliás, o seu último Scudetto chegou há já longínquos dezasseis anos, em 2000/2001. O clube romano tem poucos campeonatos para a sua real valia: apenas três.

Há muito tempo que o clube pretende dar o próximo passo, chegar finalmente ao cume da montanha, mas tem sido sistematicamente relegada, nos últimos anos, para uma luta com o Nápoles pelo segundo lugar. Face à descida de rendimento dos clubes de Milão, esta tarefa tem estado mais facilitada, e tem feito com que o clube esteja presente com frequência na Liga dos Campeões. O clube tem-se cimentado no pódio das equipas mais poderosas da Série A, mas tal não será tão fácil este ano, o campeonato está cada vez mais competitivo.

Vamos por partes. Esta época será a primeira da era Pós-Totti. O craque italiano representa um legado de vinte e cinco anos de uma das histórias mais bonitas de real amor a uma camisola. É certo que o jogador foi perdendo importância nas últimas temporadas, a idade não perdoa, mas continuava a ser o grande comandante no balneário romano. Será que a equipa conseguirá reagir à perda do seu comandante? Parece-nos que sim, principalmente através de Daniele De Rossi, outro dos jogadores mais carismáticos do clube.

O clube ficou ainda órfão de quatro dos seus principais pilares da passada temporada: Szczesny, Rudiger, Paredes e Salah. O último, principalmente, representa uma enorme perda para o conjunto romano, pois o egípcio era o principal motor do ataque da equipa, era sinónimo de golo ou assistência em quase qualquer jogo. Para o seu lugar, tem-se falado com frequência em Riyad Mahrez, que seria certamente uma boa alternativa, ainda que com menos capacidade de aceleração que Salah. Essa era uma das principais características do jogo da Roma, também muito por culpa de Luciano Spalletti, que é conhecido por privilegiar o ataque rápido.

No entanto, Spalletti saiu para o Inter, chegando para o seu lugar Eusebio di Francesco. Este será mais um dos motivos que gera curiosidade para a próxima época. Será interessante perceber se o jovem treinador consegue ter o mesmo sucesso que teve no Sassuolo e que estilo de jogo implementa na equipa. Tem todo o potencial para o conseguir, e, no que toca a reforços, até não se pode queixar. Do seu anterior clube, trouxe dois: Lorenzo Pellegrini e Grégoire Defrel. Além destes, alguns outros chegaram, muito por culpa de um homem.

Monchi, o emblemático diretor desportivo espanhol, chegou ao clube para esta nova época, e consigo chegaram os negócios “pechincha”. Assim, o clube contratou jogadores como Hector Moreno, Gonalons, Fazio (após empréstimo ao clube) e Kolarov por cerca de 19 milhões de euros. São quatro elementos que garantem qualidade e experiência à equipa. Monchi é ainda conhecido pela sua capacidade de scouting e de encontrar jogadores apetecíveis em territórios menos esperados. É nesse sentido que chegam Rick Karsdorp, Cengiz Under e também Rezan Corlu, provenientes de Feyenoord, Istambul Basaksehir e Brondby, respetivamente, sendo estes elementos mais wildcards face àquilo que podem oferecer à equipa, mas, se vêm com o selo de Monchi, só podem ter qualidade assegurada.

Monchi pode vir a ser o melhor reforço da Roma para as próximas temporadas, garantindo os melhores negócios (Foto: asroma.com)

De resto, todos os jogadores destacados, na companhia das estrelas como Manolas, Strootman, Nainggolan, Florenzi e Dzeko, podem dar cartas. O plantel é bastante completo, com excelentes soluções, estando preparado para, mais uma vez, chegar à Liga dos Campeões de forma direta. Será, no entanto, que o clube conseguirá alcançar o próximo nível e realmente lutar até ao fim pelo Scudetto? Sem Totti nem Salah e com Di Francesco, veremos o que nos reserva a próxima temporada.

Candidatos ao quarto lugar, se possível algo mais

Como quarto maior candidato, surge o Milan. O clube milanês será o grande wild-card da próxima edição da Série A. Tanto pode tudo correr tudo muito bem como muito mal, mas uma coisa é certa: há muito tempo que não se esperava tanto dos rossoneri e agora a equipa está sob real pressão de alcançar resultados no imediato.

Tem sido uma chuva de contratações por parte do clube, algo que se deve à compra do clube por Lin Yonghong em abril deste ano. O poderio financeiro da equipa subiu drasticamente, e com ele foi possível contratar os defesas Bonucci, Musacchio, Ricardo Rodriguez e Andrea Conti, os médios Biglia, Késsie e Çalhanoglu e os avançados André Silva e Fabio Borini. De todas as contratações, é obrigatório destacar a aquisição de Leonardo Bonucci à rival Juve, algo que se pensava impensável e que apenas foi possível não só devido ao maior poderio financeiro mas também ao projeto ambicioso que o clube tem para implementar no imediato. Outro dos “reforços” é Gianluigi Donnarumma, que pareceu com um pé fora do clube mas que viu a sua situação devidamente resolvida. Além disso, poderá estar ainda para chegar um ponta de lança, que ocupará a vaga de Carlos Bacca, que parece de saída.

É estranho ver Bonucci com a camisola dos rossoneri. Que impacto poderá ter o central no Milan? (Foto: Goal.com)

Todas estas contratações têm de levar o clube a resultados, não só na Série A como a nível europeu. O clube está de volta às competições europeias, participando na Liga Europa. Sendo apenas a segunda competição mais importante de clubes, a equipa tem obrigação de chegar longe na competição. Certamente menos que os quartos de final, no mínimo, será um fracasso.

Mais que isso, o clube tem de lutar pela qualificação para a Liga dos Campeões. Será algo ilusório poder afirmar que o clube lutará pelo título, existem muitos mecanismos táticos em fase de implementação, e o clube não pode ter ambições desmedidas depois das más épocas que tem feito. Demorará o seu tempo até tudo carburar a cem por cento, portanto a luta pela qualificação para a Liga dos Campeões parece um objetivo realista. Um quarto lugar, no mínimo, é a obrigação do Milan depois das contratações efetuadas. 

Foram dadas as melhores condições possíveis a Vincenzo Montella, que, se tudo correr bem, pode levar o clube a um nível que não alcançou nos últimos cinco anos. Tem feito um razoável trabalho, pode fazer bem melhor agora. Com as contratações efetuadas, mais a base de jogadores italianos como Donnarumma, Bonaventura, Abate, Calabria, Locatelli ou Montolivo e a permanência de jogadores decisivos como Suso, tudo parece poder correr bem para os pupilos do antigo avançado.

Quem não quer que tal aconteça é o rival do Milan, o Internazionale. A equipa nerazzurri, bem como o seu rival de Milão, tem feito investimentos significativos com vista a melhorar a performance da época 16/17, em que tudo correu mal, desde a eliminação da Liga Europa logo na fase de grupos, a chegada apenas aos quartos de final da Taça de Itália e o mau sétimo lugar no campeonato.

Afinal de contas, o Inter não joga nenhuma competição europeia esta temporada, algo que se pode revelar uma vantagem, na medida em que os jogadores estarão exclusivamente focados no campeonato e, assim, podem lutar pelos lugares de Champions, pelo menos o quarto lugar, portanto. Com uma Roma que poderá ser imprevisível este ano, veremos se o Inter, juntamente com Milan também, não poderá dar mais trabalho na luta pelo terceiro lugar, inclusivamente.

O Verão foi marcado pela contratação de Vecino e Borja Valero, excelentes opções para o meio campo da equipa, além das aquisições de Milan Skriniar e Dalbert, o lateral que, no Verão passado, saía de Portugal para França por 2 milhões de euros e agora sai por um valor dez vezes mais alto. Foram contratações sonantes para lugares certamente necessitados, em que se aumenta a quantidade e qualidade das opções da equipa. A lateral esquerda tem estado debilitada nos últimos anos e o meio campo teve performances bem abaixo do esperado no ano passado, com Kondogbia, principalmente, a ser candidato à saída, sendo assim contratações bastante cirúrgicas as feitas pelo clube. Com a contratação dos dois médios mencionados, João Mário pode ganhar mais preponderância como médio mais avançado. Skriniar vem substituir Gary Medel, que foi vendido de forma duvidosa (apenas 3 milhões de euros) para a Turquia.

É mais importante mencionar a chegada de Luciano Spalletti ao comando técnico do clube. É um treinador com muita pedalada nestas andanças, que tem capacidade de liderança e um mestre tático, com bastante sucesso ao longo da carreira. Certamente será um upgrade àquilo que vinha sendo uma “dança das cadeiras” na liderança da turma nerazurri. Com Spalletti, os primeiros resultados foram animadores, tendo a equipa feito uma boa pré-época. Se conseguir iniciar bem a liga, fazendo um bom trajeto até dezembro, em que a taça, aí, se intrometerá, o Inter pode estar destinado a uma grande melhoria face à temporada passada.

Com a manutenção de jogadores como Perisic, Candreva e o próprio João Mário, acrescentando-se a segurança que Handanovic e Miranda dão à defensiva, em conjunto com a juventude de Skriniar, a mestria no meio campo de Vecino, Borja Valero e outros como Brozovic e o nosso português João Mário, acrescentando-se o faro de golo de Icardi, bem secundado por Éder, a equipa tem tudo para fazer um bom desempenho na próxima edição da Série A.

A luta pela Liga Europa

Num patamar mais abaixo, candidata a uma presença na Liga Europa, chega a Atalanta. Será muito curioso ver o que pode fazer a equipa de Bérgamo na ressaca de uma das suas melhores épocas de sempre. A equipa conseguiu um brilhante quarto lugar, catapultando-se para um tão aguardado regresso às competições quase 30 anos depois, mas esse mesmo quarto lugar parece difícil este ano.

Muito se pode agradecer a Gian Piero Gasperini, que fez um fantástico trabalho na época passada, lançando jogadores como Kessié, Mattia Caldara, Andrea Conti ou Gagliardini, todos vendidos por valores acima dos 15 milhões de euros, depois de uma primeira época num nível mais elevado na Série A.

Gasperini, o grande obreiro da Atalanta que agora conhecemos (Foto: Goal.com)

No caso de Caldara, o negócio foi especialmente apetecível porque contará com o jogador até ao final da próxima temporada, rumando depois à Juventus com uma outra bagagem e experiência competitiva. A equipa perdeu também um dos pontas de lança, Alberto Paloschi, este emprestado com cláusula de compra obrigatória à SPAL. A equipa perdeu alguns elementos de extrema importância, algo que se aceita tendo em conta a salvaguarda financeira do clube para os próximos anos.

No entanto, o clube tem uma academia reconhecida tanto a nível nacional como internacional que lhe permite sempre gerar novos craques de qualidade inegável que podem jogar futuramente na primeira equipa. Além disso, desengane-se se pensa que a equipa não tem estado ativa no mercado.

Com efeito, a equipa tem feito movimentos magníficos no presente defeso. Além de segurar em definitivo o guarda-redes Berisha, a equipa já foi buscar João Schmidt a custo zero, Timothy Castagne, um potencial grande lateral direito, por 6 milhões de euros, Andreas Cornelius por 3.5 milhões, garantiu a jovem estrela Riccardo Orsolini por empréstimo, conseguiu o regresso de Marten de Roon por 13 milhões e, por último, garantiu o craque esloveno Josip Ilicic pela modesta quantia de 5.5 milhões de euros. Não parece que a equipa fique a perder, bem pelo contrário. Não só consegue estabilidade financeira, como vai buscar elementos que não garantem imensa qualidade no imediato e no futuro. A contratação de Ilicic não vem nessa filosofia mas sim numa de oferecer magia ao meio campo ofensivo da equipa.

Não será fácil a equipa repetir o quarto lugar da passada temporada quando as principais equipas do campeonato estão a fazer uma forte aposta. Além disso, o clube jogará a Liga Europa, algo que gerará mais cansaço nos jogadores. Ainda assim, com a chegada dos reforços e a manutenção dos restantes esteios da equipa, como Alejandro Gómez, Andrea Petagna, Leonardo Spinnazola, Jasmin Kurtic e Rafael Tolói, pode-se esperar mais uma boa época dos pupilos de Gasperini, possivelmente a lutar novamente pelas competições europeias. Talvez um sexto, sétimo lugar esteja mais ao alcance do clube.

A Lazio entra com vontade de passar à frente da Atalanta em 2017/2018. A equipa romana fez uma boa época em 16/17, conseguindo chegar ao quinto lugar da Série A e garantindo a Liga Europa. Era difícil exigir mais ao clube depois de tamanha boa época da Atalanta e a diferença de qualidade para Nápoles, Roma e Juventus. Foi uma época estável, com a equipa a chegar também aos oitavos de final na Liga Europa e chegando à final da Taça de Itália, perdendo para a Juventus. No entanto, já conseguiu a sua vingança, começando muito bem a época e conquistando a Supertaça italiana, vencendo por 3-2 frente à Vecchia Signora.

O clube contratou alguns jogadores importantes para a próxima temporada, com principal destaque para Adam Marusic e Lucas Leiva, dois jogadores que parecem ter garantida a entrada direta no onze da equipa. Lucas Leiva vem compensar a grande perda do clube neste defeso: Lucas Biglia, que saiu para o AC Milan.

Começou bem esta nova etapa de Lucas Leiva, com a conquista da Supertaça de Itália. Veremos que pujança traz o brasileiro ao meio-campo dos romanos (Foto: 101 Great Goals)

De resto, entraram ainda Davide de Gennaro a custo zero e Filipe Caicedo, que vai servir de cobertura à estrela Ciro Immobile. Destaque ainda para o regresso de empréstimo de Ricardo Kishna, que pode ser o substituto de Keita Baldé caso o jogador saia, ou poderá ser inclusivamente contratado outro jogador, como Brahimi.

Assim, o plantel não mexeu muito, sendo garantidas alternativas que podem dar mais profundidade a um plantel de qualidade, em que existem ainda jogadores como Marco Parolo e Felipe Anderson que fazem a diferença. Prevê-se mais uma época a lutar, pelo menos, pelo sexto lugar para a equipa romana. Simone Inzaghi tem condições para continuar o seu bom trabalho ao leme do clube.

Por fim, surge uma equipa que poderá tentar fazer uma gracinha na próxima edição da Série A: o Torino. Tem vindo sempre a fazer campeonatos estáveis, figurando na primeira metade da tabela. É um clube que tem vindo a recuperar, aos poucos, um pouco da mística daquilo que era o grande Torino de há 5 décadas atrás, tendo disputado a Liga Europa na passada temporada. Com essa experiência adquirida e sem a ter de jogar este ano, parece-nos possível que o Torino melhore o seu nono lugar e possa andar a disputar lugares superiores, intrometendo-se numa possível luta pela Liga Europa, dependendo também da possível vaga aberta ao sétimo lugar, dependendo dos finalistas da taça.

É certo que não será fácil, tendo em conta a cada vez maior competitividade do campeonato. Da equipa que acabou a temporada, saíram quatro jogadores mais importantes: os guarda-redes Joe Hart e Daniele Padelli, o defesa Gastón Silva e o médio Marco Benassi. O médio será, certamente, a saída mais notável, devido à sua preponderância no meio campo. Para as saídas, a equipa encontrou soluções, e bastante boas até.

Os centrais Lyanco e N´Koulou, este principalmente, são excelentes contratações da parte do Torino, traduzindo-se num claro upgrade no centro da defesa com a experiência competitiva do camaronês e o “sangue na guelra” de Lyanco. Para a saída de Benassi, o clube foi buscar Tomás Rincón à Juventus, não ficando, neste aspeto, a perder muito no imediato, a não ser num potencial encaixe futuro, porque Benassi ainda não está num nível acima de Rincón. E, para a baliza, chegaram Vanja Milinkovic-Savic, uma aposta de futuro, e Salvatore Sirigu, um excelente guardião que andou nos últimos dois anos perdido e que chega agora a custo zero a Torino, podendo voltar à seleção italiana e tendo hipótese de relançar a carreira.

O clube foi ainda buscar Álex Berenguer ao Osasuna, que pode ser um excelente backup de Adem Ljajic. O esloveno, em conjunto com Iago Falqué e, principalmente, Andrea Belotti, formam uma tripla de ataque possivelmente mortífera, que, com o upgrade da linha defensiva, pode significar a melhoria da equipa. Se Belotti permanecer no clube, será também uma grande vitória para Sinisa Mihajlovic, que não sendo um fantástico técnico, tem muito conhecimento do futebol italiano enquanto jogador e parece estar a assentar bem no clube de Turim. Ainda que não seja o candidato mais forte aos lugares europeus, o Torino tem uma boa hipótese de se tentar intrometer na luta, ainda para mais com uma Fiorentina que não parece destinada a tais voos.

Assim, ficam os dados lançados no que toca às equipas mais poderosas da Série A. Veremos se as previsões quanto à luta pelo título, Champions e Liga Europa se confirmam. Está lançada a luta pelos lugares cimeiros do campeonato italiano. 


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