13 Dez, 2017

Uma luz no fim do túnel

Victor AbussafiAgosto 21, 20163min0

Uma luz no fim do túnel

Victor AbussafiAgosto 21, 20163min0

O ouro não resolve problemas do futebol brasileiro, mas pode ser um recomeço. A Seleção Brasileira começou mal, mas termina mostrando um ótimo futebol, ao mesmo tempo moderno e fiel às origens ofensivas do futebol canarinho. Foi um ouro merecido, esperado após bater na trave algumas vezes e que devolve a auto-estima à camisa amarela. Pelo menos hoje, o Campeão voltou.

A Alemanha pode não ter levado o seu melhor sub-23, mas o estilo era o mesmo da seleção principal. Muito bem postada taticamente, conseguiu se recuperar após o gol brasileiro e fez um ótimo jogo. Destaque para os defensores e para Brandt que acertou o travessão duas vezes. Mas tinha do outro lado um Brasil focado, que não deixaria essa medalha escapar.

Dois 0-0 nos primeiros jogos preocuparam o torcedor, que estava otimista com as chances brasileiras de medalha. Rogério Micale, treinador jovem e desconhecido para muitos, vinha chamando a atenção com treinos modernos e uma proposta de jogo ofensiva, mas que não funcionou quando a bola rolou no primeiro jogo da Olímpiada. No terceiro jogo, contra a Dinamarca, a entrada do quarto atacante como titular, Luan, mudou a cara do time.

À partir daí, apareceu o futebol envolvente que não se via há tempos no Brasil. O quarteto Luan, Gabriel Jesus, Gabriel Barbosa e Neymar se movimentava e alternava posições, construindo à partir do caos. Wallace e Renato Augusto davam solidez ao meio campo e a defesa de Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio, Douglas Santos e Weverton só foi vazada na final.

Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)
Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)

Os últimos treinadores do Brasil (Dunga duas vezes, Mano Menezes e Felipão), todos da escola gaúcha, tinham estilo de jogo que priorizava a defesa. Primeiro construíam uma defesa segura, para liberar os jogadores de frente para resolverem na qualidade individual. Micale propôs uma mudança desse paradigma. Criou um time que jogava com suas linhas próximas, compactas, mas abertas, dando amplitude, e priorizava a construção do jogo, o ataque. Eram quatro atacantes que se dedicavam também à marcação, mas a prioridade dos onze era propor o jogo. Assumir a vontade de ganhar o jogo, se movimentar com o propósito de criar e não de destruir. Fazia tempo que não via isso na Seleção. A vitória de hoje veio nos pênaltis, foi sofrida, mas veio acompanhada de bom futebol.

Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)
Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)

Tite, que anuncia amanhã sua primeira convocação, tem um histórico de ser um treinador mais defensivo. Mas é muito inteligente taticamente e pode se reinventar para dar sequência a essa boa nova. Muitos desses jogadores de hoje devem estar na lista de amanhã.

Não eram os adversários mais difíceis, não vinga a Copa do Mundo, não resolve todos os problemas do futebol brasileiro. Amanhã ainda temos que acordar e nos deparar com uma CBF nebulosa, com um campeonato de baixa qualidade técnica, com problemas na nossa formação e tudo mais que conhecemos bem. Mas, hoje, é dia de celebrar e de renovar as esperanças. Essa vitória reconcilia o torcedor e a seleção. Hoje, pelo menos hoje, o campeão voltou.


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