17 Ago, 2017

Para lá do Euro Sub-19: 6 nomes a não perder de vista

Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

Para lá do Euro Sub-19: 6 nomes a não perder de vista

Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

zimbio-com
(Foto: zimbio.com)

bild-de
(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

fgc-it
(Foto: fgc.it)

spalferrara-it
(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

lequipe-fr
(Foto: lequipe.fr)

ouest-france-fr
(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

wdr-de
(Foto: wdr.de)

dfb-de
(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

uefa-com
(Foto: uefa.com)

foot01-com
(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

parisfans-fr
(Foto: parisfans.fr)

butfootballclub-fr
(Foto: butfootballclub.fr)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter