20 Out, 2017

Ledman LigaPro 2016/17 – Balanço


Ledman LigaPro 2016/17 – Balanço

Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway


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