20 Nov, 2017

Liverpool: gigante adormecido ou morto?

João NegreiraNovembro 13, 20176min0

Liverpool: gigante adormecido ou morto?

João NegreiraNovembro 13, 20176min0
O Liverpool já não ganha um título desde a época 2011/2012, e já não consegue alcançar a Premier League desde a época 1989/1990. Como é que um clube com tanta história, com uma massa associativa tão grande e um ataque tão poderoso, estagnou desta maneira, ao ponto de já não ver um título à 6 anos?

Olhar para o passado e não falar no Liverpool é quase impossível. Com uma sala de troféus de fazer inveja a qualquer um e uns adeptos que orgulham toda essa história, é normal que pensemos no Liverpool como um clube que está sempre na órbita dos títulos e se não ganha num ano, ganha noutro. Mas isso não tem acontecido; já são 28 anos sem por os olhos no título da Premier League!

Podemos, então, afirmar que um dos clubes com mais história está estancado a nível de títulos e, por conseguinte, algo estará a falhar. Estará o problema no treinador?; nas transferências?; o que tem que mudar para acordar este gigante? Analisemos os problemas deste Liverpool.

Apesar da grande história, parece estar algo a falhar neste passado mais recente

Falamos de nomes como: Ian Callaghan ou Ray Clemence no século passado, mas no início do presente temos mais nomes na nossa mente como: Jamie Carragher, Steven Gerrard, Michael Owen, Daniel Agger, Pepe Reina, Fernando Torres, John Arne Riise, Milan Baros, Dirk Kuyt ou até Luís Suarez. Só ao lermos estes nomes, o clube eleva-se e fica noutro patamar, e o adepto fica com uma expectativa e esperança enormes para ver o seu clube suceder.

Falamos de um clube com 18 campeonatos ingleses, 15 Supertaças inglesas e 5 UEFA Champions League. Mas todos estes troféus foram alcançados há mais de uma década (!!) e isso é estranho. De referir que é um clube britânico e capital para investir no plantel não faltará, e todos os verões o Liverpool (e todos os clubes ingleses) provam-nos isso. E por isso, falta de dinheiro para comprar certo jogador não poderá ser uma desculpa; mas estarão a comprar os jogadores certos?

É esta a grande questão. Por tudo o que foi mencionado acima, só podemos concluir que o Liverpool tem estado mal nos jogadores que compra. E nem são os jogadores que se mostram ser uma má compra, é mesmo uma questão tática. Passando a explicar, o Liverpool tem investido bastante no ataque, mas na defesa, não tanto e isso reflete-se nos jogos. Apesar de no verão de 2016/2017 ter comprado alguns defesas, esses jogadores não são do nível que um clube necessita para ganhar (pelo menos) a Premier. Façamos uma analogia com o Manchester City deste ano que só em defesas gastou 170 milhões de euros e a diferença é astronómica e anormal (e os resultados estão, para já, na vista de todos). É necessário, pelo menos, um defesa de classe mundial, um patrão, alguém que dê segurança, sendo que depois pode ser complementado e ajudado por alguém mais novo e mais irreverente. E neste momento, isso não existe, os erros individuais repetem-se e a qualidade dos jogadores, por e simplesmente, não é suficientemente boa para dizermos que “é apenas um mau momento de forma“. E a oportunidade esteve lá, se a contratação não se concretizou, foi porque os responsáveis não quiseram.

Subindo no terreno, há que falar do ataque dos reds. É poderosíssimo, e os 40 golos já marcados nesta época são prova disso, e um grande contribuinte para esses golos até uma das compras: Mohamed Salah, mas isso não chega, pois, citando uma máxima do futebol: “Um bom ataque ganha jogos, mas uma boa defesa ganha campeonatos” e esta frase é aplicável aqui. O Liverpool tem ganho jogos esta época, mas já vacilou (talvez até vezes de mais) e no final não serão seguros o suficiente para aguentar a grande carga até ao fim.

E isto estará à vista de todos, menos à de Klopp (ou à da direção) pois até a antiga glória do clube, Michael Owen, já veio afirmar: “Klopp está a fazer um bom trabalho apesar dos problemas defensivos“. O britânico refere ainda que Klopp não é o culpado pois ele tentou resolver o problema no verão, mas falhou os alvos que queria. E bom, isso leva-nos à direção do clube inglês. A insistência em comprar atacantes, ao invés de defesas é grande e demasiada e isso tem-se refletido no sucesso que o clube (não) tem tido.

Mohamed Salah foi comprado este verão e tem justificado os milhões nele investidos. [Foto: FourFourTwo]

Será Klopp, o treinador certo?

Como já foi referido anteriormente, alguns acham que o problema não está no alemão, mas é natural que questionemos o trabalho do treinador de 50 anos. Sem nenhum título desde que está no comando dos reds, o seu trabalho pode ser colocado em causa. O excêntrico técnico tem uma qualidade enorme e uma relação com os jogadores de grande quilate, mas isso não chega.

As grandes ideias do germânico estão presentes no clube inglês: boa posse de bola e uma grande pressão. Mas como é que pode fazer a diferença? As dificuldades defensivas são um grande problema e de certo que Klopp já se apercebeu disso e grande parte do seu tempo de treino é gasto aí, mas o seu trabalho pode ser em vão, pois, alguns jogadores não vão chegar a um grande nível, por muito lapidados que sejam.

Em jeito de conclusão neste tópico, dizer que Klopp não será o problema maior. Tem que haver um maior investimento na defesa e um menor investimento no ataque. Talvez uma maior liberdade nesse aspeto para o treinador alemão, ou um maior investimento na rede de olheiros do clube.

Jurgen Klopp, com o seu estilo inconfundível. [Foto: The False 9]

O que fazer?

É certo que um clube desta dimensão não pode ficar tanto tempo sem ganhar nenhum título, aliás, as próprias estrelas do plantel poderão ficar desmotivadas e quererem deixar o clube (olhemos para o caso do Arsenal) e aí as dificuldades aumentam.

O maior investimento na defesa já foi falado e é talvez o aspeto mais importante, mas não será o único. Manter a estabilidade no plantel também é importante, ou seja, não vender os melhores jogadores, os atacantes. O dinheiro não é problema, portanto, estes 2 problemas são completamente solucionáveis e realizáveis por parte do clube. É necessário que os ponham em prática o quanto antes.


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