17 Ago, 2017

Ladies and Gentlemen: Mr. Marco Silva

Nélson SilvaFevereiro 12, 20175min0

Ladies and Gentlemen: Mr. Marco Silva

Nélson SilvaFevereiro 12, 20175min0

Enterrados no fundo da tabela, desmotivados pela sequência de maus resultados e pela consequente impaciência dos adeptos – quem assume o grande desafio de contrariar o rumo dos acontecimentos e tentar uma manutenção quase milagrosa do Hull City? De entre várias propostas, Marco Silva escolheu a missão mais espinhosa, mas aquela da qual sabe que pode colher mais frutos na sua projeção.

Se há jogadores que insistem numa carreira até perto dos quarenta anos, Marco Silva não é um deles. Com apenas trinta e nove anos, já é treinador há seis temporadas e tudo começou no último clube por onde passou na sua carreira como jogador. Com o Estoril a disputar a Segunda Liga e numa situação complicada, a direção decidiu dar um voto de confiança àquele que havia sido um jogador que mostrou grandes conhecimentos para assumir o cargo. O resultado? Subiu a equipa à Primeira Liga. A estrear no topo do futebol português, as equipas que sobem habitualmente se focam em garantir a manutenção, mas o técnico foi ainda mais ambicioso. O Estoril alcançou o quinto lugar e o consequente acesso inédito à Liga Europa. Na época seguinte, Marco justificou que não se tratava de um milagre. Conseguiu melhorar a marca histórica e terminou o campeonato em quarto lugar.

Foto: MaisFutebol

Com o Sporting a precisar de um substituto para Leonardo Jardim, a escolha foi óbvia e Marco Silva voltou a mostrar serviço. Uma Taça de Portugal e uma época em que se voltou a assumir um Sporting candidato ao título, como só acontecera com Jardim nos últimos anos. Contudo, esta terá sido a fase mais conturbante da carreira de Marco Silva. Sem alcançar o tão desejado título pelos leões, com Jorge Jesus na calha para assumir o cargo, foi empurrado para fora do clube e seguiu para o Olympiacos. Por lá bateu o recorde de vitórias de uma equipa no campeonato grego e cedo se tornou campeão. Se o clube grego já era quase crónico campeão da Grécia, Marco deu-lhe ainda um toque especial, com a aliciante de ter vencido no terreno do Arsenal para a Champions, o que obrigou os gunners a suarem para depois garantirem a passagem à fase seguinte. Terminada a temporada, para surpresa de todos e por falta de entendimento com a direção, Marco Silva deixou o clube e fez a primeira pausa desde que começou a ser treinador. Propostas certamente não lhe faltaram, mas Marco procurava um desafio especial, algo que o pudesse colocar ainda mais alto, nas bocas da elite do futebol europeu.

Foto: Rádio Renascença

O desesperado Hull City, ao deparar-se com meia época desastrosa e “condenado” à descida pelo andar da carruagem, decidiu abordar o técnico e o português não temeu. O calendário assustava, com desafios à cabeça com Man. United, Chelsea, Liverpool e Arsenal. De cabeça levantada, depressa colocou mãos ao trabalho, seguiu com a sua equipa técnica e logo com um reforço de peso: Hugo Oliveira, o prestigiado técnico de guarda-redes que havia terminado uma longa ligação ao Benfica no final da temporada passada. Aqui depressa se viu um trabalho quase invisível mas muito importante: Jakupovic passou a titular indiscutível na baliza, algo que os adeptos há muito pediam. Os resultados não demoraram a aparecer, principalmente a nível exibicional, dado a que os adversários lutam por objetivos bem diferentes. Arredado da Taça da Liga pelo Man. United, ainda venceu o compatriota Mourinho na segunda mão, conseguindo depois tirar-lhe pontos no campeonato. A eliminação da FA Cup aos pés do Fulham terá sido o momento mais atribulado até agora, mas o português começava a conquistar os críticos da Premier League, pois já havia complicado a vida ao poderoso Chelsea. A afirmação de Marco Silva dá-se com o empate em Old Trafford e a surpreendente vitória em casa, frente ao Liverpool. O mais recente jogo dos Tigers voltou a mostrar que Marco não se vai render a qualquer adversário. No Emirates Stadium, seguia em desvantagem na segunda parte, mas assumiu as rédeas do encontro e esteve muito perto de surpreender. Tudo isto com uma mudança brusca, um novo conceito, uma equipa à sua imagem e com os reforços possíveis, mas sempre escolhidos com critério.

Foto: Hull City @Twitter

O caso mais flagrante é mesmo o de Markovic. O técnico não tem memória curta, recorda-se das capacidades do sérvio quando este passara pelo Benfica e agora resgatou-o, conseguindo desde já começar a potenciar o jogador novamente. Mas a revolução não se ficou por aqui, tendo outros reforços já se destacado recentemente. Desde Niasse, N’Diaye, Ranocchia, Grosicki, Mason, Elabdellaoui e até Evandro, todos eles possuem qualidades apreciadas pelo treinador português, que mostra estar cada vez mais preparado para qualquer eventualidade e para uma segunda volta histórica, bem ao seu estilo. O calendário passa agora a ser mais “amigo” dos Tigers, os ossos mais duros de roer tranformaram-se num reforçar da confiança da equipa e por vezes isso vale tanto ou mais do que uma vitória. Ninguém adivinha o futuro, não se pode garantir que se confirme o tão desejado objetivo da manutenção, mas Marco Silva já descolou o Hull City do fundo da tabela e de garras cada vez mais afiadas para se lançar na luta.

Foto: SkySports


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